Um levantamento ambiental está em curso na Bacia de Pelotas para mapear a distribuição e a abundância da vida marinha no Litoral Sul. Chamado de Projeto Biodiversidade Pelágica, o estudo é uma exigência do licenciamento federal para a pesquisa sísmica na região e busca compreender como os processos oceanográficos influenciam espécies como baleias, golfinhos, tartarugas e aves oceânicas.
O trabalho é financiado pela TGS, empresa internacional de energia, e executado por pesquisadores vinculados ao Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). O objetivo é criar uma base de dados científica que servirá de base para tomadas de decisão sobre o uso do espaço marinho e a conservação ambiental.
A primeira expedição partiu do Porto de Rio Grande no dia 28 de março - o projeto prevê quatro cruzeiros, cada um com duração de 120 dias.
— De 15 ou 20 dias há uma troca de equipe e reabastecimento de mantimentos. Aproximadamente no meio do cruzeiro, há também necessidade de reabastecimento de água e combustível. Serão dois cruzeiros no outono e dois na primavera — explica Eduardo Secchi, pesquisador e professor que coordena o projeto.
Extensão e coleta de dados
A área investigada abrange uma vasta faixa marítima entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, alcançando desde águas rasas até regiões profundas. O navio oceanográfico Atlântico Sul percorre 38 transecções marítimas com 130 pontos de coleta distribuídos pela costa.
A região é considerada um hotspot de biodiversidade devido ao encontro de águas quentes do Norte com massas frias subantárticas, o que gera uma alta produtividade biológica e atrai grandes cardumes e predadores de topo.
— O projeto possibilitará uma caracterização ambiental sem precedentes. A biodiversidade protegida promove um ecossistema resiliente e mais estável no longo prazo, beneficiando também atividades econômicas ligadas ao mar — destaca Secchi.
Legado científico e exploração de energia
Embora o valor do investimento seja confidencial, os resultados serão reportados ao Ibama e disponibilizados para a comunidade científica. João Correa, country manager da TGS no Brasil, define a iniciativa como o maior projeto de biodiversidade da Região Sul.
— Este é o maior projeto de biodiversidade da Região Sul, um grande legado que a pesquisa geológica deixa para o país. Os resultados vão ajudar a identificar áreas importantes e gerar informações que apoiem o planejamento sustentável do mar — afirma Correa.
O projeto tem duração estimada de três anos, entre logística, expedições, análises laboratoriais e elaboração de relatórios técnicos.
Ainda conforme Secchi, a Bacia de Pelotas reúne condições naturais favoráveis à alta produtividade biológica.
O encontro de águas quentes vindas do Norte com massas frias e ricas em nutrientes oriundas de áreas subantárticas forma frentes oceânicas que concentram alimento e atraem diversas espécies.
O que é a pesquisa sísmica?
Ainda não há uma confirmação da existência de petróleo na região. Por isso, as pesquisas sísmicas funcionam como uma espécie de ultrassonografia do fundo do mar para identificar as áreas com potenciais de possuir a matéria-prima.
Equipamentos emitem ondas sonoras que penetram o subsolo marinho. O retorno dessas ondas, refletidas pelas diferentes camadas geológicas, é captado por sensores e processado para mapear a estrutura do fundo do mar e identificar possíveis acumulações de hidrocarbonetos, como o petróleo.
A pesquisa sísmica 3D atualmente conduzida pela TGS está sendo realizada em águas do Rio Grande do Sul, com a menor distância da costa localizada próxima ao município de Mostardas, cerca de 95 quilômetros.
A área total licenciada para a operação é de 105 mil quilômetros quadrados, em profundidades mínimas de 200 metros.
Segundo o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Giovani Cioccari, intervalos de poços já perfurados revelaram indícios de hidrocarbonetos na região, embora a presença do petróleo nunca tenha sido confirmada.
— Essa região apresenta uma configuração geológica mais estruturada em comparação ao restante da bacia, com maior potencial para reservatórios de hidrocarbonetos. No entanto, apenas os estudos sísmicos poderão indicar o real potencial da área e, em caso positivo, somente a perfuração de poços confirmará a existência — explica o geólogo.
Além disso, outra empresa norueguesa, a Shearwater, também iniciou atividades na região, em parceria com a Searcher Seismic, em uma área de 17,3 mil quilômetros quadrados. Ambos os projetos possuem autorização do Ibama. As empresas estão utilizando o Porto de Rio Grande como apoio logístico nas operações.
Atualmente, a Petrobras, em consórcio com empresas como Shell, Petrogal Brasil, CNOOC, Chevron e ExxonMobil, é responsável pela concessão dos blocos para exploração de petróleo na região.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.




