
Do desenvolvimento de jogos digitais à criação de soluções para desafios ambientais, dois laboratórios instalados no Parque Tecnológico de Pelotas vêm aproximando estudantes da ciência e da tecnologia desde a educação básica.
O Game Lab e o Criar Lab funcionam como espaços de experimentação e aprendizagem prática, conectando escolas, universidade e setor produtivo. Os projetos são coordenados pela professora de computação criativa Kelen Bernardi e têm como foco estimular protagonismo estudantil por meio de programação, robótica, inteligência artificial e metodologias baseadas em projetos.
— A ideia é trazer o aluno como protagonista, trabalhando aprendizagem baseada em projetos e aprendizagem criativa — afirma Kelen.
A iniciativa começou a ser desenhada em 2018, após a realização do Scratch Day no Parque Tecnológico. O evento, voltado à comunidade escolar, celebrou a plataforma educacional Scratch, criada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e usada mundialmente para introduzir crianças e adolescentes à programação em blocos.
Segundo Kelen, a adesão à atividade motivou a criação de um espaço maker permanente para atender professores e estudantes da rede pública.
— Mobilizamos a rede municipal de Pelotas e o evento teve uma resposta muito positiva. A partir dali surgiu a ideia de criar um laboratório maker para fomentar projetos que possam futuramente se transformar em negócios e inovação — relembra.
O primeiro espaço inaugurado foi o Criar Lab, em outubro de 2022. Já o Game Lab começou a ser estruturado entre 2023 e 2024, após a chegada de uma emenda parlamentar que viabilizou a compra de computadores de alto desempenho.
Ciência aplicada a problemas reais
No Criar Lab, a proposta é estimular criatividade, inovação e empreendedorismo com apoio da inteligência artificial. O laboratório também desenvolve projetos voltados a temas ambientais e climáticos.
Segundo a coordenadora, parte das atividades passou a incorporar reflexões sobre eventos extremos, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
— Temos focado em projetos relacionados às mudanças climáticas e na busca por soluções para problemas reais — explica.
A estrutura comporta até 25 alunos por atividade e conta com impressora 3D, ferramentas diversas e materiais reutilizados, como papelão, utilizados na construção de protótipos.
As oficinas têm duração média de três horas e resultam no desenvolvimento de produtos ou projetos pelos participantes.
Desenvolvimento de jogos e programação
No Game Lab, estudantes aprendem lógica de programação e criação de jogos digitais. Atualmente, as oficinas ocorrem às terças-feiras e oferecem 10 vagas por módulo.
Segundo Kelen, a proposta é inserir jovens também no mercado de tecnologia e desenvolvimento digital.
— A indústria gamer movimenta bilhões no mundo todo. Queremos que nossos alunos também criem tecnologia, e não apenas consumam produtos prontos — destaca.
Conexão entre educação e mercado
Para a coordenadora, a localização dos laboratórios dentro do Parque Tecnológico fortalece a relação entre educação, inovação e desenvolvimento regional.
— O parque reúne empresas e projetos voltados à solução de problemas reais. Esse ambiente favorece uma educação conectada com inovação e empreendedorismo — afirma.
As ações contam com apoio de professores e pesquisadores da área de computação, além de parcerias com Sebrae e instituições públicas e privadas de ensino.
Como participar
As oficinas do Criar Lab são abertas à comunidade escolar. Professores interessados em levar turmas podem entrar em contato pelas redes sociais do Parque Tecnológico.
As inscrições para os módulos do Game Lab também são divulgadas pelo Instagram da instituição e, segundo a coordenação, costumam registrar alta procura.


