
A temporada de verão no sul do Estado costuma trazer encontros inusitados nas praias: lobos-marinhos, leões-marinhos, elefantes-marinhos e até tartarugas marinhas podem ser vistos próximos à faixa de areia.
Embora seja comum associar a presença desses animais a perigo ou sofrimento, muitos deles estão apenas utilizando as praias como parte de seu ciclo de vida.
A região entre Mostardas e o Arroio Chuí, por exemplo, apresenta condições ideais para repouso e alimentação de diversas espécies: praias extensas, clima temperado, baixa urbanização em alguns trechos e abundância de alimentos atraem esses animais durante migrações ou períodos de muda de pelagem.
— Muitos desses animais usam a praia para descansar. Eles interrompem suas viagens ou migrações para se recuperar antes de seguir adiante, e isso faz parte da natureza deles — explica Paula Canabarro, coordenadora do Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Furg (CRAM-Furg).
Por outro lado, tartarugas marinhas, podem encalhar devido as correntes marítimas, ingestão de lixo ou emaranhamento em redes de pesca.
Animais debilitados como esses funcionam como indicadores do estado do ambiente costeiro, permitindo que cientistas identifiquem ameaças e desenvolvam estratégias de conservação.
— Esses animais debilitados nos enviam uma mensagem do que está acontecendo no ambiente costeiro. Por meio deles, podemos entender ameaças maiores e pensar em estratégias de conservação. É essencial garantir que, no futuro, as novas gerações também possam viver a experiência de estar na praia e dividir esse espaço com as espécies marinhas que também fazem parte dele — afirma.
Como agir?
Apesar da curiosidade, especialistas alertam para ninguém buscar contato direto. Estudos mostram que o estresse causado pela presença humana interfere no metabolismo, no comportamento e até na chance de sobrevivência de animais enfraquecidos.
Diante de uma situação como essa, o mais importante é respeitar o espaço do animal e observar à distância. A avaliação sobre o estado de saúde e a necessidade de intervenção deve ser feita por profissionais capacitados. Por isso, a recomendação é que a população mantenha distância, evite qualquer tipo de aproximação e entre em contato com as instituições responsáveis.
— É essencial compartilhar o espaço da praia com a fauna local e nos avisar para que possamos avaliar a situação, registrar os animais e resgatá-los quando necessário. A orientação é manter uma distância segura para evitar que o animal fique ainda mais debilitado ou impedido de descansar, caso seja essa sua intenção — enfatiza a coordenadora do Cram.
Cuidado e reabilitação
O Centro de Recuperação de Animais Marinhos da Furg iniciou as atividades em 16 de janeiro de 1974, com o resgate de um lobo-marinho debilitado na Praia do Cassino. A ação, realizada por Lauro Barcellos, então voluntário do Museu Oceanográfico da universidade, marcou o começo de uma trajetória de dedicação à conservação da fauna marinha.
Desde então, o Cram se consolidou como um dos centros mais experientes do país. O local conta com áreas de despetrolização, tanques de reabilitação, laboratório de análises clínicas, sistemas de filtragem e aquecimento de água, além de veículos e embarcações para monitoramento e resgate.
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