
Aquele smartphone antigo, esquecido na gaveta, pode ser a porta de entrada para a cidadania de um idoso em Pelotas. O projeto Idoso Conectado, capitaneado pelo Escritório de Projetos da Associação Pelotense de Assistência e Cultura (APAC) — instituição mantenedora da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) —, transforma o descarte de eletrônicos em uma ferramenta de inclusão social.
Única iniciativa gaúcha premiada em um edital nacional com mais de 570 inscritos, a proposta entra agora em fase de arrecadação de equipamentos.
O objetivo é combater a exclusão digital que atinge mais de 10 milhões de idosos no Brasil. Para isso, a APAC e a UCPel apostam no recondicionamento de aparelhos usados e no ensino prático.
— As gerações atuais são nativas digitais, mas os idosos enfrentam barreiras de adaptação justamente por serem nativos de um mundo analógico — explica Gustavo Nunes Silva Vieira, supervisor de projetos e membro da equipe. — O projeto surge para reduzir essa distância, promovendo autonomia em um contexto de rápidas transformações — afirma.
Três frentes de atuação
A iniciativa não se limita a entregar o aparelho. O projeto é estruturado em três pontos que garantem a sustentabilidade da ação e o suporte pedagógico.
Na parte de educação, serão realizadas oficinas de letramento digital para ensinar o uso de aplicativos de saúde, comunicação e serviços. Na parte de equipamento, os smartphones doados pela comunidade são recuperados por técnicos e entregues configurados. A terceira frente de atuação é a garantia de pacote de dados gratuito por pelo menos um ano.
A meta inicial é capacitar 750 pessoas, com a entrega direta de 250 aparelhos recondicionados. Para reduzir os custos de manutenção, que chegam a R$ 100 mil apenas em telefonia, a organização planeja instalar internet via fibra óptica em locais estratégicos, como casas de repouso.
Sustentabilidade ambiental
Além do impacto social e acadêmico, há um forte componente ecológico no reaproveitamento de componentes que seriam jogados no lixo comum.
— O projeto promove inclusão digital e consciência ambiental, prevendo a reciclagem de componentes eletrônicos e evitando o descarte inadequado — destaca Vieira.
As oficinas e a entrega dos primeiros dispositivos estão programadas para o segundo trimestre de 2026. Até lá, o foco é o engajamento da sociedade e do empresariado local.
A equipe, composta por 12 pessoas divididas entre programadores, professores e profissionais administrativos, trabalha agora na finalização do material didático e na busca por patrocinadores para a compra de peças de reposição.
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