
A cidade de São Lourenço do Sul pode se tornar a primeira do Rio Grande do Sul a ter uma usina que transforma carbono em biochar — um bioinsumo rico em carbono capaz de fertilizar o solo de forma sustentável, eficiente e duradoura. A proposta é produzir biochar a partir de cascas de arroz, em um investimento inicial entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.
Na próxima segunda-feira (15), a NetZero Brasil, empresa que poderá fazer a implementação da usina no município, fará uma reunião com empresários, produtores rurais, agricultores e entidades agrícolas interessadas para apresentar o projeto.
Os produtores de arroz interessados em se tornar parceiros da proposta, poderão fornecer as cascas do grão e ter acesso ao bioinsumo produzido para suas lavouras.
De acordo com a empresa, o biochar é utilizado na agricultura como um condicionador para o solo, para ser misturado à superfície da terra no nível das raízes das plantas.
— Ele é aplicado apenas uma vez e garante benefícios agronômicos muito duradouros. O resultado é a alta produtividade das safras por um tempo prolongado e ainda oferece ao produtor a opção de adotar a agricultura 100% orgânica — explicou Ricardo de Figueiredo, diretor executivo da NetZero.
O insumo é produzido a partir da carbonização — aquecimento sem oxigênio — dos materiais orgânicos. A biomassa oriunda do processamento dos grãos, que é naturalmente rica em carbono, quando passa por esse processo se transforma neste bioinsumo com alto teor de carbono concentrado.
Cronograma
Caso os empresários que participem da reunião na segunda-feira tenham interesse de integrar o projeto, será elaborado um contrato formalizando a parceria. A expectativa é que esse processo aconteça em janeiro de 2026.
Após a assinatura, começa a contar o tempo para a instalação da usina, que é dividida em três etapas: captação do recurso financeiro, construir o projeto e instalar a usina.
— A gente espera que, no segundo semestre de 2026, a usina esteja funcionando. Nós construímos a unidade, desenhamos todo o modelo de negócio, testamos a biomassa e o biochar passamos essa usina para os proprietários. Ela pertencerá aos empresários locais que resolverem participar do projeto — garante.
Experiência com café e cana-de-açúcar

Atualmente, a NetZero atua em outros estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, com a produção de biochar a partir de cascas de café e cana-de-açúcar. A empresa ainda estuda expandir os negócios para o São Paulo e também no Pará, onde esperam aproveitar o caroço do açaí para produção do material.
