
A COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). O evento, que reúne líderes mundiais para definir ações globais de combate à crise climática, contará com a presença de dois jovens representantes de Pelotas.
Paula Hahn, de 21 anos, e Victor Samala, de 17, foram escolhidos para integrar a delegação brasileira durante a Plenária das Juventudes no Bioma Pampa, que ocorreu nos dias 14 e 15 de julho, em Pelotas.
As Plenárias das Juventudes nos Biomas são uma etapa preparatória para a conferência, promovidas pelo Conselho Nacional de Juventude e pela Secretaria Nacional da Juventude, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Champion de Juventude da COP30.
Os encontros aconteceram em seis cidades brasileiras, cada uma representando um bioma nacional. Pelotas foi escolhida para sediar a plenária do Pampa.
Segundo Paula Hahn, uma das representantes selecionadas, a escolha da cidade teve como propósito ampliar o alcance das discussões.
— A plenária, por exemplo, poderia ter acontecido em Porto Alegre. Mas a intenção da Secretaria da Juventude era justamente diversificar e democratizar todo esse debate.
O encontro teve como objetivo elaborar um documento com propostas da juventude e eleger dois representantes do Pampa para integrar a delegação brasileira na COP30.
Conheça os jovens
Paula Hahn

Paula Hahn está no sexto semestre do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Desde o início da graduação, participa de atividades extracurriculares.
— Desde o primeiro semestre eu já me integrei em atividades de ensino. Entre o segundo e o quarto semestre tive uma atuação bastante forte em um projeto que se chama Tecsol, onde tive contato com a perspectiva da economia solidária e também da sustentabilidade econômica como um todo — conta Paula.
Atualmente, é presidente do Centro Acadêmico do curso e integra o projeto Política Externa em Debate como pesquisadora em diplomacia pública — um trabalho que une ensino, pesquisa e extensão, com foco na relação entre o local e o global.
— A influência da UFPel no meu interesse pela diplomacia e pelas questões climáticas é extensiva. Tanto no sentido do currículo base, que aborda ambas as questões, quanto no sentido dos projetos que são desempenhados dentro da universidade — afirma Paula.
Ela conta que representar o Pampa na COP30 é uma grande responsabilidade.
— Eu sei que esse bioma, essa cidade e essa universidade são extremamente valiosos. Desde que fui selecionada para compor esse espaço, eu venho estudando muito, me integrando das pautas — completa.
Victor Samala
Victor Samala nasceu em São Paulo e mora em Pelotas há seis anos, junto da família.
O jovem é integrante do projeto Casa da Árvore, criado pela própria família. O espaço é voltado ao cultivo e à colheita de alimentos de forma sustentável, seguindo práticas ligadas à ancestralidade africana.
No local, funciona também uma cozinha solidária, responsável por preparar refeições e organizar a distribuição de cestas alimentares para famílias.
Samala participa ainda do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsanpotma), entidade que, segundo ele, abriu portas para sua participação nas Plenárias das Juventudes no Bioma Pampa.
— Me identifico profundamente com o Pampa. Minha família me contou que seria um evento voltado para jovens, mas ao observar as plenárias, percebi que havia pouca diversidade — conta Samala.
Ele explica que entendeu que o fato de ser um jovem negro, de tradição de matriz africana e oriundo de programas sociais, era o seu diferencial dentro da plenária.
— Compreendi que ser Pampa não é apenas ser branco, andar a cavalo, usar bombacha, camisa, guaiaca e chapéu. Mas também é ser o jovem engajado que sou, consciente e determinado a ocupar meu espaço.
O que eles irão levar para a COP30

A Plenária das Juventudes no Bioma Pampa reuniu povos tradicionais — pomeranos, quilombolas, indígenas e ribeirinhos — além de representantes da comunidade acadêmica e autoridades, em debates e oficinas sobre meio ambiente, sustentabilidade e políticas públicas.
Foram debatidas propostas que, posteriormente, foram integradas a um documento síntese. O relatório conta com três eixos principais.
O primeiro trata do reconhecimento do Pampa como um bioma essencial nas discussões sobre o clima. A ideia central foi mostrar que o território também sofre os efeitos do aquecimento global e deve ser incluído nas políticas de enfrentamento à crise climática.
Outro tema abordado foi a segurança humana, ampliada para além da segurança física, incluindo também a saúde mental, a alimentação e o bem-estar. Foi mencionado que as enchentes no Rio Grande do Sul deixaram marcas que ultrapassam os prejuízos materiais, afetando de forma duradoura o psicológico das famílias atingidas.
As discussões ainda destacaram a importância dos saberes tradicionais para o cuidado com o meio ambiente. Foram citados os modos de vida e de trabalho dos povos do Pampa, como o pastoreio natural e o cultivo sustentável, vistos como exemplos de equilíbrio entre natureza e comunidade.
— Eu acredito que, em síntese, foi um espaço de muita escuta, construção e conexão — conta Paula.
O material com as propostas foi entregue a Marcele Oliveira, jovem escolhida para representar o Brasil nas reuniões oficiais da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30).
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