
Com a chegada do verão e o aumento dos índices ultravioleta (UV), a escolha do protetor solar ideal, especialmente o facial usado no dia a dia, volta ao centro das conversas sobre cuidados com a pele.
Mesmo com a ampla oferta de produtos no mercado, ainda há dúvidas sobre qual fator de proteção (FPS) escolher, como interpretar a defesa contra raios UVA (Ultravioleta A) e quais texturas funcionam melhor no calor.
Também há incertezas sobre optar por uma fórmula específica para o rosto e quando o produto corporal pode substituir essa função. A decisão interfere diretamente no conforto, na eficácia e até no surgimento de acne ou irritações.
Para esclarecer essas diferenças e facilitar a decisão de compra, Zero Hora ouviu especialistas e reuniu orientações sobre formulações faciais e corporais, reaplicação e adaptações para cada tipo de pele.
Navegue pelas dicas
ZH Indica: guia de compras
Como escolher o melhor protetor solar facial
Ao iniciar a busca por um protetor solar para o rosto, seja na farmácia, na internet ou no consultório, é comum que o consumidor olhe primeiro para o FPS e para o preço.
Mas dermatologistas reforçam que é a experiência de uso que define se o produto realmente entrará na rotina, especialmente no verão, quando calor e transpiração dificultam a aderência.
Textura desconfortável, toque pegajoso ou sensação de peso são alguns dos principais motivos que fazem brasileiros abandonarem o protetor ao longo dos dias, reduzindo drasticamente a proteção. Por isso, entender textura, FPS adequado e proteção UVA é decisivo.
O dermatologista Alessandro Alarcão, presidente do Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica 2026, resume o trio básico da escolha:
— O primeiro ponto é unir proteção adequada e textura confortável. Um produto pesado afasta o uso diário. Três fatores orientam essa escolha: FPS adequado, proteção UVA e textura que favoreça a rotina — detalha.
Protetor facial x corporal: por que não é tudo igual?

Uma das dúvidas mais comuns é se existe realmente diferença entre protetores corporais e faciais, e se é necessário ter dois produtos diferentes. A resposta é sim.
O rosto tem pele mais fina, sensível e com maior tendência à oleosidade e acne. Por isso, os protetores faciais são formulados de forma específica para evitar irritação, brilho excessivo e obstrução dos poros.
Protetor solar facial
- Textura: leve, toque seco ou matte, rápida absorção; ideal para uso diário e para quem usa maquiagem
- Formulação: não comedogênico (ingredientes que obstruem os poros da pele), pensado para a pele sensível do rosto, com menor probabilidade de causar acne
- Ativos: podem incluir antioxidantes, ácido hialurônico, vitamina C e ingredientes anti-idade
- Uso: para o dia a dia, inclusive em ambientes internos; FPS mínimo recomendado é 30
Protetor solar corporal
- Textura: mais densa e espessa, muitas vezes mais oleosa
- Formulação: foco em resistência à água e suor e cobertura de grandes áreas; não é pensado para poros do rosto, podendo causar espinhas
- Uso: exposições prolongadas ao sol, como praia, piscina, atividades ao ar livre
Em resumo, você pode usar o corporal no rosto em emergências, mas o facial é sempre melhor para uso diário, pois trata a pele e não aumenta risco de cravos.
O corporal é perfeito para exposições prolongadas ao sol, mas é mais pesado e potencialmente comedogênico para o rosto.
Fator de proteção: quando subir o nível?
Fator de proteção 30 segue como o mínimo recomendado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. No entanto, a elevação dos índices UV no país nos últimos anos faz com que, em muitos cenários, seja prudente optar por fatores mais altos.
Em dias muito ensolarados, o UV atinge níveis extremos logo pela manhã, aumentando a carga acumulada na pele, independentemente do tom ou do histórico pessoal.
Para Alarcão, fatores mais altos não são apenas válidos, e sim necessários para determinados perfis.

Trabalhadores expostos continuamente ao sol, como agricultores e profissionais da construção civil, devem sempre escolher FPS elevado.
FPS 30: mínimo recomendado.
FPS 50: atende a maior parte das pessoas.
FPS 70 a 100: indicado para:
- pele muito clara
- histórico de câncer de pele
- melasma
- rosácea
- pele sensível
- longos períodos ao ar livre
Por que olhar também para o UVA?
Grande parte dos consumidores observa somente o FPS, sem perceber que a radiação UVA (invisível, constante e capaz de atravessar vidro) é a que mais contribui para melasma (condição que causa manchas escuras na pele), envelhecimento precoce e piora de inflamações cutâneas.
— A radiação UVA causa manchas, envelhecimento e participa da formação de câncer de pele. Para avaliar essa proteção, busque o símbolo UVA dentro de um círculo, o PPD (medida da proteção do protetor solar contra os raios UVA) ou a classificação PA+. Um protetor FPS 50 pode ter UVA fraco, o que não atende quem trata melasma — ressalta Alarcão.
Entenda a escala PA+:
- PA+: proteção UVA leve (PPD dois a quatro)
- PA++: proteção moderada (PPD quatro a oito)
- PA+++: proteção alta (PPD oito a 16)
- PA++++: proteção muito alta (PPD acima de 16)
Escolha por tipo de pele

Cada pele responde melhor a determinadas texturas. Quando o produto combina com suas necessidades, a aderência melhora e o uso diário se torna mais fácil, especialmente no calor.
Além disso, as preferências mudam conforme a estação: no inverno, peles mais secas buscam fórmulas cremosas; no verão, tendem a migrar para texturas mais leves.
O que funciona melhor para cada perfil
- Pele oleosa: gel-cream, gel, sérum ou toque seco; reduzem brilho e risco de acne cosmética
- Pele acneica: oil free e não comedogênicos; séruns e gel-creams evitam obstrução dos poros
- Pele seca: loções cremosas e fórmulas hidratantes com ácido hialurônico; no inverno, versões mais densas
- Pele sensível: filtros minerais (óxido de zinco e dióxido de titânio) e fórmulas com menos fragrância
- Pele madura: alta proteção UVA e antioxidantes para combater manchas, rugas e perda de colágeno
- Peles negras: também precisam de FPS elevado; melanina não bloqueia UVA profundo e não elimina risco de manchas ou câncer
Texturas: gel, sérum, creme, mousse, bastão ou spray
A variedade atual permite personalizar o uso de acordo com clima, pele e rotina. A eficácia depende da formulação, mas é a textura que determina se a pessoa vai reaplicar, etapa que é indispensável.
Como cada textura funciona
- Gel: leve e refrescante; ideal para peles oleosas e temperaturas altas
- Sérum: fluido e de rápida absorção; ótimo para evitar brilho no verão
- Creme: mais denso e hidratante; funciona melhor no frio e em peles secas
- Mousse: intermediário, aerado e fácil de espalhar
- Bastão: reforça pontos específicos (nariz, maçãs do rosto, cicatrizes)
- Spray: prático, mas precisa ser espalhado com as mãos para evitar falhas
Perguntas frequentes (FAQ) sobre protetores solares
Protetor com cor protege mais?
Sim. Os pigmentos bloqueiam luz visível, hoje reconhecida como agravante importante do melasma, inclusive em ambientes internos.
— Os pigmentos bloqueiam luz visível, que escurece manchas e piora o melasma. Quem trabalha em ambiente fechado observa melhora ao trocar protetor sem cor por um com cor — afirma Alarcão.
Protetor solar causa acne?
Pode causar, se a textura for inadequada. Fórmulas espessas, oleosas ou comedogênicas aumentam risco de obstrução dos poros.
— Dê preferência a fórmulas oil free, limpe o rosto à noite e evite produtos pesados. Texturas modernas com sílica matificante reduzem o risco — orienta o especialista.
Qual a quantidade ideal?

A maioria das pessoas aplica apenas metade da quantidade necessária. Isso diminui drasticamente a proteção real.
- Rosto e pescoço: cerca de uma colher de chá
- Regra dos dois dedos: duas linhas generosas nos dedos indicador e médio
- Corpo: cerca de 30 mililítros (mL)
Quando reaplicar?
No sol direto, a cada três horas. Em ambiente interno, a cada quatro horas para quem tem histórico de melasma.
Quais as regiões esquecidas na hora da aplicação?
Orelhas, nuca, dorso das mãos, pés e couro cabeludo em áreas de calvície são os locais onde surgem muitos carcinomas, especialmente em homens.
Por que usar todos os dias?
A radiação ultravioleta atravessa a cobertura do céu e alcança a pele mesmo em dias nublados — até 80% dos raios UV chega ao solo.
Protetor solar não é item sazonal: é hábito diário. Seu uso regular reduz riscos de:
- lesões pré-cancerígenas
- câncer de pele
- queimaduras
- manchas
- envelhecimento precoce













