
Seja nas farmácias, em anúncios nas redes sociais ou em recomendações de influenciadores, os suplementos de colágeno têm ganhado cada vez mais espaço, especialmente entre quem busca melhorar a saúde da pele, fortalecer unhas e cabelos ou aliviar dores nas articulações.
Por se tratar de um suplemento alimentar, é recomendável buscar orientação médica antes de iniciar o uso.
Além disso, embora o colágeno seja amplamente divulgado por seus supostos benefícios, ainda não há evidências científicas conclusivas que comprovem sua eficácia. Cada organismo responde de forma diferente, e os resultados podem variar.
Para explicar detalhes, Zero Hora conversou com a dermatologista Laura Milman, integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção RS (SBD-RS) – e com o reumatologista Francisco Airton Rocha, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).
Tire suas dúvidas:
ZH Indica: guia de compras
O que é colágeno
O colágeno é uma proteína estrutural essencial, considerada a mais abundante do corpo humano. Ele é responsável por dar sustentação, elasticidade e resistência a diversos tecidos, como pele, articulação e ossos. Também está presente em órgãos, vasos sanguíneos e no revestimento intestinal.
De acordo com Francisco Rocha, existem 28 tipos de colágeno no organismo, cada um com uma função própria.
Com o passar dos anos, o organismo passa a produzir menos colágeno. O que já existe no corpo começa a se degradar mais rapidamente.
Esse cenário pode ainda ser acelerado conforme os hábitos de vida, como tabagismo e sedentarismo.
O que é a suplementação de colágeno
O corpo produz colágeno naturalmente, mas ele também pode ser obtido por meio da alimentação ou por meio de suplementos, na forma de pó, cápsula, gomas ou adicionado a alimentos e bebidas.
Dessa forma, quem consome busca elevar os níveis da proteína no organismo.

Categorias
O primeiro passo para escolher qual o melhor suplemento é entender o porquê e para que ele será consumido. Nesse sentido, a orientação especializada é essencial.
Há três categorias de colágeno: colágeno puro (não hidrolisado), colágeno hidrolisado e peptídeos de colágeno. A principal diferença entre eles está na estrutura molecular e na capacidade de absorção pelo corpo.
Colágeno Puro (Não Hidrolisado)
O colágeno não hidrolisado é a forma natural da proteína, com sua estrutura original preservada. Ele possui cadeias longas de aminoácidos, o que dificulta sua digestão e absorção pelo organismo. Por isso, seu uso em suplementos orais é menos comum.
Colágeno Hidrolisado
O colágeno hidrolisado passa por um processo chamado hidrólise, que quebra as cadeias proteicas em fragmentos menores. Essa transformação facilita a digestão e a absorção dos aminoácidos pelo intestino, tornando essa forma uma das mais utilizadas em suplementos alimentares.
Peptídeos de Colágeno
São fragmentos específicos e padronizados do colágeno hidrolisado, obtidos a partir de uma hidrólise ainda mais intensa. Esses peptídeos são estudados clinicamente e apresentam melhor biodisponibilidade, ou seja, são mais facilmente absorvidos e utilizados pelo organismo.
Tipos e para quem são indicados
Colágeno tipo I
É o colágeno encontrado na pele, nos dentes, nos ossos, nos tendões e nos ligamentos. Está diretamente relacionado à firmeza e elasticidade da derme.
Na forma de suplemento, é muito procurado por quem deseja melhorar a aparência da pele, fortalecer unhas e cabelos e prevenir rugas e demais efeitos do envelhecimento.
Contudo, conforme a dermatologista Laura Milman, ainda faltam evidências científicas sólidas que indiquem que a suplementação oral seja responsável por, de fato, impulsionar esses resultados.
De forma geral, a suplementação costuma ser recomendada por profissionais da área médica e estética como complemento adicional.
Faz parte de protocolos pós-aplicação de bioestimuladores de colágeno (procedimento estético que utiliza substâncias injetáveis para estimular a produção natural de colágeno pela pele) ou após sessões de tratamento com ultrassom microfocado e radiofrequência (que também estimulam produção colágeno).
Colágeno tipo II
Presente principalmente nas cartilagens, o colágeno tipo II é responsável por formar fibras que dão suporte e resistência às articulações.
Muitas vezes, quem o busca tem desconfortos e inflamações nessas áreas do corpo, como osteoartrite, a mais comum das artrites crônicas.
O reumatologista Francisco Rocha explica que ainda não há um consenso na comunidade médica sobre o uso de colágeno.
No entanto, destaca que, ao considerar os processos inflamatórios do corpo, algumas pesquisas indicam que a suplementação pode ser benéfica para reduzir esse cenário no organismo.
— A gente busca diminuir a inflamação crônica, persistente, resistente, que se instala nas juntas com osteoartrite. Essa inflamação está dentro das articulações, mas também pode estar presente em outros tecidos. Admite-se, embora com reservas, que haja resultados positivos não apenas na melhora dos sintomas articulares, mas na modulação da resposta inflamatória sistêmica como um todo — explica.
Como escolher o melhor colágeno

O colágeno pode ser encontrado em diferentes formatos. As principais são:
- Pó solúvel: é a forma mais utilizada pela facilidade de consumo no dia a dia e pelo custo-benefício. Pode ser encontrado em sachês individuais ou em potes. Há fabricantes que adicionam sabores. É recomendado ter atenção à lista de ingredientes por conta dos aditivos, como açúcares ou adoçantes, além de aromatizantes e conservantes
- Cápsula: costuma ser mais prático e fácil de ingerir e transportar. Muitas vezes, é preciso consumir mais de uma unidade para chegar à quantidade de colágeno que a porção em pó oferece. Ou seja, o custo-benefício não é o mais vantajoso
- Líquido: forma de suplemento pronto para consumo imediato, geralmente com sabor
- Gomas mastigáveis: são práticas e têm um gosto mais agradável. A depender da marca, podem oferecer pouca quantidade de colágeno por porção, além de aditivos e adoçantes. Por isso, também é indicado averiguar o rótulo

Preste atenção no rótulo
O rótulo é um grande aliado. Ele reúne dados essenciais que ajudam a avaliar a qualidade do produto e mostram o compromisso do fabricante com a transparência. Com base nisso, há elementos importantes a serem levados em consideração:
- Lista de ingredientes: é apresentada de forma decrescente. O ingrediente "colágeno" deve aparecer na primeira posição. O ideal é que contenha poucos itens listados. Evite produtos com corantes artificiais e adoçantes em excesso ou com ingredientes dificilmente reconhecidos
- Informações do rótulo: dados sobre recomendação de uso com a quantidade; advertências gerais e outras específicas, que variam de acordo com a composição do suplemento alimentar; restrições de uso; tabela nutricional; lista de ingredientes e declaração da presença de elementos alergênicos; prazo de validade; origem; e lote
- Origem da proteína: informar o consumidor especialmente se a fonte for animal. Isso permite que pessoas com restrições alimentares façam escolhas conscientes
- Lote e prazo de validade: elemento básico e obrigatório do rótulo
- Dados sobre o fabricante: o rótulo deve conter informações básicas sobre o fabricante, como CNPJ
- Número de notificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): os suplementos alimentares estão dispensados de registro junto à Anvisa, mas devem ser regularizados antes da comercialização por meio de uma notificação junto ao órgão. Desde setembro de 2025, todos os suplementos presentes no mercado devem estar notificados e devem conter a informação "Alimento notificado na Anvisa", seguido do número completo do processo de notificação. A regularização pode ser consultada no site da agência

Verifique a reputação da marca
A recomendação é que o consumidor pesquise o nome da marca do produto que está considerando comprar para averiguar a reputação: é uma referência no setor? Há muitas reclamações? Há notícias que apontam possíveis fraudes? O que o profissional que te acompanha diz?
Optar por marcas de suplementos conhecidas, bem avaliadas e respeitadas é um indicativo de confiabilidade e qualidade.
Cuide o local de compra e desconfie de promessas milagrosas
A orientação profissional é sempre optar por compras em lojas especializadas ou em farmácias — portanto, em locais regularizados e de confiança. Pela internet, a recomendação é buscar os sites oficiais das marcas.
Por ser um suplemento alimentar, o colágeno não pode ter indicações na embalagem que denotem algo terapêutico, como frases que remetam a mudança drástica na pele ou ao corpo e demais referências "milagrosas"

Verifique o custo-benefício
Esse aspecto é bem individual. O consumidor precisa avaliar os elementos que considera mais importantes e comparar com os preços do mercado. Geralmente, os produtos com mais tecnologia e mais reconhecidos costumam ser mais caros.
O consumidor pode comparar o custo-benefício dos produtos e não precisa comprar o mais caro, mas deve desconfiar se o produto estiver com preço muito abaixo do valor de mercado. Esse é um indicativo importante quando se busca atestar confiabilidade.
Há contraindicações?
Os colágenos tipo I e II são seguros e não apresentam efeitos adversos para a maioria das pessoas, mas algumas precauções devem ser tomadas:
- Alergias: pessoas alérgicas a proteínas de frango (se o colágeno for derivado de frango) ou a outros tipos de carne podem ter reações adversas
- Gravidez e amamentação: não há estudos suficientes sobre a segurança do consumo de colágeno durante a gravidez ou amamentação












