
Embora os cartões de crédito representem apenas uma parte das estratégias de acúmulo de pontos e milhas, eles seguem como a principal porta de entrada para quem quer transformar gastos do dia a dia em viagens mais econômicas e frequentes.
É com esse meio de pagamento que muitos consumidores começam a acumular pontos e, ao mesmo tempo, enfrentam as primeiras dúvidas sobre como fazer escolhas mais vantajosas.
Com dezenas de opções disponíveis no mercado e anuidades que podem passar de R$ 1 mil por ano, escolher o cartão errado pode transformar a promessa de viagem barata em prejuízo.
Para ajudar nessa decisão, Zero Hora analisou as principais bandeiras disponíveis no país e preparou um guia para ajudar a escolher o melhor cartão de crédito para acumular milhas de acordo com o perfil do consumidor.
Leia nesta reportagem
ZH Indica: guia de compras
Pontos e milhas: por onde começar
No dia a dia, pontos e milhas costumam ser tratados como sinônimos. A diferença está, sobretudo, no local onde o saldo é acumulado.
Os pontos, em geral, estão vinculados a programas de bancos e cartões de crédito, como Livelo, Esfera, Átomos, Pontos Caixa e Membership Rewards.
Já as milhas são associadas diretamente aos programas das companhias aéreas, como Smiles, TudoAzul, Latam Pass e TAP Miles&Go.
Na maior parte das estratégias, o consumidor acumula pontos no cartão e depois transfere esse saldo para um programa aéreo.
É nesse momento que entram as campanhas de transferência bonificada, que podem dobrar ou até mais do que dobrar a quantidade final de milhas.

O que considerar antes de escolher um cartão que acumula milhas
Antes de olhar rankings ou listas de cartões, é fundamental entender quais critérios fazem um produto ser vantajoso ou não para o orçamento pessoal.
Regra de pontuação
O indicador mais conhecido é a quantidade de pontos acumulados por dólar gasto. Quanto maior a pontuação, maior tende a ser o custo do cartão.
Cartões de entrada costumam oferecer entre 1 e 1,5 ponto por dólar (R$ 5,20, na cotação atual), enquanto cartões premium chegam a 5, 6 ou mais pontos.
Programa de fidelidade
Alguns cartões concentram o acúmulo em programas próprios do banco, enquanto outros permitem transferências para diferentes companhias aéreas.
Quanto maior a flexibilidade, maiores são as chances de aproveitar promoções e extrair mais valor das milhas.

Anuidade e política de isenção
A anuidade varia de algumas centenas de reais até valores que superam R$ 20 mil por ano.
Muitos cartões oferecem isenção total ou parcial conforme gastos mensais ou volume de investimentos, o que altera completamente a análise de custo-benefício.
Spread do dólar e IOF
Para quem faz compras internacionais ou viaja com frequência, dois custos pouco visíveis fazem diferença no valor final da fatura: o spread do dólar e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O spread é a margem adicionada pelo banco sobre a cotação comercial do dólar no momento da conversão da compra. Na prática, significa que o consumidor paga um dólar mais caro do que o valor oficial divulgado no mercado. Esse percentual varia conforme o emissor do cartão e pode aumentar de forma relevante o custo de gastos feitos no exterior ou em sites internacionais.
O IOF é um tributo federal que incide sobre compras internacionais feitas com cartão de crédito. Seguindo o cronograma de redução gradual do governo, a alíquota atual em 2026 é de 3,38%.

No entanto, alguns cartões de alta renda oferecem o benefício do "IOF Especial", devolvendo parte ou a totalidade desse imposto ao cliente. Essa vantagem reduz significativamente o custo da fatura e torna o acúmulo de milhas em viagens ao exterior muito mais vantajoso.
É preciso atenção: a soma do spread bancário com o IOF pode acabar "anulando" o benefício de uma pontuação elevada.
Na ponta do lápis, nem sempre um cartão que pontua muito compensa o ágio (valor adicional) do dólar.
O cenário ideal são os cartões que oferecem isenção ou devolução de IOF e spread zero, garantindo o máximo de pontos com o menor custo por milha possível.
Benefícios adicionais
Salas VIP, seguros de viagem, assistências internacionais e status em programas parceiros só valem a pena quando são usados de fato. Benefícios pouco utilizados não compensam anuidades elevadas.
Dicas práticas para acumular milhas mais rápido
A principal regra é simples: aproveitar oportunidades sem criar gastos desnecessários.
Centralize os pagamentos no crédito
Sempre que não houver desconto relevante para pagamento à vista, priorize o cartão de crédito em vez de débito ou Pix. Concentrar despesas no mesmo cartão acelera o acúmulo de pontos.
Use os shoppings de pontos
Antes de comprar eletrodomésticos, roupas ou eletrônicos, vale conferir os portais de compras vinculados aos programas de fidelidade, como Livelo e Esfera.
Em campanhas promocionais, uma compra comum pode render pontos suficientes para uma passagem aérea nacional.

Espere transferências bonificadas
Evite transferir pontos para programas de companhias aéreas fora de períodos promocionais. Bônus de 80% ou 100% fazem grande diferença no saldo final e costumam ser decisivos para viabilizar bons resgates.
Avalie clubes de pontos com critério
Clubes podem ser úteis para quem precisa manter um fluxo constante de pontos ou garantir acesso a transferências bonificadas. Fora desses casos, a mensalidade pode não se justificar.
Vale a pena pagar anuidade para acumular milhas?
A resposta depende do custo-benefício individual. Um cartão com anuidade só compensa quando o valor estimado das milhas acumuladas, somado aos benefícios efetivamente utilizados, supera o custo anual.
Perfil iniciante
Quem gasta menos ou está começando tende a se beneficiar mais de cartões com isenção de anuidade por gastos mensais.
Perfil avançado
Consumidores com despesas elevadas e pagamento integral da fatura costumam extrair mais valor de cartões premium, que oferecem pontuação maior e benefícios adicionais.
Principais erros ao escolher um cartão de milhas
Algumas falhas são recorrentes e comprometem toda a estratégia:
- criar gastos apenas para pontuar
- ignorar o impacto do spread do dólar em compras internacionais
- deixar pontos expirarem por falta de acompanhamento
- acumular sem um objetivo claro de viagem ou resgate
Cada programa aéreo favorece determinados destinos e perfis. Pontuar no programa errado pode resultar em resgates mais caros ou pouco vantajosos.
Dica do ZH Indica
O melhor cartão para acumular milhas não é necessariamente o que lidera rankings, mas aquele que se encaixa no perfil financeiro, no padrão de consumo e nos objetivos de viagem do usuário.
Mais importante do que a pontuação máxima é manter uma estratégia consistente, aproveitar promoções com critério e usar o crédito de forma consciente.
Quando bem planejadas, as milhas deixam de ser apenas um saldo acumulado e passam a representar economia real e melhores experiências de viagem.










