
Em época de volta às aulas, a mochila volta a ser um dos principais itens da lista de material escolar. Além disso, é um dos favoritos da criançada.
Embora muitas escolhas sejam feitas por conta do estilo ou em razão do personagem estampado, outros detalhes da bolsa merecem atenção especial. Diferentes características podem influenciar no conforto, na saúde postural e na durabilidade do produto.
Zero Hora consultou sites das principais marcas que confeccionam mochilas escolares no Brasil. Além disso, conversou com Miguel Akkari, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), e com Jonas Lenzi, ortopedista especialista em coluna e intervencionista em dor.
Leia nesta reportagem
ZH Indica: guia de compras
Rodinha ou nas costas: qual escolher?
Uma das principais dúvidas de pais e responsáveis é optar entre modelos de costas ou com rodinhas. A escolha depende de fatores como idade, quantidade de material, estrutura da escola e trajeto até a sala de aula.
- Mochila de costas: é a mais usada por estudantes de diferentes idades e costuma ser indicada quando o peso do material está dentro de limites seguros. Oferecem maior mobilidade e praticidade para se deslocar por escadas, ônibus e corredores cheios
- Mochilas com rodinhas: alternativa quando o estudante precisa carregar muitos livros e cadernos, especialmente nos primeiros anos do Ensino Fundamental
Escolha o tamanho certo
O tamanho da mochila é um dos principais fatores de observação na hora da compra. Ela deve acompanhar o porte físico e a fase de desenvolvimento do estudante.
Mochila de rodinhas

O ortopedista Jonas Lenzi alerta que a mochila de rodinhas precisa ser compatível com o tamanho da criança. Em escolas com muitas escadas ou em trajetos longos, o equipamento acaba frequentemente sendo carregado no braço, o que pode gerar desconforto e sobrecarga.
Quanto maior a mochila e menor a criança, maior é o esforço exigido, já que ela precisa fazer mais força para erguer o peso.
Mochila de costas
No caso da mochila levada nas costas, a melhor opção é a de duas alças, que devem ser posicionadas em cada braço. Modelos transversais ou de um lado só não são indicadas.
Quando a mochila é maior do que o necessário, ela estimula o transporte excessivo de material e dificulta a distribuição correta do peso no corpo.
- Educação infantil: modelos pequenos e leves, suficientes para itens básicos
- Ensino Fundamental: mochilas médias, que comportem cadernos e livros sem excesso
- Ensino Médio: mochilas maiores, muitas vezes com espaço para tablets ou notebooks
Mochilas muito grandes ou muito pesadas, quando comparadas ao peso do usuário, podem causar dores nas costas.
A orientação é de que o peso da mochila cheia não ultrapasse 10% do peso corporal do aluno. Quando esse limite é excedido com frequência, aumentam as chances de desconfortos. Calcule o peso máximo da mochila abaixo:
O ortopedista Miguel Akkari também chama atenção para a rotina do estudante. Quem vai a pé para a escola tende a precisar de mochilas mais resistentes e adequadas em comparação aos alunos que se deslocam de carro.
De forma geral, se possível, prefira modelos com:
- Alças largas, acolchoadas e ajustáveis
- Costas com tecido firme, reforçado e anatômico
- Cinta peitoral ou abdominal, que ajuda a distribuir o peso

Pense na durabilidade
Como a mochila é usada diariamente, investir em qualidade pode representar economia a longo prazo. Tecidos como poliéster reforçado e nylon costumam ser mais resistentes ao desgaste.
É importante observar também se o item possui:
- Costuras firmes
- Zíperes de boa qualidade
- Fundo reforçado para evitar que rasgue com o tempo
Além disso, se o aluno usa transporte público ou vai a pé para escola e enfrenta muita chuva, vale procurar modelos impermeáveis ou com capa de proteção.
Organização interna ajuda na rotina
No caso de crianças maiores ou adolescentes, outro ponto interessante a se observar é a presença de compartimentos internos. Divisórias bem distribuídas tendem a facilitar o acesso e evitam bagunça.
Alguns exemplos de compartimentos que podem auxiliar no dia a dia:
- Espaço principal para livros e cadernos
- Bolso interno ou acolchoado para notebook/tablet
- Bolsos menores para estojo, chaves e celular
- Bolso lateral para garrafa de água

Os objetos mais pesados, como livros e cadernos, devem ficar acomodados na parte interna mais próxima das costas, o que ajuda a manter o centro de gravidade do corpo e reduz o impacto sobre a coluna.
Itens de peso intermediário devem ser colocados na região central, enquanto os objetos mais leves podem ficar nos bolsos externos. Essa organização evita que o peso "puxe" o corpo para trás e diminui o esforço nos ombros e na coluna lombar durante o transporte.
Estilo também importa
Embora não deva ser o fator principal para a compra, não dá para negar que o visual pesa na escolha. Atualmente, o mercado oferece uma infinidade de possibilidades, que incluem desde modelos monocromáticos até os estampados com personagens de desenhos animados.
- Crianças costumam preferir mochilas estampadas de personagens e coloridas
- Adolescentes tendem a optar por modelos mais neutros, de cor única, minimalistas ou esportivos

Custo-benefício e faixa de preço
Nem sempre o modelo mais caro é o melhor. O ideal é que o foco esteja na estrutura e não na marca.
- Avalie a qualidade dos materiais
- Pense se o objetivo é que a mochila dure mais de um ano letivo
- Marcas menos famosas também podem surpreender na resistência
As opções de modelos são imensas e há para diferentes bolsos. É possível encontrar mochilas completas entre R$ 100 e R$ 250, assim como itens que ultrapassam os R$ 600.
Entre os principais fatores que influenciam o preço estão a qualidade do tecido e das costuras, o tipo de zíper e o nível de acabamento, além da presença de rodinhas ou reforços estruturais.
Também pesam no valor final a marca, o uso de estampas de personagens licenciados e a oferta de garantia.
*Sob supervisão de Beto Azambuja










