
A Apple anunciou na quarta-feira (4) o MacBook Neo, seu notebook mais barato até hoje.
O modelo parte de R$ 7.299 no Brasil, menos da metade do preço do MacBook Air de 13 polegadas, que até então era a porta de entrada da linha Mac, vendido por cerca de R$ 14 mil.
Nos Estados Unidos, o preço começa em US$ 599 (R$ 3,1 mil). O aparelho entra em pré-venda imediatamente e chega às lojas em 11 de março.
O lançamento tem alvo claro. O mercado de notebooks acessíveis, em especial o educacional, é dominado pelos Chromebooks, laptops do Google que custam entre R$ 1,5 mil e R$ 3,7 mil no Brasil. A Apple quer uma fatia desse público.
ZH Indica: guia de compras
Mas antes de comparar os dois produtos, vale entender o que é um Chromebook. São notebooks que rodam o ChromeOS, sistema operacional do Google projetado para funcionar de forma leve e integrada à nuvem.
Inicialmente voltados a tarefas online simples, evoluíram nos últimos anos e hoje conseguem executar aplicativos Android e programas Linux, além das ferramentas baseadas na web.

O mercado brasileiro tem diversas opções: Acer Chromebook C733 e C734, Samsung Chromebook 4 e Lenovo Chromebook 100e, entre outros.
Os preços ficam entre R$ 1,5 mil e R$ 3,7 mil, dependendo da configuração.
São populares em escolas e universidades pelo custo baixo e pela simplicidade de uso.
Como é o MacBook Neo

O MacBook Neo mantém a linguagem de design dos notebooks da Apple. O corpo é de alumínio, o aparelho pesa 1,23 quilos e tem 1,27 centímetro de espessura.
A tela tem 13 polegadas com painel Liquid Retina, resolução de 2.408 x 1.506 pixels (219 pixels por polegada) e brilho de até 500 nits.
O aparelho está disponível em quatro cores: prateado, blush (rosa), amarelo-cítrico e índigo (azul acinzentado).
A câmera frontal é FaceTime HD de 1080p. O sistema de áudio tem dois alto-falantes com suporte a áudio espacial e dois microfones com filtragem direcional.
A conectividade inclui Wi-Fi 6E, Bluetooth 6, uma porta USB 3 (USB-C, até 10 Gb/s), uma porta USB 2 (USB-C, até 480 Mb/s) e entrada para fone de ouvido de 3,5 milímetros. Suporta apenas um monitor externo 4K por vez.
Para reduzir o custo, a Apple simplificou alguns componentes. O teclado não tem iluminação de fundo e o sistema de som conta com dois alto-falantes, enquanto o MacBook Air usa quatro.
A bateria tem capacidade de 36,5 Watts-hora (Wh) e promete até 16 horas de streaming de vídeo e 11 horas de navegação na internet.
Chip de iPhone dentro do notebook
Um dos aspectos mais incomuns do MacBook Neo é o processador. O computador usa o chip A18 Pro, o mesmo presente no iPhone 16 Pro, lançado em 2024.
A Apple reutilizou esse chip de dois anos para conseguir um preço mais competitivo.
No notebook, o A18 Pro roda com CPU (unidade central de processamento) de seis núcleos, sendo dois de desempenho e quatro de eficiência.
A GPU (unidade de processamento gráfico) tem cinco núcleos e tecnologia que simula o comportamento da luz em ambientes virtuais para produzir sombras, reflexos e iluminação mais realistas em jogos e gráficos 3D.
O chip também inclui motor dedicado a tarefas de inteligência artificial.
A Apple afirma que o chip entrega desempenho "até 50% superior em tarefas cotidianas" em comparação com processadores Intel Core Ultra 5.
Especialistas, no entanto, apontam que um processador originalmente projetado para celulares levanta dúvidas sobre o desempenho em atividades de longa duração ou multitarefa intensa em ambiente de computador.
O Wall Street Journal citou essa preocupação no dia do anúncio. Apenas o uso prolongado vai confirmar como o aparelho se comporta nesses cenários.
MacBook Neo x Chromebook

Para quem está decidindo entre um e outro, as diferenças são consideráveis e nem sempre favorecem o Mac.
Preço
- MacBook Neo: a partir de R$ 7.299
- Chromebooks: entre R$ 1.566 e R$ 3.690
Mesmo sendo o Mac mais barato já lançado, o Neo ainda custa pelo menos o dobro dos Chromebooks disponíveis no Brasil.
Nos Estados Unidos, onde o Neo sai por US$ 599, a distância é menor: os Chromebooks americanos ficam entre US$ 300 (R$ 1,5 mil) e US$ 500 (R$ 2,6 mil).
Para estudantes e educadores nos Estados Unidos, a Apple oferece desconto de US$ 100, colocando o Neo em US$ 499.
Processador
- MacBook Neo: chip Apple A18 Pro
- Chromebooks: Intel Celeron N4020 ou N4500, dependendo do modelo
Os chips Celeron são de entrada, projetados para consumo mínimo de energia e tarefas leves.
O A18 Pro oferece desempenho claramente superior no dia a dia, mas vem com a ressalva já mencionada sobre multitarefa pesada.
Placa de vídeo (GPU)
- MacBook Neo: GPU de cinco núcleos integrada ao A18 Pro, com suporte a traçado de raios
- Chromebooks: GPUs Intel UHD integradas aos chips Celeron
A GPU do Neo é muito mais capaz. Para edição de fotos, vídeos leves e tarefas criativas básicas, a diferença é perceptível.
Os Chromebooks dão conta de navegação e reprodução de vídeo, mas não vão além disso.
Memória RAM
- MacBook Neo: 8 GB (fixa, sem upgrade)
- Chromebooks: 4 GB na maioria dos modelos (também sem upgrade)
Os 8 GB do Neo dão mais folga para multitarefa e para rodar várias abas simultaneamente.
Os 4 GB dos Chromebooks começam a apertar quando o usuário combina muitas abas no navegador com aplicativos Android abertos.
Armazenamento
- MacBook Neo: 256 GB ou 512 GB em SSD
- Chromebooks: 32 GB ou 64 GB em eMMC, formato mais lento que SSD
O Neo leva vantagem em capacidade e velocidade.
Vale lembrar que o ChromeOS foi projetado para funcionar principalmente na nuvem, o que torna os 32 GB dos Chromebooks menos limitantes na prática do que parecem no papel.
Tela
- MacBook Neo: 13 polegadas, resolução 2.408 x 1.506 pixels
- Chromebooks: 11,6 polegadas, resolução HD (1.366 x 768 pixels) na maioria dos modelos
O display do Neo é maior e muito mais nítido. O brilho de 500 nits é modesto para padrões da Apple.
O termo nits indica a intensidade de brilho da tela. Quanto maior o valor, mais luminosa ela é. Mesmo assim, o nível do MacBook Neo ainda supera o das telas de muitos Chromebooks disponíveis no mercado brasileiro.
Qual modelo vale a pena comprar?

Para estudantes e consumidores que usam o notebook principalmente para navegar na internet, editar textos, usar planilhas, fazer videoconferências e consumir conteúdo, o MacBook Neo entrega o suficiente e ainda dá acesso ao ecossistema Apple e ao Apple Intelligence, a plataforma de inteligência artificial da empresa, ausente nos Chromebooks.
Quem precisa de mais potência para edição de vídeo profissional, produção musical com Logic Pro ou multitarefa pesada vai encontrar limitações, principalmente nos 8 GB de RAM fixos. Para esses casos, o MacBook Air continua sendo a escolha mais adequada dentro da linha Mac.
Os Chromebooks seguem imbatíveis em preço e são funcionais para quem vive no Google Workspace e usa apps Android.















