
O inverno já é realidade no Rio Grande do Sul. Do norte ao sul do Estado, as últimas semanas contaram com frio intenso e rajadas de vento que derrubaram a sensação térmica. Sem contar a chuva que castigou o Norte e o Noroeste. Nesta sexta (3), fez -4,8ºC em Quaraí, na Fronteira Oeste, igualando a temperatura mais baixa do ano.
Além de mínimas rondando os 0ºC, a estação obriga os gaúchos a buscar formas de se manterem aquecidos. Ar-condicionado, aquecedor elétrico, lareira... Existem diversos equipamentos que podem auxiliar nessa tarefa. Mas qual é o mais adequado para esquentar a casa?
O ZH Indica consultou um especialista em climatização para entender a diferença entre eles e, assim, ajudar na decisão. O guia considera não só elementos técnicos – tais quais eficiência e utilidade –, mas também aspectos humanos, como custo-benefício e riscos durante o uso.
Confira nesta reportagem
ZH Indica: guia de compras
Qual é a diferença?
Os aparelhos compartilham uma missão: esquentar o ambiente. Porém, há diferenças cruciais entre eles. Gerente de operações do Laboratório Especializado em Eletroeletrônica, Calibração e Ensaios (Labelo) da PUCRS, Anderson Bandeira explica as especificidades de cada um:
- O aquecedor elétrico gera calor quando a corrente elétrica atravessa uma resistência, convertendo-a em energia térmica.
- O condicionador de ar não gera, mas transporta calor do ambiente externo para o interno.
- A lareira produz calor através da queima de combustível, seja lenha ou gás.
É importante observar que um mesmo equipamento pode se valer de fontes de energia diferentes. Por exemplo, há aquecedores que funcionam a partir do consumo de gás e lareiras que geram calor através de corrente elétrica.
Pontos fortes e fracos
Apesar da aparente proximidade, os aparelhos se diferem em várias funcionalidades e características. Por isso, ao comprar um deles é preciso ter em mente as suas necessidades específicas e o uso que você quer fazer.
Ar-condicionado

Diferente dos demais, o ar-condicionado é versátil: serve tanto para aquecer como para resfriar os ambientes. Além disso, quando o assunto é eficiência, ele leva vantagem contra os concorrentes, operando com um consumo energético otimizado.
É três vezes mais eficiente do que um aquecedor elétrico
ANDERSON BANDEIRA
Gerente de Operações do Labelo (PUCRS)
De acordo com Bandeira, o equipamento costuma trazer retorno financeiro para aqueles que desejam fazer uso contínuo. Em contrapartida, ele reconhece que o preço de aquisição tende a ser alto, e a instalação, relativamente complexa.
Aquecedor (elétrico/a gás)

Para aqueles que trabalham com um orçamento apertado, o aquecedor pode ser a melhor alternativa. O produto é a opção que menos pesa no bolso do cliente e não demanda qualquer tipo de instalação.
O diferencial, porém, está na mobilidade: ele pode ser facilmente transportado para diferentes cômodos e/ou residências.
Por outro lado, é pertinente observar que os aparelhos apresentam – em geral – uma eficiência energética menor, o que pode encarecer a conta de luz no final do mês mais do que o esperado.
Lareira (a lenha/a gás/elétrica)

A lareira é uma alternativa que, para muitos, vai além do calor. Ela proporciona uma experiência única de aconchego e passa a fazer parte da decoração da residência.
Mas nem tudo são flores. Por vezes inviável, a sua instalação é complexa e o preço tende a ser alto. Sem contar o valor gasto com estoque de lenha, quando esta é a opção. Além disso, a eficiência – apesar de variar de acordo com o combustível – costuma ser baixa.
— Muita energia sai pela chaminé e se perde — explica Anderson Bandeira.
Lareira ecológica (e seus perigos)

Popularizada mais recentemente, a lareira ecológica também conquistou o seu lugar na disputa. O aparelho funciona mediante a queima de álcool em um reservatório de aço inox.
Ao acender o combustível, ele gera uma chama real que aquece o ambiente sem produzir fumaça, fuligem ou cheiro. Por isso, não há necessidade de chaminés ou dutos de exaustão.
Contudo, a história recente mostra que o cuidado precisa ser redobrado. No início do ano passado, o ex-zagueiro Lúcio teve 20% do corpo queimado após o equipamento de sua casa explodir. O jogador precisou passar por quatro intervenções cirúrgicas em função do acidente.
Recomenda-se alguns cuidados especiais, entre eles:
- Espere pelo menos de 30 a 40 minutos após o uso para reabastecer o álcool
- Evite instalar a lareira próxima a objetos inflamáveis
- Nunca reabastecer o aparelho com o rosto próximo
- Não troque o equipamento de lugar com a chama acesa
- Mantenha janelas ou portas entreabertas para permitir a renovação do ar e evitar a sensação de fadiga ou falta de concentração
- Em caso de acidente, o ideal é abafar a chama, não usar água
Estou seguro?
Todos os aparelhos de aquecimento residencial apresentam riscos caso utilizados de forma inadequada. No entanto, os perigos são diferentes para cada um deles.
Tratando-se de um equipamento elétrico, o aquecedor trabalha com a possibilidade de choque (em ambientes úmidos), queimadura e incêndio se encostado em cortinas, roupas ou outros materiais inflamáveis.
Já quando abastecido por gás, ele se torna suscetível a vazamentos, que podem causar intoxicações por monóxido de carbono e até mesmo explosões.
— O ambiente todo fica propício a um acidente mais grave — alerta o especialista.
Do mesmo modo, os riscos associados às lareiras variam. Modelos movidos a lenha podem provocar incêndios – e causar inalação de fumaça – caso desconsiderados os dispositivos de proteção e uma manutenção adequada.
Dentre todos, o ar-condicionado é considerado a opção mais segura da lista. Ele não apresenta qualquer risco de incêndio ou intoxicação. No entanto, o seu uso excessivo pode resultar no ressecamento do ar e, desse modo, gerar irritações nas vias respiratórias.
Além disso, sem limpeza periódica o filtro do equipamento tende a acumular poeira, bactérias e fungos, favorecendo a disseminação de doenças e alergias.
Cuidados durante o uso

Como todos os outros tópicos do guia, os cuidados variam de equipamento para equipamento. Entretanto, há boas práticas que minimizam o risco de acidentes. Entre elas, estão:
- Fazer a manutenção periódica do aparelho
- Garantir a ventilação do ambiente
- Manter distância de materiais inflamáveis
- Fazer uso dos dispositivos de segurança
- Não deixar o equipamento funcionando sem supervisão
- Utilizar a tomada adequada
O que considerar na hora da compra
Variáveis como preço, eficiência e segurança são importantes, mas é preciso ter mais do que isso em mente na hora de escolher o seu produto.
O objetivo do uso e o tamanho do ambiente também são tópicos a levar em consideração e mudam de cliente para cliente.
Enquanto o aquecedor costuma ser uma solução rápida, barata e pontual, o condicionador de ar é considerado a resposta mais eficiente e completa – apesar do seu alto custo.
Já a lareira, diferente dos outros, está atrelada a uma experiência estética, apresentando características únicas que vão além do calor.
Pesquisa de preços
Naturalmente, os preços oscilam de acordo com a qualidade e potência do produto. O valor médio de um ar-condicionado circula entre R$ 2,2 mil a R$ 3,9 mil (sem instalação). É possível, entretanto, encontrar modelos a partir de R$ 1,5 mil.
Os aquecedores elétricos costumam custar entre R$ 100 e R$ 250, com exemplares mais modernos podendo chegar aos R$ 600. Já quando movido a gás, os preços tendem a aumentar. As edições mais básicas variam entre R$ 300 e R$ 900.
No caso da lareira, a situação fica mais complexa. Há muitas variáveis e circunstâncias que influenciam o preço. No entanto, versões que operam com lenha ou gás geralmente não custam menos que R$ 3 mil.














