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Sequelas graves
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Criança que passou pela primeira eutanásia infantil na Holanda tinha quase 2 anos e não andava nem falava

Solicitado pela família no fim de 2025, o procedimento foi aprovado após avaliação médica devido ao quadro irreversível da criança, causado por lesões cerebrais associadas a um parto prematuro

Zero Hora

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Degroote Stock/stock.adobe.com
Eutanásia aconteceu em junho deste ano.

O Ministério Público da Holanda informou que a criança que passou pelo primeiro processo de eutanásia infantil do país tinha quase dois anos e não respondia a estímulos devido a graves lesões cerebrais causadas por complicações de um parto prematuro.

A eutanásia aconteceu em junho deste ano e, na época, informações sobre o estado de saúde da criança e a região onde ela vivia não haviam sido divulgadas. Apenas foi informado que ela teria idade entre um e 12 anos.

A medida foi solicitada pela família no final de 2025 e foi concedida após uma análise médica da criança. Com desenvolvimento correspondente ao de um bebê de seis semanas, a criança dependeria de cuidados para atividades do dia a dia pelo resto da vida devido ao seu quadro de saúde irreversível.

Quadro de saúde

De acordo com o g1, o nascimento da criança aconteceu com 26 semanas de gestação, muito antes do período adequado. Na época, ela foi encaminhada à UTI neonatal, onde enfrentou graves infecções que se espalharam pelo organismo.

Por conta das sequelas, a criança não falava, não andava nem enxergava, e desenvolveu um grave quadro de epilepsia em decorrência das lesões sofridas no cérebro, não apresentando resposta aos medicamentos e tendo interação mínima. 

As crises epilépticas atrapalhavam o sono, provocavam engasgos e dificuldades para engolir, fazendo com que ela passasse noites sem dormir e tivesse dificuldades para se alimentar.

Ainda devido às sequelas, a criança apresentava falta de ar e maior propensão a infecções respiratórias, decorrentes da dificuldade para tossir e eliminar o muco.

Como funciona a lei

Os Países Baixos tornaram-se uma das primeiras nações a permitir a morte assistida, legalizando a eutanásia voluntária em 2002.

No entanto, no caso de menores de idade, a medida era restrita apenas a adolescentes entre 12 e 17 anos em casos extremamente específicos com o consentimento dos responsáveis legais do paciente.

Na Holanda, o procedimento passou a ser permitido em 2024 apenas no caso de menores com doenças em estágio terminal.

Mudança em 2024

Após anos de debate e imposição de pediatras que acompanhavam de perto casos em que a sedação paliativa não se mostrava suficiente para controlar o sofrimento de pacientes em estado terminal, a Holanda passou a permitir o procedimento também para crianças de um a 12 anos.

A lei mais recente exige que o menor esteja em estado de sofrimento e sem perspectiva de melhora no quadro clínico. Ela também determina que a medida deve ter consentimento dos pais do paciente e que o diagnóstico terminal seja confirmado por mais de um médico.

Eutanásia no Brasil

No Brasil, a prática é considerada ilegal, assim como o suicídio assistido (quando o próprio paciente administra a droga letal).

O Código Penal prevê as seguintes sentenças para as práticas:

  • Homicídio privilegiado / para quem pratica a eutanásia: pune-se como homicídio, mas com diminuição de pena de um sexto a um terço, se comprovado motivo de relevante valor moral. Pena é reclusão de seis anos a 20 anos
  • Instigação, induzimento ou auxílio a suicídio: para quem auxilia no suicídio assistido, a pena de reclusão é de seis meses a dois anos
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