Quando a dor muscular aparece, seja por uma contratura ou por uma lesão, os relaxantes musculares e os anti-inflamatórios costumam ser os primeiros aliados no alívio dos sintomas. Mas quando a dor aparece como consequência de um treino de musculação, estes medicamentos podem não ser o melhor caminho.
Embora sejam eficazes para aliviar a dor, especialistas consultados por Zero Hora avaliam que o uso de relaxantes musculares e anti-inflamatórios pode trazer prejuízos aos praticantes de musculação, afetando não apenas o desempenho durante os treinos, mas também dificultando o ganho de massa muscular.
A ação de cada um desses medicamentos e o impacto sobre a musculatura são diferentes. A reportagem explica como eles funcionam e quais são os principais pontos de atenção para quem treina.
Relaxante muscular x anti-inflamatório
Os relaxantes musculares vendidos em farmácias atuam no sistema nervoso central, como explica o ortopedista Sérgio Zylbersztejn, da Santa Casa de Porto Alegre. A função é reduzir a contração muscular e, como consequência, aliviar a dor.
Por atuar diretamente no cérebro, um dos principais efeitos colaterais é a sonolência, além da letargia, o que, segundo o educador físico Leonardo Jacociunas, pode resultar em queda no desempenho durante o treino.
— Se eu tomar um relaxante muscular, vou diminuir a ação do meu sistema nervoso sobre os estímulos musculares. Vou ter uma queda no meu sistema nervoso central, que vai reduzir os sinais nervosos, as contrações e os espasmos. Vou ter menos força de contração sob o efeito do relaxante, e vou ter um decréscimo no meu rendimento — explica Jacociunas.
Já no caso dos anti-inflamatórios, a preocupação está relacionada ao desenvolvimento da massa muscular. O ortopedista Mauricio Raffaelli explica que, durante a musculação, os músculos passam por um processo inflamatório, criando pequenas lesões internas, que estimula a formação de novas fibras, favorecendo o desenvolvimento da musculatura. O uso do medicamento, porém, pode interferir nesse mecanismo.
— O uso do anti-inflamatório acaba quebrando a criação de novas fibras, atuando de uma forma prejudicial na musculatura — afirma o Raffaelli.
Os especialistas também alertam para um efeito comum dos dois tipos de medicamento: o mascaramento da dor. Ou seja, o paciente acaba ficando "anestesiado" pelos remédios e perde a percepção do desconforto durante o treino, o que pode favorecer lesões devido ao excesso de esforço.
— Caso eu tenha alguma lesão ou um princípio de contratura, a dor vai ser um sinal de alerta. Quando uso um anti-inflamatório ou um relaxante muscular, perco essa percepção. Se eu treino sob o efeito desses medicamentos, posso mascarar uma dor e isso pode me trazer prejuízos — destaca Leonardo Jacociunas.
Como aliviar a dor
A dor muscular após a musculação faz parte da adaptação do organismo a um estímulo novo ou mais intenso, como uma mudança no treino ou o aumento da carga.
Segundo o ortopedista Alexandre Borba, do Hospital São Lucas da PUCRS, essa resposta é temporária e tende a diminuir conforme o músculo se adapta ao exercício. Esse processo costuma levar de três a seis semanas, dependendo do condicionamento físico de cada pessoa.
— É comum sentir mais dor nas primeiras semanas de um novo programa de treinamento ou após um período sem treinar, como nas férias. Com a continuidade dos exercícios, o organismo se adapta e essa resposta dolorosa tende a diminuir — afirma Borba.
Para aliviar esse desconforto, os especialistas recomendam:
- Reforçar a hidratação nas primeiras 48 horas após o treino
- Evitar bebidas alcoólicas nesse período
- Fazer alongamentos
- Aplicar calor na região dolorida
