
A popularização das academias, das corridas de rua e de modalidades como pilates e yoga impulsionou o chamado athleisure, tendência que une o vestuário esportivo ao casual. Ao combinar conforto, funcionalidade e estilo, os looks fitness, antes restritos aos treinos, passaram a fazer parte também da rotina de quem busca incorporar hábitos mais saudáveis ao dia a dia.
No entanto, com tantas opções nas lojas e nas redes sociais surge a dúvida: existe um look fitness ideal?
De acordo com a coordenadora do curso de Design de Moda do UniSenac, Nicele Branda, mais do que acompanhar tendências, a escolha das peças deve levar em conta a modalidade praticada, o clima e as características dos tecidos, fatores que influenciam diretamente o conforto e o desempenho durante a prática de exercícios.
A educadora física e e embaixadora de uma loja especializada em moda fitness, Vanessa dos Santos Lopes, ressalta que o vestuário também exerce influência sobre o rendimento, podendo favorecer o conforto durante os movimentos, reduzir o atrito com a pele e, em alguns casos, contribuir para uma melhor circulação sanguínea.
Confira a seguir seis dicas para escolher o look fitness ideal para o dia a dia:
🧵 Priorize o tecido certo
O tecido adequado pode fazer a diferença no treino, garantindo conforto e segurança durante a prática de exercícios físicos. Segundo a coordenadora, a escolha deve levar em conta a intensidade da atividade, o ambiente e as necessidades de cada praticante.
— O princípio mais importante é equilibrar conforto térmico, respirabilidade e elasticidade — explica.
Nicele destaca que cada modalidade exige características diferentes da peça, seja em relação ao suporte, à elasticidade ou à resistência mecânica.
— Cada atividade apresenta demandas específicas de impacto, amplitude de movimento e resistência mecânica — reforça a profissional.
Para exercícios de alta intensidade, como corrida e treinos funcionais, a coordenadora recomenda materiais que ajudam a transportar o suor para a superfície do tecido, oferecendo mais conforto, como poliéster e poliamida com elastano.
Já para modalidades como yoga e pilates, peças com maior elasticidade e liberdade de movimento devem ser priorizadas, obtidas por meio de malhas com elevada porcentagem de elastano.
A educadora física reforça que as roupas esportivas são desenvolvidas para proporcionar conforto, ventilação, sustentação e secagem rápida. Ela também destaca a tecnologia seamless (sem costuras), que reduz o atrito com a pele durante os movimentos.
Nos esportes aquáticos, a indicação é optar por materiais resistentes ao cloro e ao sal, que não fiquem pesados quando molhados.
Já para atividades ao ar livre, peças térmicas e com proteção UV ajudam a manter a temperatura corporal e oferecem mais proteção durante a prática.
❄️Aposte no sistema de camadas no inverno
Em dias frios, vestir roupas muito quentes para se exercitar não é sinônimo de maior conforto. Para quem pratica exercícios ao ar livre, a coordenadora do curso de Design de Moda do UniSenac recomenda o sistema de camadas, que mantém o corpo aquecido sem comprometer a transpiração.
A divisão deve ser feita da seguinte forma:
- Primeira camada: responsável pela gestão da umidade
- Segunda camada: responsável pelo isolamento térmico
- Terceira camada: responsável pela proteção contra o vento e a chuva
Nicele ressalta que, durante este processo, a escolha do tecido também é crucial.
— É importante evitar o uso de algodão como primeira camada em atividades ao ar livre, pois essa fibra absorve grande quantidade de umidade e demora mais para secar — explica.
🏋️♀️ Saiba quais peças evitar
Alguns erros na escolha do look fitness podem comprometer tanto o conforto quanto a segurança durante o treino. A coordenadora do curso de Design de Moda da UniSenac recomenda evitar tecidos que retêm umidade, como algodão e viscose.
— Um dos erros mais comuns é imaginar que qualquer roupa de malha, como camisetas e moletons, é adequada para a prática esportiva — destaca.
Segundo Nicele, é comum que as pessoas priorizem tecidos de toque mais macio e agradável, mas isso nem sempre significa que eles sejam a melhor opção para treinar.
— Outro erro frequente é utilizar roupas de viscolycra (viscose com elastano) apenas por serem macias e confortáveis ao toque. Esse tipo de tecido também tende a reter a umidade, causando desconforto — explica.
Além do tecido, a modelagem das peças também requer atenção.
— Peças excessivamente justas podem restringir movimentos e formar pontos de compressão indesejados. Por outro lado, modelagens muito amplas, como calças pantalonas ou mangas amplas, podem interferir na execução dos movimentos e aumentar o risco de acidentes — ressalta.
Na prática, esses erros também são observados pela educadora física Vanessa dos Santos Lopes. Segundo ela, muitas pessoas ainda treinam com roupas inadequadas por desinformação.
A profissional cita peças de algodão, jeans e moletons entre as escolhas menos indicadas, já que absorvem suor, ficam pesadas e dificultam a evaporação da umidade.
Outro equívoco frequente é acreditar que treinar com roupas muito quentes ajuda a emagrecer.
— O que acontece é apenas uma maior perda de líquidos por meio do suor. Isso não significa que houve maior queima de gordura — explica.
A educadora física também orienta atenção ao suporte das peças. Tops com pouca sustentação e calças com cós que escorrega durante corridas, caminhadas ou agachamentos podem comprometer o conforto e a execução dos movimentos.
💪 Roupa de compressão: quando vale a pena?
As roupas de compressão podem trazer benefícios, mas apenas quando utilizadas nas situações adequadas.
Segundo Niceli, elas possuem respaldo científico para aplicações específicas e podem oferecer maior estabilidade muscular e melhorar o retorno venoso.
— A eficácia depende do correto dimensionamento da peça ao biotipo do usuário — ressalta.
A especialista também lembra que essas roupas não previnem lesões por si só, mas podem contribuir para maior conforto e estabilidade quando desenvolvidas com níveis adequados de compressão graduada e materiais de alta elasticidade, como poliamida e elastano.
— Compressão excessiva pode comprometer o conforto e a circulação, enquanto compressão insuficiente tende a reduzir sua funcionalidade — explica.
Vanessa acrescenta que as meias de compressão — frequentemente indicadas para idosos e pessoas no pós-operatório — podem beneficiar praticantes de atividade física quando utilizadas corretamente. Elas podem favorecer a circulação sanguínea, reduzir o inchaço e contribuir para uma recuperação mais rápida após os exercícios.
A educadora física também cita as bermudas de compressão, que ajudam a reduzir a vibração muscular durante a corrida, favorecendo o conforto e o desempenho.
👚 O que avaliar antes da compra?
Na hora da comprar um look fitness, a aparência não deve ser o único critério. Para Nicele, é importante observar fatores como qualidade dos materiais, modelagem, elasticidade, suporte e resistência à transparência.
Entre as principais recomendações da especialista estão as modelagens anatômicas, que acompanham os movimentos do corpo sem restringi-los, reduzindo pontos de atrito e o risco de assaduras ou irritações na pele.
Outra opção são os tecidos hidrofóbicos, que facilitam a rápida evaporação do suor e diminuem a sensação de desconforto causada pelo excesso de umidade.
Para os dias mais frios, a coordenadora recomenda as malhas térmicas, produzidas com poliéster ou poliamida de microfibra.
Segundo ela, esses tecidos criam pequenas camadas de ar que ajudam a reduzir a perda de calor corporal, mantendo o corpo aquecido sem comprometer a respirabilidade e sem adicionar peso excessivo à peça.
A especialista ainda destaca que estilo e funcionalidade caminham juntos.
— Não é necessário escolher entre estilo e funcionalidade, pois esses dois aspectos estão integrados no mesmo produto — afirma.
Segundo Nicele, o avanço de tecidos tecnológicos e de modelagens ergonômicas permitiu que as roupas esportivas oferecessem desempenho sem abrir mão da estética.
*Sob supervisão da jornalista Lou Cardoso
