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Jejum de 24 horas: entenda método que fez Carolina Dieckmann perder oito quilos em um mês 

Estratégia alimentar se popularizou nas redes sociais, mas profissionais de saúde alertam para possíveis riscos 

Laura Bender*

Laura Bender*

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Entre receitas doces e salgadas e recomendações de dietas, as redes sociais se tornaram um espaço para debate sobre os limites da alimentação saudável e estratégias para alterar a imagem corporal. Nesse meio, uma prática tem atraído a atenção de celebridades, usuários comuns e influenciadores: o jejum de 24 horas.

A prática ganhou maior visibilidade no Brasil em 2025, quando a atriz Carolina Dieckmann revelou ter perdido oito quilos em um mês para interpretar a personagem Kátia Klein no filme Descontrole. Para alcançar o resultado, ela adotou o jejum de 24 horas sob acompanhamento médico.

Porém, apesar da popularidade crescente nas redes, profissionais de saúde ouvidos por Zero Hora alertam que a estratégia exige cautela e não é indicada para todas as pessoas. A seguir, entenda como funciona o jejum de 24 horas, quais são seus possíveis benefícios e os riscos envolvidos:

O que é o jejum de 24 horas?

O jejum de 24 horas é um prática alimentar em que o indivíduo permanece um dia inteiro sem consumir alimentos sólidos ou bebidas calóricas. A pessoa faz uma refeição em um horário específico e então come novamente apenas no mesmo horário do dia seguinte. Durante o período entre as refeições, normalmente ocorre o consumo de água, café sem açúcar e chás sem adoçantes.

A prática integra um grupo de estratégias conhecidas como jejum intermitente, que inclui outros métodos como o 16:8 (alimentação restrita a uma janela de oito horas por dia) e o 5:2 (alimentação normal em cinco dias na semana e em dois com restrições calóricas extremas). Ainda assim, segundo a nutricionista Krysna Büttner, é possível obter resultados com métodos menos rigorosos.

A opinião de Büttner é partilhada pela também nutricionista Annia Rossini, que ressalta que o jejum de 12 horas é "um dos mais simples de serem feitos" e também oferece benefícios:

— A gente consegue ter benefícios a partir de 12 horas de jejum. E o jejum de 12 horas é um dos mais simples de serem feitos, inclusive para controle glicêmico

Para quem o jejum de 24 horas é indicado? 

Antes de discutir os efeitos físicos do jejum de 24 horas, é importante compreender os fatores que levam uma pessoa a adotar esse tipo de estratégia alimentar. Embora a perda de peso costuma ser a principal justificativa associada à prática, as motivações podem ser bastante diversas, segundo a psicóloga clínica e neuropsicóloga Tamiris Carrasco: 

— Algumas pessoas fazem por motivos religiosos, culturais ou por acreditarem em possíveis benefícios metabólicos divulgados nas redes sociais, como Instagram e TikTok. 

Já a médica Nicole Borges, com atuação na área de emagrecimento e obesidade, explica que o jejum não está necessariamente ligado ao tratamento de doenças ou à presença de comorbidades. Segundo ela, a estratégia também pode ser utilizada por pessoas saudáveis

— Pessoas que não têm um perfil de compulsão alimentar, que não têm história de transtornos alimentares na infância, adolescência ou mesmo na vida adulta, e que se organizam melhor dessa forma, podem utilizar essa estratégia.

Para Nicole, a indicação do jejum deve levar em conta não apenas aspectos físicos, mas também o comportamento alimentar e o histórico do paciente. Pessoas sem antecedentes de "compulsão ou transtornos alimentares" tendem a se adaptar melhor à estratégia.

Para quem o jejum de 24 horas não é indicado?

A nutricionista Annia Rossini reforça o método do jejum de 24 horas exige planejamento e avaliação individualizada. Segundo ela, fatores como idade, sexo e fase da vida influenciam diretamente na forma como cada organismo responde à restrição alimentar, além de que a prática não pode ser adotada "de uma hora para outra". 

Já psicóloga Tamiris alerta que o jejum pode não ser a melhor alternativa quando a restrição alimentar passa a desempenhar uma função emocional

— Pessoas com traços de perfeccionismo, rigidez cognitiva, baixa autoestima ou elevada autocrítica podem ser vulneráveis a utilizar a restrição alimentar como uma estratégia para lidar com as emoções difíceis — justifica.

Benefícios, riscos e efeitos indesejados

Segundo Nicole Borges, a prática ocasiona a perda de peso do paciente como um efeito de curto prazo, o que pode representar um benefício para "pessoas com sobrepeso e obesidade". 

Além disso, o método também pode "melhorar a sensibilidade de pacientes à insulina, maior controle da glicemia, redução da inflamação de baixo grau e uma relação mais organizada com os horários das refeições", segundo a nutricionista Krysna Büttner. No entanto, ela alerta: 

— Muitos desses benefícios também podem ser alcançados por meio de uma alimentação equilibrada associada à perda de peso, independentemente da prática do jejum. 

No entanto, é preciso ter cuidado: o emagrecimento pode trazer efeitos indesejados quando ocorre sem acompanhamento adequado. Um dos principais riscos é a perda de massa muscular, além de deficiências nutricionais que nem sempre são perceptíveis no início da aplicação do processo.

A médica Nicole Borges alerta que a aparência física nem sempre reflete o estado de saúde da pessoa. Segundo ela, alguém pode estar mais magro e, ao mesmo tempo, desenvolver quadros de anemia ou deficiência de vitaminas, problemas que muitas vezes só são identificados por exames laboratoriais.

— Você está olhando o seu corpo e você está magro, mas você pode estar evoluindo para uma anemia, ou uma deficiência de algumas vitaminas, o que é uma preocupação, principalmente a longo prazo, pensando no nosso envelhecimento saudável.

Comecei o jejum, mas me sinto mal. Devo parar? 

De acordo com a médica Nicole Borges, em caso de alguns sintomas, é necessário interromper o jejum de 24 horas. Confira quais:

  • Vertigem
  • Fraqueza intensa
  • Sudorese
  • Sensação de desmaio
  • Taquicardia

Também sobre a abordagem ideal para adotar a estratégia, a nutricionista Annia Rossini explica que o jejum de 24 horas não deve ser aplicado "mais de três vezes" na mesma semana

Quebrei o jejum. O que posso comer?

A forma como uma pessoa encerra o período de jejum também é importante. Segundo Annia Rossini, o período de restrição não deve justificar um exageros alimentares quando a janela de jejum termina:

— Não adianta a gente usar uma estratégia de jejum para comer menos, para ter menos tempo de comida, mas quando quebrar a janela do jejum, fazer um consumo alimentar compensatório.

Para ela, a refeição que sucede o jejum deve ser planejada para fornecer nutrientes essenciais — como fonte de proteínas, de fibras e de carboidratos com baixa carga glicêmica — e promover saciedade de forma saudável.

Atenção à saúde mental 

Os benefícios e riscos do jejum de 24 horas também devem ser considerados pela perspectiva da saúde mental. A psicóloga Tamiris Carrasco explica que o risco aumenta quando o jejum passa a ser utilizado para lidar com emoções ou compensar episódios de alimentação:

— O risco surge quando o jejum deixa de ser uma estratégia alimentar planejada e passa a ser um comportamento rígido, compulsivo ou utilizado como forma de regular emoções, compensar a ingestão de alimentos. 

Além dos impactos emocionais, a especialista afirma que períodos prolongados de restrição alimentar podem comprometer funções cognitivas importantes "como atenção, memória, velocidade de processamento e tomada de decisão". 

Segundo Tamiris, a irritabilidade, fadiga mental e dificuldade de concentração também podem surgir durante períodos prolongados sem alimentação. Em pessoas predispostas, o jejum pode favorecer o desenvolvimento ou agravamento de transtornos alimentares, ansiedade, depressão e padrões obsessivos relacionados à alimentação e à imagem corporal.

A influência das redes sociais 

Tanto Nicole Borges, quanto a psicóloga Tamiris Carrasco, destacam que o aumento de buscas por métodos alimentares como o jejum de 24 horas está relacionado a crescente "exposição a conteúdos que associam a magreza" com "disciplina e sucesso", o que "favorece o processo de comparação social".

— Isso pode gerar a insatisfação corporal, aumento da autocrítica e a ideia equivocada de que restringir alimentos é sempre sinônimo de saúde — afirma a psicóloga. 

Para a médica Nicole, as redes evidenciam um processo de revisitação a "cultura da magreza de uma forma muito agressiva". Por isso, "é  fundamental desenvolver um olhar crítico sobre o conteúdo consumido", segundo a especialista. 

A profissional Tamiris Carrasco finaliza ao afirmar que, caso uma pessoa queira adotar o método, precisa buscar por acompanhamento "personalizado".

— É muito importante que a pessoa que queira realizar um jejum ou qualquer outro método, vá ao nutricionista, ao nutrólogo e tenha esse acompanhamento personalizado, além de estar fazendo a terapia para que ela consiga mudar hábitos, para que ela consiga ter mais foco e entender quais são as reais necessidades dela. 

*Sob a supervisão da editora Estfany Soares 

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