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Canetas emagrecedoras provocam queda de cabelo? Especialistas explicam

Médicos consultados por Zero Hora esclarecem dúvidas sobre perda capilar no período de uso do medicamento

Júlia Ozorio

Júlia Ozorio

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As chamadas canetas emagrecedoras vêm revolucionando o tratamento de obesidade, sobrepeso, diabetes tipo 2 e doenças relacionadas.

Esses medicamentos são injetáveis, imitam a ação de hormônios produzidos naturalmente pelo organismo e atuam, entre outras formas, reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e ajudando no controle da glicemia.

Apesar dos benefícios, alguns pacientes relatam queda de cabelo após o início do tratamento. Segundo especialistas ouvidos pela Zero Hora, porém, não há evidências de que as medicações provoquem diretamente esse problema. Ele normalmente acontece em razão da perda de peso acelerada e pela redução da ingestão de calorias e nutrientes.

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Alimentação equilibrada pode barrar problema.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre o tema:

O remédio causa queda de cabelo?

Segundo o endocrinologista Fernando Gerchman, não há evidências de que as chamadas canetas emagrecedoras tenham relação direta com a queda de cabelo.

O efeito pode ocorrer como consequência do processo de emagrecimento, especialmente quando há perda de peso rápida, restrição calórica ou deficiência de nutrientes, explica o dermatologista Humberto Ponzio. Dessa forma, a queda de cabelo também pode ocorrer em outros processos de emagrecimento.

— Não há evidências que ocorra um efeito direto da medição no folículo sebáceo. A queda de cabelo associa-se a perda de peso. Como essas medicações são efetivas em causar perda de peso, associam-se indiretamente a um aumento nesse risco. Quanto maior e mais rápida a perda de peso, maior é o risco — explica Gerchman, que também é professor de Medicina da UFRGS.

O que é o eflúvio telógeno?

A perda capilar que costuma ocorrer após um período de emagrecimento acelerado é chamada de eflúvio telógeno. Trata-se de uma queda difusa, que afeta diferentes regiões do couro cabeludo de forma temporária.

O problema pode surgir em razão de dietas restritivas, que acarretem deficiência de nutrientes e proteínas, ou após eventos que provoquem estresse no organismo, fazendo com que diversos fios entrem na fase de repouso (telógena) e caíam ao mesmo tempo.

— Acontece porque o fio perde a nutrição. O fio entra numa fase de troca, porque perdeu a capacidade de se manter. Ele ficaria cerca de cinco anos ali, em condições normais, sendo nutrido normalmente, mas se tem uma queda brusca de nutrição, o corpo entra na fase de troca e se desprende, porque perde a aderência — explica Ponzio, que também é professor aposentado de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A queda costuma ser notada entre dois a quatro meses após o início da perda de peso mais intensa. No entanto, pode persistir por mais tempo se houver deficiência nutricional ou a perda de peso seguir acelerada.

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Perda capilar que costuma ocorrer após um período de emagrecimento acelerado é chamada de eflúvio telógeno.

O cabelo volta a crescer?

Sim. De acordo com Gerchman, a recuperação costuma começar de três a seis meses após o fator desencadeador ser controlado. Ou seja, quando o peso do paciente estabiliza e as reservas nutricionais são restabelecidas.

Como o fio nasce pequeno, pode levar até um ano para que o volume anterior seja percebido, especialmente em cabelos longos. Em alguns pacientes, especialmente mulheres que coexistem com condições como alopecia androgenética, a melhora pode demorar até 18 meses para que seja visível.

Como prevenir?

A deficiência de nutrientes e proteínas representa um gatilho para o eflúvio telógeno. Quando o tratamento com uso de canetas emagrecedoras não ocorre com acompanhamento médico regular, o paciente pode consumir níveis inadequados de proteínas, vitaminas e ferro, abrindo um caminho para a queda de cabelo.

Isso acontece porque o medicamento promove um conjunto de respostas sinérgicas que facilitam a restrição alimentar, levando o paciente à saciedade e à menor ingestão de alimentos, incluindo vitaminas e proteínas.

Dessa forma, a recomendação dos especialistas é que o tratamento seja feito também com um acompanhamento nutricional.

— Não é necessário ingerir proteínas em excesso, mas deve-se manter o aporte proteico adequado, ao redor de 1,2g a 1,4g por quilo de peso. É fundamental manter uma dieta diversificada, consumindo frutas e verduras. Quanto maior a diversidade de frutas e verduras na dieta, mais fácil torna-se o aporte de micronutrientes, como zinco, selênio, folato, vitamina B12, e vitamina D. Quando há deficiência desses micro nutrientes e vitaminas, há uma maior propensão ao acontecimento desse problema que gera queda de cabelo — explicou o endocrinologista Fernando Gerchman.

O dermatologista Humberto Ponzio acrescenta que a investigação de possíveis deficiências nutricionais através de exames pode ajudar a identificar e corrigir a baixa nutricional. No entanto, a necessidade deve ser avaliada caso a caso, sob orientação médica.

Minoxidil ajuda?

O minoxidil é um medicamento utilizado em alguns tipos de queda de cabelo, mas não necessariamente é indicado para o eflúvio telógeno provocado por perda de peso.

Segundo Ponzio, o medicamento pode ser associado ao tratamento quando o paciente apresenta também outra condição, como a alopecia androgenética.

— Algumas pessoas já chegam perguntando se dá para usar minoxidil ou algum medicamento similar. Na realidade, não vai adiantar muita coisa, a não ser que a pessoa tenha associado a isso uma alopecia androgenética, que é aquela queda comum da calvície. Se ocorre esse caso, aí o minoxidil pode ajudar. Mas se não é o caso, ele não vai ajudar em nada. No caso de estar relacionado ao emagrecimento, o paciente tem que fazer a suplementação com oligoelementos e melhorar a dieta no sentido de aumentar a ingestão proteica — acrescenta o dermatologista.

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Recomendação dos especialistas é que o tratamento seja feito também com um acompanhamento nutricional.

Dicas para o tratamento saudável

Os especialistas recomendam que o tratamento com as canetas emagrecedoras seja feito com acompanhamento médico e nutricional. A perda de peso muito rápida — que pode ocorrer com o uso indiscriminado do medicamento — ou a ingestão insuficiente de nutrientes pode favorecer problemas como o eflúvio telógeno.

Veja algumas recomendações:

  • Não iniciar ou interromper o tratamento por conta própria: a indicação, a manutenção e a eventual suspensão do medicamento devem ser discutidas com o médico endocrinologista. A interrupção sem acompanhamento pode favorecer o reganho de peso. Da mesma forma, o uso indiscriminado pode gerar deficiência nutricional e emagrecimento severo
  • Ajuste de dose: em casos de queda acentuada de cabelo, o médico dermatologista pode solicitar que o endocrinologista reduza a dose para que o emagrecimento ocorra de forma mais equilibrada
  • Suplementação direcionada: vitaminas e minerais não devem ser utilizados indiscriminadamente. A necessidade de suplementação deve ser avaliada de acordo com a alimentação, o histórico do paciente e os resultados de exames quando indicados
  • Exercício físico, especialmente de força, ajuda a preservar a massa magra e muscular durante o emagrecimento, contribuindo para a qualidade de vida do paciente
  • Acompanhamento multidisciplinar: o apoio de nutricionistas, endocrinologistas e dermatologistas é fundamental para garantir que o emagrecimento seja saudável e não traga danos estéticos ou à saúde.
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