
Na rede social de fotos e vídeos, os relatos são de desativação e bloqueio repentino, com a mesma justificativa genérica de violação das diretrizes. A Meta, dona das duas plataformas, ainda não se manifestou sobre o episódio.
No início da tarde, por volta de 13h30min, parte dos usuários voltou a acessar as contas, mas o restabelecimento ocorreu de forma incompleta.
Os relatos passaram a ser de mensagens que não são enviadas, permanecendo travadas no ícone de carregamento, como se estivessem prestes a sair, e de conversas que não são atualizadas, deixando de exibir tudo o que foi recebido durante as horas de bloqueio. Nem todas as contas foram restabelecidas, e não há prazo divulgado para a normalização.
O que aconteceu?
Relatos se concentraram nas demais redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), e começaram a se multiplicar por volta das 11h. Em uma das capturas de tela, o registro do bloqueio no WhatsApp marcava 11h19min e informava a data do pedido de análise: 3 de agosto de 2026.
O texto exibido pelo aplicativo dizia que a atividade da conta e as informações do aparelho estão sendo verificadas para confirmar se seguem os Termos de Serviço, contrato aceito pelo usuário ao instalar o programa.
O comunicado informava ainda que a empresa promete comunicar o resultado, normalmente, em até 24 horas. Abaixo do aviso, dois atalhos levam a páginas de ajuda sobre uso responsável da plataforma e sobre celulares roubados.
O fato de os bloqueios atingirem dois serviços diferentes da Meta ao mesmo tempo alimentou a suspeita, entre os afetados, de que a origem fosse nos sistemas automáticos de moderação usados pela companhia, e não em condutas individuais.
Na plataforma Downdetector, que monitora instabilidade nos sistemas, mais de 200 reclamações foram reportadas sobre instabilidade no Whatsapp, com reclamações semelhantes sobre a conta ter sido restringida no aplicativo.
O que diz a empresa
Em nota enviada à reportagem, a Meta não detalhou o que provocou a onda de bloqueios desta segunda-feira, não informou quantas contas foram afetadas nem confirmou falha nos sistemas de moderação.
A companhia afirma que o banimento é uma ferramenta de proteção contra quem usa as plataformas de má-fé e admite que, em alguns casos, usuários podem ser bloqueados por engano.
"Trabalhamos continuamente para estar à frente daqueles que tentam fazer uso indevido do nosso serviço e banimos contas para ajudar a proteger os demais usuários. Eventualmente, podemos cometer equívocos e, quando isso acontece, buscamos resolver a situação o mais rápido possível para que as pessoas possam voltar a se comunicar", disse a empresa.
O que fazer se a conta for bloqueada
No WhatsApp, o usuário deve tocar em "Pedir análise" na tela de bloqueio e aguardar a resposta pelo aplicativo. No Instagram, a contestação é feita pelo aviso de desativação, e a plataforma pode solicitar documento com foto ou selfie em vídeo para confirmar a identidade.
Apenas a Meta pode reverter a decisão. Serviços que prometem "desbanir" contas mediante pagamento não têm acesso ao processo e podem aplicar golpes.
Quem usa as plataformas para trabalhar deve guardar registros do bloqueio, com data e horário, além de comprovantes de uso legítimo, como notas fiscais, relatórios de vendas e histórico de atendimento. O material pode ajudar em uma revisão ou eventual ação judicial.
Como funciona a análise
A tela de "conta em análise" aparece depois que o sistema do WhatsApp identifica uma possível irregularidade e bloqueia o perfil. Nesse período, o usuário fica impedido de enviar e receber mensagens e pode solicitar uma revisão pelo próprio aplicativo. O histórico de conversas só volta a ficar disponível se o bloqueio for cancelado.
A primeira avaliação é feita por algoritmos, que analisam padrões de uso, como envio em alta velocidade, grande volume de mensagens para números desconhecidos, denúncias, bloqueios e uso de aplicativos não oficiais. Como as mensagens têm criptografia de ponta a ponta, o sistema não lê o conteúdo das conversas.
Entre os motivos mais comuns de banimento estão o disparo de mensagens em massa sem autorização, uso de versões modificadas do aplicativo, como WhatsApp GB e WhatsApp Plus, envio de golpes e muitas denúncias em pouco tempo.
No Instagram, os critérios são diferentes. A plataforma costuma revisar perfis com crescimento artificial de seguidores, picos incomuns de interação, uso de automações e volume elevado de denúncias.
Contas novas ou que passaram por mudanças recentes também podem ser analisadas.
