
Trocar o posto de combustível pela tomada de casa é uma das maiores promessas do carro elétrico. Também é uma das questões que mais geram dúvidas na hora de calcular esse gasto. Afinal, quanto custa encher a bateria na própria garagem?
A resposta cabe em uma multiplicação simples, mas depende de fatores que vão do modelo do carro à tarifa de energia de cada cidade.
A boa notícia é que o resultado costuma surpreender pela diferença em relação ao combustível e também aos carregadores rápidos de ruas e rodovias.
Entender como a conta é feita é o que permite prever o gasto do mês, aproveitar os horários certos e decidir quando vale a pena recarregar em casa e quando recorrer a um eletroposto.
Como fazer a conta da sua recarga
A conta é mais simples do que parece. Pense na bateria do carro como um tanque de combustível. A diferença é que, em vez de litros, ela é medida em quilowatt-hora (kWh), unidade que indica quanta energia a bateria consegue armazenar. Já a conta de luz informa quanto custa cada kWh consumido na sua casa.
Por isso, a fórmula é direta: multiplique a capacidade da bateria pelo preço do kWh da sua conta de energia. O resultado é quanto custa fazer uma recarga completa, de zero a 100%.
Veja um exemplo:
- Capacidade da bateria: 50 kWh
- Preço do kWh na conta de luz: R$ 0,822
- Conta: 50 × 0,822 = R$ 41,10
Ou seja, carregar completamente um carro com bateria de 50 kWh custaria R$ 41,10 nessa tarifa.
A capacidade da bateria pode ser consultada no manual ou na ficha técnica do veículo. Já o preço do kWh varia conforme a distribuidora de energia, o Estado, os impostos e a bandeira tarifária vigente. Por isso, não existe um valor único para todo o Brasil.
Para descobrir quanto você realmente paga pelo kWh, há um jeito simples: pegue o valor total da sua conta de luz, em reais, e divida pelo consumo do mês, em kWh. Os dois números aparecem na própria fatura.
O resultado é o custo médio do kWh da sua residência, já com tarifa, impostos e bandeira tarifária incluídos.
Como referência, este texto usa a tarifa residencial convencional praticada em Porto Alegre, de R$ 0,822 por kWh. Em cidades onde a energia é mais cara ou mais barata, basta repetir a mesma conta com o valor informado na sua conta de luz.
Quanto custa uma carga completa por modelo

Veja o custo aproximado de uma recarga completa em casa para alguns dos elétricos mais populares do país, usando como exemplo a tarifa de R$ 0,822 por kWh. Onde a energia for mais cara ou mais barata, o valor sobe ou desce na mesma proporção:
- Renault Kwid E-Tech (26,8 kWh): R$ 22,03
- BYD Dolphin Mini (38 kWh): R$ 31,24
- BYD Dolphin (44,9 kWh): R$ 36,91
- GWM Ora 03 Skin (48 kWh): R$ 39,46
Mesmo o modelo com a maior bateria da lista sai por menos de R$ 40 para uma carga completa. É o equivalente a pouco mais de meio tanque de um carro popular a combustão.
Por que a conta real fica um pouco maior
Os valores acima representam o custo teórico, calculado diretamente pela capacidade da bateria. Na vida real, a conta fica um pouco acima disso, porque a recarga não é 100% eficiente.
Parte da energia que sai da tomada se perde no caminho até a bateria. O próprio carregador consome energia para funcionar, e o carro pode acionar o sistema de controle de temperatura da bateria durante a recarga, aquecendo ou resfriando o conjunto conforme o clima. Em dias de calor ou frio intensos, essa gestão térmica consome um pouco mais de energia.
Na prática, as perdas costumam acrescentar de 10% a 15% ao valor teórico.
A carga completa do BYD Dolphin, calculada em R$ 36,91, sai mais perto de R$ 41 quando se considera a energia efetivamente medida no relógio de luz.
No dia a dia, a recarga custa poucos reais
Carregar a bateria de zero a 100% é raro na rotina. O mais comum é chegar em casa e repor apenas o que foi gasto no dia, do mesmo jeito que se recarrega o celular antes que ele descarregue completamente.
Quem roda entre 40 e 60 quilômetros por dia precisa repor algo em torno de 9 a 10 kWh, o que representa cerca de R$ 7 a R$ 8 na tarifa usada como referência. Esse abastecimento parcial leva de duas a quatro horas em um carregador residencial e deixa o carro pronto para o dia seguinte.
Programar a recarga para a madrugada ajuda no bolso de quem tem tarifa branca, modalidade em que a energia fica mais barata nos horários de menor demanda. Para quem permanece na tarifa convencional, o preço do kWh é o mesmo em qualquer horário.
Quanto custa rodar 100 quilômetros
Olhando por outro ângulo, o custo da energia por distância percorrida ajuda na comparação com um carro a combustão. Um elétrico compacto consome, em média, de 13 a 18 kWh a cada 100 quilômetros. Com a tarifa de referência, isso significa gastar entre R$ 11 e R$ 15 para rodar essa distância recarregando em casa.
A título de comparação, um carro a combustão que faça 12 quilômetros por litro gastaria, com a gasolina em torno de R$ 6 o litro, cerca de R$ 50 para cobrir a mesma distância.
A diferença explica por que o custo por quilômetro do elétrico costuma ser uma das principais razões para a troca, sobretudo para quem recarrega na própria garagem.
Em casa ou no eletroposto: a diferença de preço

A conta vantajosa vale para a recarga doméstica. Nos carregadores rápidos públicos, capazes de recompor boa parte da bateria em menos de uma hora, o preço da energia é muito maior e varia de R$ 1,80 a R$ 4 por kWh.
Uma carga que sairia por cerca de R$ 37 em casa pode passar de R$ 80, R$ 120 ou mais em um eletroposto rápido, dependendo da rede e da cidade. Conforme a frequência de uso desse tipo de recarga e o carro com o qual o elétrico é comparado, o custo da energia rápida pode anular a economia que justificava a compra.
Os eletropostos cobram mais porque o preço não inclui apenas a energia. Também entram na conta o investimento em equipamentos caros, a manutenção da estrutura e a conveniência de carregar rapidamente.
Eles fazem sentido em viagens e emergências, não como forma de abastecimento no dia a dia.
Quanto tempo leva para carregar em casa
O tempo de recarga depende de dois fatores: a capacidade da bateria e a potência do carregador instalado. Os modelos mais comuns em residências são os de 3,7 kW e 7,4 kW. Quanto maior a potência, mais rápida será a recarga, desde que o carro aceite essa velocidade.
Veja as estimativas de tempo para uma carga completa, de zero a 100%, nos dois carregadores domésticos mais usados (3,7 kW e 7,4 kW, respectivamente):
- Renault Kwid E-Tech (26,8 kWh): cerca de 7h15min / cerca de 3h40min
- BYD Dolphin Mini (38 kWh): cerca de 10h15min / cerca de 5h10min
- BYD Dolphin (44,9 kWh): cerca de 12h / cerca de 6h
- GWM Ora 03 Skin (48 kWh): cerca de 13h / cerca de 6h30min
Os tempos são aproximados e valem para o pior cenário, com a bateria totalmente descarregada. Como, na rotina, o motorista costuma repor apenas o consumo do dia, a recarga noturna costuma durar bem menos, entre duas e quatro horas.
O que é preciso ter na garagem

Existem duas formas de carregar o carro em casa. A primeira é usando o carregador portátil que acompanha o veículo e funciona em uma tomada comum.
Ele é lento, pode levar mais de 24 horas para uma carga completa e serve para emergências ou para uma recarga ocasional na casa de alguém, não para o uso diário.
A segunda, recomendada para quem usa o carro todos os dias, é o wallbox, o carregador fixado na parede da garagem.
Ele é mais rápido e mais seguro, conta com proteções internas contra sobrecarga e aquecimento e se comunica com o carro para liberar a energia na medida certa. As potências mais comuns para residências são de 3,7 kW e 7,4 kW.
O wallbox tem custo à parte da conta de luz. O equipamento de 7,4 kW, o mais indicado para a maioria dos elétricos, costuma custar entre R$ 3 mil e R$ 8 mil, conforme a marca e os recursos disponíveis, como conexão por aplicativo e medição de consumo.
A instalação varia de R$ 1,5 mil a mais de R$ 5 mil, dependendo da distância entre o quadro de luz e a vaga, da necessidade de reforçar a rede elétrica e da mão de obra.
É um investimento inicial que se dilui ao longo do tempo, à medida que cada recarga doméstica custa apenas alguns reais.
