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Além da reposição hormonal: veja os tratamentos para a menopausa

Terapias podem incluir uso de hormônio, medicamentos não hormonais e mudanças no estilo de vida

Júlia Ozorio

Júlia Ozorio

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sebra/stock.adobe.com
Tratamento pode incluir reposição hormonal, medicamentos não hormonais, terapias para sintomas específicos.

Entre terapias hormonais e não hormonais, tratamentos para sintomas específicos e mudança no estilo de vida, a aprovação do Veoza pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou as opções de tratamentos para mulheres que convivem com os sintomas de menopausa. 

O medicamento é fabricado pelo laboratório Astellas Farma e se diferencia dos demais por não conter hormônios em sua composição. Ele é o primeiro deste tipo no Brasil.

Apesar de ser uma novidade, ele não é a única opção para tratar sintomas do climatério. Além disso, não existe um tratamento único para todas as mulheres, segundo a ginecologista Thaís dos Santos, chefe do Serviço de Ginecologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 

— O tratamento deve ser individualizado. A escolha terapêutica deve considerar a gravidade dos sintomas, idade, perfil de comorbidades e preferências da paciente — afirma a médica, que também é professora da Escola de Medicina da PUCRS.

Veja perguntas e respostas sobre o tema:

O que acontece no organismo durante a menopausa?

A menopausa acontece quando os ovários reduzem progressivamente a produção dos hormônios estrogênio e progesterona, explicam os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Charles Francisco Ferreira e Maria Celeste Osório, que também lideram grupos de pesquisa voltados à temática do Climatério e da Menopausa.

Essa mudança hormonal afeta diferentes partes do organismo, inclusive o cérebro, que acaba causando um dos sintomas mais conhecidos da menopausa: as ondas de calor, também chamadas de fogachos. 

Com a queda do estrogênio, o cérebro passa a interpretar variações da temperatura corporal como um superaquecimento. Como resposta, o corpo começa a dissipar calor, provocando a sensação de calor, vermelhidão na pele, suor excessivo e, em algumas mulheres, palpitações e calafrios.

Quais são os sintomas mais comuns?

Embora os sintomas variem de uma mulher para outra, os especialistas destacam como mais frequentes:

  • Ondas de calor e suores
  • Alterações do sono
  • Irritabilidade, ansiedade e oscilações de humor
  • Dificuldade de concentração
  • Lapsos de memória
  • Ressecamento vaginal e dor durante a relação sexual
  • Diminuição da libido
  • Alterações urinárias
  • Dores musculares e articulares
  • Aumento da gordura abdominal
  • Redução da massa muscular
  • Perda de massa óssea, que aumenta o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas
  • Fadiga

O tratamento costuma ser indicado quando esses sintomas são moderados ou intensos e passam a interferir no trabalho, na vida sexual, nas relações familiares ou nas atividades do dia a dia da paciente.

Quais são os principais tratamentos disponíveis?

Terapia hormonal

Segundo os pesquisadores da UFRGS, a terapia hormonal continua sendo considerada o tratamento mais eficaz para controlar os sintomas vasomotores da menopausa, como suores noturnos e ondas de calor. Essa terapia pode reduzir cerca de 80% a 90% desses episódios. Além disso, pode melhorar a qualidade do sono, aliviar o ressecamento vaginal e ajudar a prevenir a perda de massa óssea.

De acordo com a ginecologista Thais, a reposição hormonal funciona repondo os níveis de estrogênio que entraram em declínio, corrigindo diretamente a causa fisiopatológica dos sintomas vasomotores.

A terapia hormonal costuma ser indicada para mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos após a menopausa que apresentem sintomas moderados ou intensos. No entanto, é contraindicada em casos de:

  • Sangramento vaginal de origem desconhecida
  • Doença hepática
  • Histórico de câncer sensível ao estrogênio (incluindo câncer de mama)
  • Doença coronariana
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Infarto do miocárdio
  • Trombose prévia ou alto risco de doença tromboembólica hereditária

Terapia não hormonal e Veoza

Astellas Farma/Divulgação
O Veoza atua diretamente no sistema nervoso central.

O Vezoa é considerado um avanço nos tratamentos dos sintomas da menopausa e os efeitos do climatério. Ele se diferencia dos demais por não conter hormônios em sua composição. Ele será o primeiro deste tipo no Brasil, servindo como uma alternativa para mulheres que não podem realizar a terapia hormonal — e, por isso, acabam sem opções de tratamento.

Em vez de repor estrogênio, o medicamento age diretamente no cérebro, bloqueando receptores envolvidos na alteração da temperatura corporal causada pela menopausa. Com isso, ajuda a reduzir a frequência e a intensidade dos calorões e suores noturnos.

A principal indicação é para mulheres que apresentam sintomas vasomotores, mas que não podem fazer terapia hormonal por contraindicação médica ou por preferência pessoal.

Por outro lado, o medicamento não oferece os benefícios adicionais da terapia hormonal, como melhora do ressecamento vaginal, proteção da massa óssea ou melhora de outros sintomas relacionados à deficiência de estrogênio.

Além do Veoza, outros tratamentos não hormonais podem incluir o uso de alguns antidepressivos e anticolinérgicos (oxibutinina). No entanto, essas terapias apresentam eficácia inferior à terapia hormonal, especialmente no controle dos fogachos.

Tratamentos para sintomas específicos

Em casos em que predominam sintomas além dos vasomotores, o tratamento pode ser diferente. Nos casos de ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual ou sintomas urinários, é possível que o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimido ou óvulo sejam indicados, assim como hidratantes e lubrificantes vaginais.

Já para mulheres com osteopenia ou osteoporose, podem ser necessários medicamentos que ajudem na preservação da massa óssea, como os bisfosfonatos. 

Também é possível que a terapia inclua reposição de cálcio, vitamina D e prática regular de exercícios físicos.

Mudanças no estilo de vida podem ajudar?

— As evidências científicas mostram que intervenções no estilo de vida não substituem os tratamentos farmacológicos, mas podem reduzir a intensidade dos sintomas da menopausa — explica a pesquisadora Maria Celeste, que também é presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). 

Entre os hábitos que podem ajudar estão:

  • Prática regular de atividade física
  • Alimentação equilibrada
  • Evitar o cigarro
  • Reduzir o consumo de álcool 
  • Manter uma boa rotina de sono.
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