
A primeira equipe de ufólogos que pretende investigar o suposto objeto voador não identificado (OVNI) avistado em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, marcou visita ao sítio para o dia 8 de junho. As informações são do portal g1.
O influenciador Mayk Leão, que viralizou após filmar luzes estranhas em formato circular da varanda de casa, confirmou a data nesta quarta-feira (3) e disse receber procura de pesquisadores de várias partes do país.
Segundo o criador de conteúdo, os próprios investigadores entraram em contato nos comentários das publicações, e o volume de mensagens passou a ser ingovernável.
— Os próprios ufólogos comentaram o número de celular deles nas publicações. Meus amigos e familiares que viram me encaminharam, porque o volume de mensagens, comentários e compartilhamentos está tão grande que não consigo me concentrar em uma única conversa. Está muito difícil — relatou Mayk Leão, criador de conteúdo, ao g1.
Ufólogos são investigadores ou estudiosos dedicados à ufologia, termo derivado da sigla em inglês UFO (objeto voador não identificado, ou OVNI).
O trabalho dessas pessoas é analisar relatos, fotos, vídeos e documentos sobre fenômenos aéreos anômalos, em busca de evidências que indiquem ou descartem tecnologia de origem desconhecida.
Onde e como tudo aconteceu
A gravação foi feita no último domingo (31), na chácara onde Mayk vive, em Campo Largo (PR). A propriedade fica em uma área isolada, acessada por estrada de terra, em uma região com pouca infraestrutura, sem água encanada e sem sinal de celular, apenas com wi-fi.
O influenciador estava em casa, mas o objeto que diz ter flagrado pairava sobre uma área de mata fechada, em outra localidade do entorno, a pelo menos três quilômetros de distância.
O ponto fica dentro de uma propriedade privada cortada por um rio, à qual ele afirma nunca ter ido.

Ele relata que, naquela manhã, percebeu os 280 animais que cria, entre cães, galinhas, cabras e cavalos, agitados, com as aves em alarme. Recolheu os bichos e, por precaução, pegou um arco e flecha que guarda em casa, na suspeita de que uma onça rondasse o terreno.
Ao caminhar até a divisa da chácara, encontrou a cerca elétrica derrubada, como se algo tivesse atravessado o pasto rumo à mata, e ouviu ruídos que o assustaram.
Mayk tem dificuldade de descrever o som, que compara a tons metálicos sobrepostos, como se viessem de um único emissor.
— Gravei dois stories do som. Era como um estalo, um rugido. Quando voltei para casa e fiquei observando, já no fim da tarde, começou aquele som de catraca em cima da casa, como se fosse um navio, um barco muito grande passando. Até então, eu tinha achado que estava ficando louco, mas estava gravando, e pelo menos as pessoas estavam escutando aquilo — descreveu o influenciador.
O som, e não a imagem, é o que ele aponta como a parte mais perturbadora da experiência.
— Não consigo descrever o som. Ele não era o som de um animal nem o ruído do vento nas árvores. Era como se algo tivesse entrado em mim. Acredito que vou precisar de acompanhamento psicológico para lidar com isso — ponderou Mayk, visivelmente emocionado em uma transmissão ao vivo.
A cena que ele acredita ser de uma nave foi registrada poucas horas depois, à noite, com o zoom máximo de um iPhone 15 que, segundo Mayk, foi um presente de seguidores.
Nas gravações, é possível ver um conjunto de pontos luminosos brilhando ao fundo da paisagem. Mayk descreve um objeto que permaneceu parado por vários minutos antes de apagar as luzes e desaparecer.
Pouco depois, diz ter visto uma segunda estrutura, ainda maior, em formato que comparou ao de um olho, com pontos coloridos e uma luz avermelhada na parte de baixo.
Ele estima que o objeto tinha ao menos 60 metros de comprimento, o suficiente para cobrir toda a casa, e afirma que passou em silêncio, sem produzir vento ou calor.
As imagens ficaram pixeladas e levantaram suspeitas nos comentários. Mayk garante que não houve edição e diz que não foi até o ponto do avistamento, por ser distante e por sentir medo. Aconselhado por uma seguidora, desenhou o que viu para não esquecer.
— Acredito que ficou muito tempo ali, entre 20 e 40 minutos. Quando saí, estava terminando de passar por cima da casa. Era algo muito grande. Foi quando fiz o desenho. Extraordinário — afirmou o influenciador.
Ele também tenta processar a experiência sonora dias depois.
— Minha mente ainda está tomada pelos sons que escutei, pelo barulho daquela espécie de comunicação que ouvi na mata. Os estalos parecem ter ficado na minha cabeça. É como se eu tivesse recebido algo, não apenas escutado. Algo que veio — comentou o criador de conteúdo.
Força Aérea não detectou objeto
A Força Aérea Brasileira (FAB) mantém a posição de que nada foi detectado.
Em nota, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) informou que, no dia 31 de maio, nenhum objeto foi identificado pelos radares de defesa aérea nem reportado por aeroportos locais. O órgão afirmou ainda que o controle do espaço aéreo ocorreu dentro da normalidade.
Sem explicação oficial para as luzes, o registro segue tratado formalmente como óvni. O termo descreve fenômenos cuja origem ainda não foi determinada, sem qualquer relação automática com vida extraterrestre.
Imagens ainda precisam ser analisadas
A investigadora de fenômenos aéreos anômalos Elaine Wartha Motta, integrante da Mufon Brasil, pondera que, por enquanto, só é possível afirmar que as imagens mostram um fenômeno luminoso. Antes de qualquer conclusão, diz ela, é preciso descartar hipóteses como fenômenos meteorológicos e a passagem de aeronaves.
A Mufon é uma das maiores e mais antigas organizações civis sem fins lucrativos dedicadas à investigação desse tipo de fenômeno. Como outros pesquisadores, Elaine manifestou interesse em ir ao local para coletar dados.
— Como investigadora forense, acolhemos esses relatos. Mas ainda é preciso ir até o local, colher material e analisar as imagens não editadas que ele gravou. Tudo isso é levado para um laboratório e passa por um processo criterioso — explicou Elaine Wartha Motta, em entrevista ao g1.
Salto de 40 mil para 1,6 milhão de seguidores
A repercussão transformou a rotina de Mayk. Quando publicou os primeiros registros, ele tinha cerca de 40 mil seguidores no Instagram. Em um dia, o número chegou a 430 mil. Na terça-feira (2), já passava de 880 mil. Agora, supera 1,6 milhão na rede social.
O criador de conteúdo, antes conhecido por vídeos de resgate de animais, afirma ter sido procurado por pessoas de todas as partes do mundo, incluindo pesquisadores, mas admite não conseguir responder a todas as mensagens.
Junto com a fama relâmpago, vieram as hostilidades. Mayk diz ter recebido ameaças e pedidos para tirar os vídeos do ar.
— Não fiz o relato para ficar rico. O tanto de ameaça que estou recebendo, gente me xingando de tudo, xingando minha família. As coisas estão surreais. Tomou uma proporção muito grande — desabafa o influenciador.
Ele afirma manter no sítio cerca de 280 animais resgatados e justifica não ter deixado a propriedade pelo medo de abandoná-los. Também pediu que apenas autoridades, como polícia e aviação, procurassem o local, por receio de invasões.
Teoria do filme de Spielberg
Poucas horas depois da viralização, o caso ganhou um novo capítulo. Internautas notaram semelhanças entre os vídeos de Mayk e o novo filme de ficção científica de Steven Spielberg, Dia D (no original, Disclosure Day).
As comparações apontam para os sons creditados a extraterrestres no trailer oficial e para o desenho do pôster de divulgação, semelhante às ilustrações que o próprio influenciador fez do objeto que diz ter visto.
A sinopse alimenta a coincidência. A produção acompanha um mundo que entra em pânico após um evento inexplicável ser transmitido ao vivo pela televisão, com segredos militares expostos e a presença alienígena cada vez mais evidente.
O longa tem estreia prevista para o dia 11 de junho nos cinemas brasileiros, com pré-venda de ingressos a partir desta quinta-feira (4), e elenco encabeçado por Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson e Wyatt Russell.
Na campanha de divulgação, Spielberg reforçou diversas vezes sua crença na existência de vida fora da Terra. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, veiculada no domingo, foi enfático sobre o tom do projeto.
— Esse não vai ser meu último filme de ficção científica. Mas é, sim, a minha conclusão final de que não estamos sozinhos — declarou o diretor, que assina o roteiro ao lado de David Koepp, parceiro em Jurassic Park.
