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Semelhante ao Mounjaro?
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Picolinato de cromo funciona? Conheça o suplemento que promete emagrecimento e tem preço baixo

Produto é comercializado em cápsulas e chama a atenção pela promessa de auxílio na perda de peso, além da regulação dos níveis de glicose

Natália Piva*

Natália Piva*

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Jonathan Heckler/Agencia RBS
Chamado de "Mounjaro de pobre", o picolinato de cromo é comercializado em cápsulas.

Um suplemento está chamando atenção nas redes sociais e sites de compra online. Com um valor acessível e promessas de perda de peso, o picolinato de cromo é anunciado como o "Mounjaro de pobre".

A substância é comercializada em cápsulas, via embalagens com diferentes quantidades e dosagens que podem variar de 50 microgramas até 250 microgramas. Mas o que realmente chama atenção é o valor. A reportagem realizou uma pesquisa de preços em sites de compra online, onde o produto se popularizou. Em um deles, a embalagem com 60 cápsulas de 250 mcg custa, em média, R$ 30. Em alguns casos, o suplemento é vendido por menos de R$ 20.

A chefe do serviço de endocrinologia da Santa Casa de Porto Alegre, Carolina Leães Rech, adverte sobre a falta de comprovação científica em relação à eficácia do produto. Segundo a professora da UFCSPA, não há garantias de que o consumo seja inofensivo para o organismo humano a longo prazo.

— Não é uma coisa que se diga "pode não fazer bem, mas não faz mal". A gente não tem como ter essa segurança — afirma.

Com o aumento das buscas pelo produto na internet, Zero Hora buscou junto à especialista responder os principais questionamentos dos consumidores a respeito do suplemento. Confira a seguir.

Diferenças entre Mounjaro e picolinato de cromo

Apesar da comparação, o Mounjaro e o picolinato de cromo não têm nenhuma semelhança além da promessa de emagrecimento. O Mounjaro é um medicamento com o princípio ativo tirzepatida. Ele atua imitando dois hormônios intestinais: o GIP, que estimula a liberação de insulina, e o GLP-1, que sinaliza ao cérebro quando o indivíduo está satisfeito. Com isso, o medicamento é capaz de regular os níveis de açúcar no sangue, além de reduzir o esvaziamento gástrico do estômago, promovendo a sensação de saciedade e reduzindo o apetite.

O picolinato de cromo, no entanto, é um suplemento, resultado da junção do cromo trivalente com três moléculas do ácido picolínico. Ele promete atuar como um cofator da insulina, auxiliando na regulação dos níveis de glicose, o que, em tese, auxiliaria na diminuição da vontade de comer doces e na perda de peso. Contudo, esse efeito carece de validação científica robusta em humanos.

Quais são os benefícios de tomar picolinato de cromo?

De acordo com a médica Carolina Leães Rech, não há estudos que comprovem a eficácia do picolinato de cromo.

— Existem estudos de laboratório que mostram que o cromo pode atuar em vias do organismo relacionadas à ação da insulina e ao metabolismo das células. Em teoria, isso poderia trazer benefícios para o controle da glicose e do peso. Porém, uma teoria biológica ou um resultado observado em células ou animais não significa, necessariamente, que o mesmo aconteça em pessoas de forma clinicamente relevante — explica a médica.

A especialista afirma que, na medicina, devem ser realizados estudos clínicos em seres humanos, especialmente ensaios clínicos randomizados e metanálises, para determinar se um tratamento realmente funciona.

— As evidências científicas de metanálises de pequenos estudos mostram que, mesmo quando há benefício, o picolinato de cromo acrescenta apenas cerca de 500 gramas, um quilo de perda de peso em relação ao placebo, um efeito considerado clinicamente não relevante — afirma Carolina.

Como tomar picolinato de cromo para emagrecer?

Devido a evidência limitada, o uso do picolinato de cromo não é recomendado nem como tratamento para obesidade, nem como terapia para diabetes. Portanto, não há uma forma de tomar o suplemento para a perda de peso.

Quais os riscos de tomar picolinato de cromo?

Carolina explica que, por se tratar de um suplemento e não de um medicamento, o controle dos componentes presentes na fórmula acaba sendo menor e, em alguns casos, pode resultar em uma toxicidade para órgãos vitais, como rins e fígado.

— Um suplemento de procedência duvidosa, que não tem uma indicação médica ou um contexto realmente comprovado, só nos expõe ao malefício que ele pode dar, que é essa sobrecarga para o corpo — ressalta.

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*Com orientação e supervisão de Arethusa Dias

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