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Move Brasil: veja como pedir financiamento de carro e a lista de veículos autorizados

Iniciativa do governo reduz o juro do crédito a motoristas de aplicativo e taxistas, mas liberação depende da avaliação de risco de cada instituição financeira

Leonardo Martins

Leonardo Martins

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Bruno Todeschini/Agencia RBS
Ter o cadastro aprovado não garante o carro na garagem.

Taxistas e motoristas de aplicativo aprovados  no programa Move Brasil Táxi e Aplicativos podem procurar instituições financeiras para financiar um carro zero-quilômetro (0km) com juro menor a partir desta sexta-feira (19).

O programa contempla condutores de qualquer plataforma, como Uber e 99. A exigência é ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e ter feito ao menos 100 corridas nesse período.

No caso dos taxistas, é preciso estar com a licença e o registro em dia nos órgãos de trânsito, além de manter a regularidade fiscal.

Motoristas cooperados também podem aderir. Cada beneficiário consegue financiar apenas um veículo.

Como fazer o cadastro? Veja o passo a passo

  • O primeiro passo é criar um cadastro na plataforma do governo, neste link.
  • Durante o processo, o interessado deve informar se atua como taxista, motorista da 99 e/ou motorista da Uber, ler e aceitar o termo de consentimento e clicar em "Solicitar adesão".
  • No caso dos motoristas de aplicativo, o governo verificará diretamente com a plataforma se o profissional atende aos requisitos do programa. 
  • Para os taxistas, a checagem é por meio da Receita Federal. Nessa modalidade, é necessário autorizar o órgão a compartilhar com as instituições financeiras a confirmação do registro profissional e a habilitação para as condições especiais de financiamento.
  • A resposta sobre a aprovação será enviada pela caixa postal do gov.br e também por mensagem de WhatsApp.
  • O acompanhamento da solicitação pode ser feito pela própria plataforma, na opção "Voltar ao acompanhamento".

Com a adesão aprovada, o motorista poderá procurar uma concessionária ou uma instituição financeira credenciada ao BNDES para escolher o veículo, passar pela análise de crédito e contratar o financiamento.

As operações precisam ser concluídas até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa.

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Quais carros entram no Move Brasil?

Para ser financiado, o veículo precisa cumprir quatro condições: custar até R$ 150 mil; ser flex, elétrico ou híbrido flex (modelos híbridos movidos apenas a gasolina ficam de fora); ser zero-quilômetro, já que usados não entram; e ser de uma montadora habilitada no programa Mover.

Veja a seguir os modelos que se enquadram nesses critérios:

Hatches (carros menores, com porta-malas integrado à cabine)

  • BYD Dolphin
  • BYD Dolphin Mini
  • Chevrolet Onix
  • Citroën C3
  • Citroën Aircross
  • Fiat Argo
  • Fiat Mobi
  • Honda City Hatch
  • Hyundai HB20
  • Peugeot 208
  • Renault Kwid

Sedãs (carros com porta-malas separado da cabine)

  • Chevrolet Onix Plus
  • Fiat Cronos
  • Honda City Sedan
  • Hyundai HB20S
  • Nissan Versa
  • Volkswagen Virtus

SUVs (veículos mais alto e com visual robusto)

  • Chevrolet Spin
  • Chevrolet Sonic
  • Chevrolet Tracker
  • Citroën Basalt
  • Fiat Fastback
  • Fiat Pulse
  • Renault Duster
  • Jeep Renegade
  • Nissan Kait
  • Volkswagen Nivus
  • Renault Kardian
  • Volkswagen T-Cross
  • Honda WR-V

O que é o Move Brasil

O Move Brasil Táxi e Aplicativos, também chamado de Move Aplicativos, foi criado por medida provisória que destina uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para baratear o financiamento de carros novos voltados a taxistas, motoristas de aplicativo e cooperativas de táxi. O teto é de R$ 150 mil por veículo, que precisa ser zero-quilômetro.

Os recursos saem do Tesouro Nacional e são repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A função do dinheiro público é cobrir a diferença entre o juro de mercado e as taxas mais baixas oferecidas pelo programa.

Quanto fica o juro?

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, as taxas devem ser de 12,6% ao ano (0,99% ao mês) para homens e 11,5% ao ano (0,91% ao mês) para mulheres.

As duas taxas ficam abaixo da Selic, a taxa básica de juro, hoje em 14,25% ao ano. O prazo de pagamento pode chegar a 72 meses, com seis meses de carência antes da primeira parcela.

As mulheres têm ainda uma condição extra: podem incluir itens de segurança no valor financiado, limitados a 10% do total do contrato.

Como aumentar a chance de aprovação

A condição facilitada, no entanto, esbarra em uma etapa que não está nas mãos do governo: a análise de crédito de cada banco parceiro.

Ter o cadastro aprovado não garante o carro na garagem, porque quem decide se concede o crédito é o banco, que faz uma avaliação de risco própria para cada candidato.

Como o trabalho de motorista de aplicativo e de taxista costuma ter renda variável e comprovação menos formal do que a de um assalariado com carteira assinada, a preparação faz diferença no resultado.

Para o planejador financeiro Adriano Severo, da Severo Capital, boa parte das negativas poderia ser evitada com organização antes do pedido.

— A pessoa acaba não se organizando e simplesmente faz o pedido, sem uma avaliação prévia da própria situação e do histórico — afirma Severo.

O especialista lista oito pontos que ajudam a aumentar as chances de aprovação:

Situação do CPF e score de crédito

O primeiro passo, segundo o planejador, é verificar se há alguma restrição no CPF antes de procurar o banco. Quem está com o nome negativado tende a ter o pedido recusado, mesmo com a garantia parcial oferecida pelo governo.

A recomendação é regularizar pendências antes de dar entrada no processo. Em muitos casos, segundo o especialista, basta negociar a dívida para destravar a análise.

O score também funciona como um dos principais termômetros usados pelas instituições para medir o risco de inadimplência de cada consumidor. 

De forma geral, quanto melhor for o histórico de pagamentos e menor a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta, com possibilidade de condições e taxas melhores.

Junte a maior entrada possível

Um valor de entrada mais alto pesa a favor em dois sentidos: aumenta a chance de aprovação e reduz o custo total do financiamento, já que o juro incide sobre o montante financiado.

— Quanto maior for o valor da entrada, maior é a chance de ser aprovado. E a pessoa ainda acaba pagando menos juro, porque eles incidem sobre o valor financiado — detalha o planejador.

Na prática, há diferença relevante entre dar 30% e 50% de entrada, tanto na análise do banco quanto no tamanho da parcela.

Organize os comprovantes (mesmo sem contracheque)

Por se tratar de trabalho autônomo, não existe contracheque ou holerite tradicional, mas isso não impede o acesso ao Move Brasil.

Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para agilizar a análise de crédito, vale reunir:

  • Declaração do Imposto de Renda
  • Extratos bancários recentes
  • Histórico completo de movimentação da conta corrente
  • Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo

Procurar o banco em que o motorista já tem conta também tende a facilitar, porque a instituição já dispõe do histórico de movimentação. Quanto mais organizada a documentação, mais rápida costuma ser a análise feita pela mesa de crédito.

Comprometimento da renda

A renda não pode estar, em grande parte, comprometida com outras dívidas. Se já houver um endividamento elevado, o pedido pode ser recusado, porque o banco soma o novo financiamento ao que já existe e avalia o peso total sobre o orçamento.

O especialista observa que nem todo gasto pesa da mesma forma nessa conta.

— Por mais que a pessoa tenha um aluguel fixo, isso não aparece tanto na análise, porque é um gasto que ela sempre vai ter. Já o comprometimento com parcelas e empréstimos, isso sim vai aparecer — pondera Severo.

Escolha um veículo compatível e use a carência a seu favor

A tentação de aproveitar o teto de R$ 150 mil pode atrapalhar. Se a renda declarada não for compatível com o valor solicitado, a proposta tende a ser barrada.

Além disso, um carro mais caro encarece a manutenção, despesa que pesa no dia a dia de quem roda para trabalhar. A orientação é dimensionar o pedido à realidade financeira, e não ao limite do programa.

O financiamento do Move Brasil prevê seis meses de carência antes da primeira parcela. O juro, porém, continua correndo nesse período. Por isso, o planejador sugere usar o intervalo para acumular reserva.

— Como vai ter seis meses de carência, é interessante que a pessoa junte esse valor para, quando começar a pagar, já ter a quantia acumulada — recomenda.

Evite os erros mais comuns

Muitas negativas acontecem por falhas que poderiam ser resolvidas ainda na fase de planejamento, como uma dívida antiga e de valor baixo que a pessoa nem lembrava ter. Entre os motivos de reprovação mais apontados pelo mercado estão:

  • Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo
  • Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas
  • Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas
  • Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes


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