
Considerada uma "queridinha" de influenciadoras e celebridades, a drenagem linfática se popularizou nas redes sociais recentemente. A técnica passou a ser frequentemente promovida como uma solução rápida para o emagrecimento.
No campo da ciência, no entanto, a prática e estudos clínicos mostram que os benefícios são mais limitados e graduais do que os prometidos nas publicações, que acumulam milhões de visualizações.
A seguir, entenda mais sobre a técnica:
O que é?
Segundo o cirurgião vascular e chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Moinhos de Vento, Sharbel Mahfuz Boustany, a drenagem linfática é uma técnica de massagem que utiliza movimentos suaves e direcionados para estimular o fluxo da linfa — líquido que circula pelo sistema linfático e que ajuda a remover resíduos do metabolismo celular e agentes infecciosos dos tecidos.
O objetivo da técnica, portanto, é auxiliar a drenar esse líquido que eventualmente fica acumulado. Em casos mais graves de acúmulo de linfa, pode ocorrer o chamado linfedema, uma condição crônica cuja principal indicação médica é a drenagem linfática.
— A drenagem linfática é baseada na anatomia do sistema linfático. Então, a pessoa que faz a drenagem precisa conhecer os pontos de drenagem e o trajeto dos vasos linfáticos para que ocorra de maneira eficaz — explica o médico.
Drenagem linfática emagrece?
Não. De acordo com o especialista, a drenagem não atua sobre o tecido gorduroso e, portanto, não promove perda de gordura corporal nem emagrecimento.
— Ela pode diminuir temporariamente o volume de um membro porque ajuda a deslocar líquidos acumulados. Isso não significa perda de gordura. A drenagem não tem nenhuma ação sobre o tecido gorduroso, só sobre o líquido que fica retido em um membro — afirma.
Em pacientes com linfedema, a técnica pode contribuir para a redução do volume do membro afetado. Ainda assim, os resultados não costumam ser imediatos.
— Os trabalhos científicos sugerem que os resultados aparecem ao longo de quatro a seis semanas de tratamento, com duas a três sessões semanais. Isso para a pessoa que tem linfedema. E os resultados normalmente são acompanhados de outras terapias — contextualiza o médico.
Sozinha ela garante resultados?
Segundo o médico, as evidências científicas mais robustas indicam que a drenagem linfática quando empregada de forma isolada apresenta benefícios limitados.
Os melhores resultados costumam ocorrer quando a técnica faz parte de uma abordagem mais ampla. No tratamento de linfedema, por exemplo, ela é parte da chamada terapia descongestiva complexa, que inclui uso de meias compressivas, bandagens, exercícios físicos e cuidados específicos com a pele.
— A literatura mostra pouco benefício da drenagem linfática quando utilizada sozinha. Ela funciona melhor quando associada a outras terapias — conta o médico.
O que considerar antes de fazer?
A recomendação para quem sofre com inchaço é buscar primeiro um diagnóstico médico para entender a causa do problema. A partir disso, a equipe médica pode recomendar os melhores tratamentos para a situação específica.
Quando indicada, a drenagem deve ser feita por profissionais habilitados com treinamento formal, preferencialmente fisioterapeutas.
Outra recomendação de Boustany é desconfiar de promessas de resultados imediatos, especialmente aquelas relacionadas à perda de gordura, emagrecimento ou redução significativa de medidas após uma única sessão. Segundo o médico, esse tipo de resultado não encontra respaldo na literatura e na prática científica.
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Os mitos e verdades sobre drenagem linfática
Fato
- Pode ajudar no tratamento do linfedema
- Pode reduzir temporariamente o inchaço em alguns casos
- Pode promover sensação de relaxamento e bem-estar
- Costuma ser utilizada como parte de um tratamento mais amplo
Mito
- Não emagrece
- Não elimina gordura corporal
- Não promove redução permanente de medidas
