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Truque da "Jéssica", que faz crianças pararem de chorar, viraliza nas redes sociais:  "Já testei um pouco, mas dá uma dó"

Pedagoga consultada por Zero Hora reforça que tática funciona como distração e que acolhimento deve ser feito pelos responsáveis

Isadora Garcia

Isadora Garcia

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  • O truque de chamar "Jéssica" viralizou nas redes sociais por acalmar crianças durante crises de birra.
  • Especialista explica que o nome serve apenas para distrair a criança; a orientação é acolher e dialogar.
  • A tendência também chegou ao mundo animal, com vídeos de pets reagindo ao chamado de "Jéssica".
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@afunnylittledog / @betaniadevargas/Tiktok / Reprodução
Ao ouvirem o nome, crianças parecem procurar pela pessoa.

"Jéssica" é o nome que tem feito crianças pararem de chorar. O truque virou uma solução quase mágica para pais quando os pequenos começam a fazer a conhecida birra. Os vídeos têm tido milhares de visualizações no TikTok e no Instagram, principalmente no Exterior.

Mas quem é Jéssica? É a pergunta que muitos fazem e para a qual ainda não existe resposta. Na verdade, segundo a pedagoga Luciane Reis, que dá mentorias sobre desenvolvimento infantil para famílias, o chamado poderia vir acompanhado de qualquer nome já que o efeito é distrair a criança.

— Ela vai parar de chorar porque ela se distraiu, porque ela viu o responsável chamando por uma pessoa. Então, ela pensa: "Ué, quem meu pai chamando?", "quem minha mãe chamando?", "quem é essa pessoa?" — explica a pedagoga.

O resultado era semelhante tempos atrás — porém com uma dose extra de medo —, quando os pais mencionavam a Cuca, o bicho-papão ou o Homem do Saco. 

"Apareceram muitas Jéssicas nos comentários"

O truque de acionar a Jéssica tem feito sucesso no Exterior. Dados do TikTok mostram que usuários de países como Sérvia, Canadá, Filipinas e Indonésia têm buscado termos como "jessicatrend" na plataforma. Zero Hora encontrou vídeos em inglês, espanhol, português e francês.

No Brasil, aos poucos, começam a aparecer usuários engajados no viral. 

Na casa da engenheira de produção Betânia de Vargas, 37 anos, de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, o teste foi feito com o filho de dois anos. Betânia costuma compartilhar a experiência da maternidade nas redes sociais.

O vídeo mostra o menino parando de chorar assim que a mãe chama pela Jéssica (confira abaixo). No TikTok, o conteúdo já tem mais de 1 milhão de visualizações.

— Apareceram muitas Jéssicas nos comentários, dizendo: "Oi, eu aqui, eu te ajudo, o que tu precisa, o que aconteceu?" — conta Betânia, aos risos.

A mãe esclarece que levou a participação na trend como uma brincadeira. Ela afirma que, no fim do vídeo, o menino parece ter ficado com medo da tal Jéssica.

— Já testei um pouco, mas dá uma dó. Não gosto de fazer. Prefiro dar um abraço, esperar ele se acalmar, porque não é legal fazer isso todo momento com a criança — reforça a pedagoga.

Betânia não nega que é desafiador lidar com a fase dos dois anos dos pequenos, mas diz que costuma optar por acolher e conversar com o filho nos momentos de birra.

O que está por trás do choro

O acolhimento, inclusive, é destacado pela pedagoga Luciane. Embora a tática de chamar algum nome possa funcionar para aliviar os pais, é necessário atenção ao motivo pelo qual a criança está chorando. 

Como ressalta, todo comportamento é uma comunicação, seja de frustação, tristeza, sono ou fome. 

— Você distraiu, a criança parou de chorar, mas e daí, o que vem depois? E esse sentimento dela? Ela não consegue expressar com palavras, ela se expressa pelo choro, o corpo fala mais alto. E, na verdade, os pais não dão atenção a isso — acrescenta Luciane.

Então, qual seria a alternativa para lidar com a birra? De acordo com a pedagoga, isso se trata de um processo que "não é fácil", em que os pais precisam ser "detetives do comportamento da criança", buscando entender o que está por trás daquele choro. 

Junto a isso, Luciane ressalta que os responsáveis precisam ser firmes, mas mostrando que estão presentes.

— Às vezes, são motivos que, para nós, são bobinhos só que, para a criança, é um motivo muito extremo, porque o cérebro dela está em desenvolvimento ainda. É justamente nessa parte do cérebro de raciocínio lógico, de empatia, de que ela não consegue se acalmar sozinha, que o adulto precisa "emprestar" essa calma para ela — completa.

O viral também extrapolou os limites humanos e chegou ao mundo animal, com tutores testando o chamado junto a cães. Veja abaixo.


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