
Vídeos publicados no TikTok e no Instagram mostram uma prática que virou moda perigosa nas ruas do Brasil: motoristas e motociclistas se aproximam em alta velocidade da traseira de carros da BYD para acionar o sistema de alerta de colisão traseira e filmar a reação do veículo.
O sistema acionado nas filmagens se chama RCW, sigla em inglês para Rear Collision Warning (Alerta de Colisão Traseira). Ele integra o pacote ADAS (Advanced Driver Assistance Systems ou Sistema Avançado de Assistência ao Condutor), conjunto de tecnologias avançadas de assistência ao motorista presente em vários modelos da marca chinesa.
Quando detecta um veículo se aproximando rápido demais pela traseira, o sistema acende as luzes de seta em sequência rápida para alertar o condutor que vem atrás. A função existe para evitar acidentes. Nos vídeos, virou alvo de graça.
Não são apenas os automóveis da BYD que possuem o sistema de alerta de colisão. Ainda assim, nos vídeos que circulam nas redes sociais, eles aparecem como os principais alvos de motoristas "brincalhões".
A dinâmica é sempre parecida: o condutor imprudente toma distância, acelera em direção à traseira do BYD e, quando as setas piscam, desvia ou freia para evitar o choque.
Em um dos vídeos, um casal conta que saiu de carro pela cidade "atrás de BYDs para fazer bullying, acionando o sistema de alarme de colisão".
Em outro, um motociclista descreve o ato de "tirar fina de BYD para acionar o pisca alerta" como um vício. Uma terceira gravação mostra um carro acelerando com força em direção a um BYD Seal.
Quando o alarme disparou, o motorista desviou em uma manobra brusca. Se o condutor do BYD tivesse reagido na mesma direção, a colisão seria inevitável.
O que diz a lei

O Código de Trânsito Brasileiro é direto. O artigo 170 da Lei nº 9.503/1997 classifica como infração gravíssima qualquer conduta que coloque em risco a segurança de outras pessoas no trânsito.
Quem for flagrado responde a multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH, suspensão do direito de dirigir e retenção do veículo.
A lei enquadra na mesma categoria uma série de comportamentos que descrevem exatamente o que aparece nos vídeos:
- aproximar-se de outro veículo de forma excessiva como forma de intimidação;
- acelerar em direção a pedestres ou outros veículos, freando no último momento;
- perseguir outros veículos; realizar manobras bruscas direcionadas a terceiros;
- e usar o próprio veículo como forma de ameaça.
O motorista que lançar o carro na direção da traseira de um BYD para acionar o alerta e for identificado pode sair da brincadeira sem a habilitação.
BYD lidera ranking dos carros mais vendidos do Brasil

Não por acaso os vídeos se multiplicaram: os modelos da BYD estão entre os mais vendidos do país. O Dolphin Mini, um dos que possuem o sistema RCW, acaba de entrar para a história do mercado automotivo brasileiro.
Em fevereiro, o hatch elétrico vendeu 4.810 unidades no varejo, canal que mede as vendas diretas ao consumidor final, sem frotas ou repasses para empresas, tornando-se o primeiro carro elétrico a liderar esse segmento no Brasil, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Em março, o desempenho foi ainda mais expressivo. Com 7.053 emplacamentos registrados segundo dados da consultoria K.Lume, o Dolphin Mini chegou à nona posição do ranking geral de vendas, a primeira vez que um carro eletrificado aparece entre os 10 mais vendidos do Brasil.
O modelo ficou à frente de nomes como Hyundai Creta (6.674 unidades), Renault Kwid (6.459), Chevrolet Tracker (5.795), Volkswagen Nivus (5.795) e Jeep Compass (5.435). O crescimento em relação a fevereiro foi de 44,7% em um único mês.
No acumulado de 2026, o Dolphin Mini já soma 14.767 unidades vendidas e aparece na 10ª posição do ranking geral.
Desde que chegou ao Brasil, em 2024, o modelo acumula mais de 62 mil emplacamentos, volume que explica por que ele se tornou presença frequente nas ruas e, agora, alvo de brincadeiras no trânsito.
