
Correção: ator se recusou a pagar R$ 2,7 mil, e não R$ 27 mil como publicado entre as 13h29min e as 17h33min de 3 de fevereiro de 2026. O texto já foi corrigido.
O ator Thiago Domingues, 34 anos, publicou um vídeo nas redes sociais em que relata ter sido abandonado por um motorista de táxi na Rodovia dos Bandeirantes, após se recusar a pagar R$ 2,7 mil em uma corrida de táxi entre Campinas e São Paulo.
A situação aconteceu na madrugada do dia 25 de janeiro, quando o ator voltava de um show da cantora Anitta no Sambódromo de Paulínia, cidade na região de Campinas. Thiago pegou um carro na porta do evento, rumo à capital paulista.
"Depois de ter vivido a minha primeira experiência (incrível) do show da Anitta em Campinas, eu passei por um pesadelo. Peguei um táxi de Campinas a São Paulo que me cobrou um valor abusivo de R$ 2,7 mil (diferente de outros táxis que estavam ali, que me passaram um valor de 300 reais e o próprio app da Uber estava dando 300 reais)", escreveu o ator no Instagram.
Valor abusivo
Thiago contou que só soube do valor da corrida quando foi passar o cartão, no fim da corrida.
— Na hora, recebi uma notificação de recusado. Pelo horário e pelo valor. Aí perguntei: "qual o valor que você digitou?" E ele (o motorista): "aqui R$ 2,7 mil". Eu levei um susto e disse: "Não é esse valor, né? Era R$ 274". "Não, não, não. É esse valor. Liga para alguém, pede para alguém te ajudar a pagar", disse.
O ator não pagou o valor cobrado e entrou em um embate com o motorista:
— Eu disse: "Não tem como eu pagar esse valor. Você está agindo de má-fé". Se você tivesse me falado antes, eu não teria entrado no seu carro. Só que esse valor está abusivo e não existe.
Diante da recusa de Thiago em pagar o valor da corrida, o motorista teria reagido de forma negativa, como contou o ator.
"Ele estava alterado, dando socos no volante e disse que era pra eu me virar. 'Aceitou' os R$ 300 mas, não satisfeito, não deixou eu descer do carro e me levou de volta, me deixando na estrada escura, em um posto de gasolina. O oposto de São Paulo", escreveu Domingues.
O ator contou que eram quase duas horas da manhã e ele teve que atravessar a estrada para tentar conseguir uma ajuda ou carona.
"Eu nunca senti tanto medo na minha vida. Eu estava tão feliz em estar curtindo o show e no final, eu me encontrei sozinho, no meio do nada, sem saber o que fazer. Não desejo isso para ninguém", escreveu Domingues.
Registro na delegacia
Thiago registrou um boletim de ocorrência do caso no 46° Distrito Policial de Perus, na zona norte de SP, por tentativa de estelionato. Ele também denunciou o motorista do carro Hyundai por tentativa de extorsão. O documento indica que o ator foi deixado a cerca de 35 quilômetros do centro de São Paulo, onde mora.
Thiago pediu ajuda para diversos motoristas que passavam pela estrada, mas, segundo ele, ninguém ofereceu carona. O ator só conseguiu deixar o local depois de pegar um carro na região de Perus, às margens da rodovia.
— Encontrei um policial rodoviário, e ele me disse que não podia deixar o posto e me levar até a capital. Me aconselhou a caminhar mais adiante e tentar justamente um carro de aplicativo na entrada de um dos bairros, numa ponte. Não achei a ponte, mas encontrei uma propriedade e de lá tentei pedir um carro de aplicativo que prontamente me atendeu e me levou para casa — contou ao g1.
Ameaças de taxistas
Após o vídeo do relato de Thiago ter viralizado, ele afirmou que sofreu ameaças de taxistas da região de Campinas.
— Alguns taxistas de Campinas me mandaram mensagem me ameaçando, dizendo que, se eu não tirasse a postagem do ar, eles iriam me processar e queriam a placa do carro. Eu só passei a placa do carro para a polícia e eles que precisam investigar — disse.
Posicionamento das autoridades
Emdec
Em nota ao g1, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) afirmou que o carro Hyundai do motorista não pertence à frota de táxi da cidade, mas que está cadastrado nos aplicativos Uber e 99.
"Vale ressaltar que o fato de ter sido informado como carro de aplicativo pelas plataformas, que são as responsáveis por nos passar seus cadastrados, não significa que o motorista seja de Campinas, apenas que foi cadastrado para circular na cidade. Importante lembrar também, que o embarque se deu na cidade vizinha, Paulínia. Entendo, portanto, que não cabe à Emdec se manifestar a respeito. Trata-se de uma investigação policial", disse a empresa.
Prefeitura de Campinas
A prefeitura do município informou que "não vai se manifestar sobre o caso, por se tratar de relação particular entre civis e que aconteceu durante um evento privado".
Secretaria de Segurança Pública (SSP)
A SSP informou por meio de nota que o caso foi registrado como estelionato na Delegacia Eletrônica "e a vítima foi orientada a comparecer a uma unidade policial para fornecer mais detalhes dos fatos e manifestar o interesse em prosseguir com a representação criminal contra o autor, uma vez que se trata de crime de ação penal pública condicionada, conforme o artigo 171 do Código Penal".
Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia
A Associação ressaltou que "as empresas associadas à Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) esclarecem que o valor das corridas é aquele que aparece para o passageiro, no app, na contratação do serviço. Portanto, não são permitidas cobranças adicionais pelo motorista, assim como viagens por fora - o que seria violação do Código de Defesa do Consumidor."