Viral

Mistérios
Notícia

Perna cabeluda, "raparigou ou não raparigou": entenda as referências culturais de "O Agente Secreto"

Lendas urbanas e expressões presentes no filme de Kleber Mendonça Filho têm repercutido nas redes sociais e provocado debates

Zero Hora

Enviar email
Victor Jucá/Divulgação
Filme recebeu quatro indicações ao Oscar 2026.

Vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar 2026, O Agente Secreto desperta curiosidade por diversos motivos – entre eles, um mistério que atravessa a narrativa: a perna cabeluda.

Em determinado momento da história, uma perna humana – grande, peluda e sem o restante do corpo – é encontrada na boca de um tubarão, o que desperta um clima de pânico em Recife, pois, além de andar sozinha pelas ruas da cidade, ela passa a atacar moradores pelas ruas.

Quem assiste sem conhecer o significado da lenda urbana pode não compreender a metáfora. A figura, no entanto, não surgiu por acaso. O diretor Kleber Mendonça Filho relatou que se inspirou em uma famosa lenda urbana de Recife.

Entenda a lenda urbana

De acordo com registros dos anos 1970, a perna cabeluda era descrita como um membro de grandes proporções, coberto de pelos, que surgia de forma isolada, projetava sombras nas paredes e atacava pessoas nas ruas. As primeiras notícias apareceram nos jornais do Recife em 1975, em pleno período da ditadura militar – década em que se passa o longa de Kleber Mendonça.

A narrativa ganhou projeção a partir do escritor e jornalista Raimundo Carrero, então redator do Diário de Pernambuco, que a publicou no jornal em 1º de fevereiro de 1976. Após a veiculação da matéria, rádios locais passaram a divulgar relatos de pessoas que afirmavam ter encontrado a criatura, fazendo com que a lenda se espalhasse e adquirisse vida própria no imaginário popular.

Anos depois, Carrero revelou que tudo começou como uma brincadeira interna entre jornalistas, conhecidos por inventar histórias improváveis. Ainda assim, estudiosos interpretam a perna cabeluda como um reflexo da violência urbana e do medo coletivo sob o regime autoritário – uma figura sem identidade, à semelhança dos ataques e abusos cometidos nas sombras naquele período.

Em entrevista ao portal Aventuras na História, em 2019, Carrero recordou como a censura influenciou sua criação:

— Durante a ditadura militar, muita coisa era proibida de ser publicada. O editor do Diário de Pernambuco, e hoje ministro do STJ, Og Marques Fernandes, pediu que criasse uma coluna policial com casos absurdos. Foi assim que a perna cabeluda nasceu.

"Raparigou ou não raparigou?"

Além da perna cabeluda, o filme também levanta uma questão que tem rendido diversos comentários nas redes sociais. Embora não seja uma fala determinante para a trama, a pergunta “raparigou ou não raparigou?”, feita pelo personagem Alexandre (Carlos Francisco) a Marcelo (Wagner Moura), tem deixado os cinéfilos cheios de dúvidas.

O termo “raparigou” é usado para se referir a traições e evoca comparações com Dom Casmurro, de Machado de Assis. A dúvida permanece: o personagem de Wagner Moura "raparigou ou não raparigou" enquanto estava casado com Fátima (Alice Carvalho)? 

Embora Marcelo, em cena, evite responder ao sogro – e aos espectadores – se traiu ou não Fátima, o roteiro do filme – lançado recentemente em livro – revela que ele admite a infidelidade, afirmando que ambos tiveram casos fora do casamento.

Diante da insistência, o personagem confirma que “raparigou” e, embora relutante com o termo, reconhece que Fátima também o fez.

Indicações ao Oscar

O Agente Secreto concorre em quatro categorias do Oscar: melhor elenco, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor filme, o prêmio mais cobiçado da cerimônia.  

GZH faz parte do The Trust Project
Saiba Mais