
A febre dos pets digitais, popularizada nos anos 1990 com o Tamagotchi, voltou em novas versões. Agora, o TikTok, uma das principais redes sociais dos jovens, aposta no próprio mascote para incentivar a interação: o "foguinho do TikTok", novo personagem virtual que "se alimenta" do contato diário entre amigos.
O recurso aparece após três a cinco dias consecutivos de troca de mensagens entre usuários no chat.
A partir daí, o "pet" começa a evoluir e mudar de cor conforme os pontos acumulados (entenda abaixo como funciona).
Manutenção do "pet"

Diariamente, o "foguinho" aparece congelado e só é aceso após uma interação entre usuários. Além da troca de mensagens, também é possível dar um nome ao recurso e desbloquear novos visuais. Abaixo, há uma projeção das cores que ele deve evoluir conforme o passar dos dias.
Para que o "pet virtual" cresça e evolua, é necessário acumular pontos. A pontuação funciona da seguinte maneira:
- 1 ponto: troca de mensagens;
- 2 pontos: cada usuário compartilha duas publicações na conversa;
- 4 pontos: troca de fotos ou vídeos.

Problema associados ao acesso recorrente
Embora o recurso aproxime usuários no TikTok, especialista alertam que o "pet" pode gerar pressão pessoal e social, criando uma sensação de obrigação. A psicóloga Paula Dias explica que o hábito pode intensificar sintomas de ansiedade e prejudicar sono e concentração.
— Para algumas pessoas, entrar todos os dias no TikTok e em redes similares pode agravar sintomas de ansiedade, além do FOMO (fear of missing out), que é a angústia de sentir que está perdendo algo no mundo digital — aponta a profissional.
Segundo ela, se o uso das redes já causa algum prejuízo, o "foguinho" pode piorar o quadro, funcionando como uma gratificação que reforça a urgência de estar conectado.
— Conteúdos curtos ativam respostas de recompensa no cérebro, liberando dopamina e trazendo a sensação de prazer instantâneo. Com o uso frequente, o cérebro se acostuma a essa gratificação rápida e passa a buscar essa sensação em outras situações — explica Paula.
Ela também alerta para impactos no foco e no comportamento:
— Podemos nos sentir entediados e desmotivados diante de tarefas simples. Se não tivermos atenção ao uso dessas plataformas, podemos acabar tendo impactos não só em tarefas mais longas que demandam concentração, mas também nas interações sociais, que nem sempre nos trarão essas sensações que o TikTok desperta no cérebro, por exemplo.
*Produção: Kimberly Barbosa
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