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Ataque em zoológico
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Homem que entrou em jaula com leoa morreu por hemorragia após ataque no pescoço, diz perícia

Segundo o laudo, o animal não comeu o corpo de homem e o ataque teria sido motivado por um grande estresse

Zero Hora

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Prefeitura de João Pessoa/Divulgação
O caso aconteceu no domingo (30), no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa.

O jovem que invadiu a jaula de uma leoa, morreu em decorrência de ferimentos na região do pescoço, segundo o Instituto de Polícia Científica (IPC). O caso aconteceu no domingo (30), no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa.

Conforme informações do g1, o corpo da vítima passou por necrópsia, que estabeleceu a causa da morte por hemorragia após ferimentos perfurantes e contundentes de vasos cervicais, localizados na região do pescoço.

Segundo o laudo, o animal não comeu o corpo de homem e apenas teria atacado após grande estresse. Além disso, um exame toxicológico foi solicitado — o resultado deve ser concluído em 45 dias.

Relembre

Gerson de Melo Machado, 19 anos, morreu após invadir a jaula de uma leoa na manhã de domingo (30). O ataque aconteceu enquanto o zoológico recebia visitantes e foi registrado em vídeo por pessoas que estavam no local.

O parque foi evacuado e segue fechado por tempo indeterminado. Segundo a prefeitura, o jovem escalou uma parede de mais de seis metros, ultrapassou as grades de segurança e usou o tronco de uma árvore interna para alcançar o interior do recinto antes de ser atacado.

A leoa, que estava deitada perto do vidro de observação, reagiu alguns segundos depois. O animal contornou a área de água e avançou, derrubando o jovem.

A Polícia Militar e o IPC foram acionados e evacuaram o local. Já a prefeitura afirma que a estrutura do recinto segue normas técnicas de zoológicos e que o acesso ao topo da jaula não é considerado simples.

Quem era o jovem morto no ataque?

Machado era conhecido como "Vaqueirinho" e, segundo a TV Cabo Branco, apresentava transtornos mentais. Ele não tinha vínculo com o zoológico e estava desacompanhado no momento da invasão.

A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o jovem durante anos, divulgou um relato sobre sua trajetória. Segundo ela, Gerson cresceu em situação de extrema vulnerabilidade, sem apoio familiar consistente, e passou parte da infância e adolescência em acolhimento institucional.

Verônica contou que conheceu Gerson quando ele tinha 10 anos, após ser encontrado caminhando sozinho na beira de uma rodovia federal. Ele foi encaminhado ao Conselho Tutelar e, a partir daí, passou a ter acompanhamento contínuo.

De acordo com a conselheira, desde a infância o jovem expressava um desejo persistente de "cuidar de leões" e chegou a tentar acessar o trem de pouso de um avião movido por essa fantasia.

A conselheira relatou que, apesar das intervenções da rede de proteção, o jovem alternava períodos no abrigo e tentativas de retornar à família, que enfrentava dificuldades para oferecer cuidados.

Estado da leoa e manejo após o ataque

A leoa, chamada Leona, estava próxima ao vidro quando percebeu a aproximação de Gerson. Segundo o veterinário do parque, Thiago Nery, ela entrou em estado de estresse e choque após o ataque, mas respondeu aos comandos do treinamento de condicionamento, permitindo que fosse direcionada de volta ao espaço de contenção sem uso de armas ou tranquilizantes, segundo o g1.

Nery explicou que o processo demorou mais que o comum devido ao nível de estresse do animal. O parque reforçou que não houve qualquer discussão sobre sacrifício da leoa e classificou o ataque como uma reação natural à invasão de território.

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