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Amigos de Marcelo VIPs dizem que golpista era um "ícone" e "foi a grande prova de que ressocializar é possível"

Marcelo VIPs morreu aos 52 anos, após complicações hepáticas decorrentes de cirurgia bariátrica realizada recentemente em Curitiba

Zero Hora

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@marcelovipsoficial / Instagram/Reprodução
Famoso por suas prisões, fugas e golpes, Marcelo deixa história marcante de ressocialização.

A morte de Marcelo Nascimento da Rocha, nesta terça-feira (9) em Curitiba (PR), gerou comoção de amigos nas redes sociais. Conhecido como Marcelo VIPs, ele era apontado como um dos maiores golpistas do Brasil.

Segundo confirmação dada ao jornal O Globo pelo advogado e amigo Nilton Ribeiro, ele havia passado por cirurgia bariátrica e morreu em decorrência de complicações hepáticas. Outro amigo, Roberto Bona, lamentou a morte nas redes sociais, afirmando que ele "foi a grande prova de que a ressocialização é possível".

"Aquele que fez muita coisa errada na vida, mas que soube aproveitar as novas chances e escrever outra história. Descanse em paz, meu amigo. Obrigado por tudo. Meus sentimentos a toda família", lamentou Bona.

Marcelo VIPs ganhou notoriedade em 2001, quando, diante das câmeras, se passou por Henrique Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas, concedendo entrevistas como se fosse o empresário, episódio que o projetou para o país inteiro.

Golpes e fugas

A série de golpes e fugas de Rocha inspirou o filme "VIPs – Histórias reais de um mentiroso", estrelado por Wagner Moura e lançado em 2010. A produção atraiu cerca de 600 mil espectadores e recebeu quatro prêmios no Festival do Rio.

No lançamento do filme, o ator comentou ao Globo que via no personagem traços de sua própria juventude. 

Eu era problemático como o Marcelo do filme, só que menos emo. Vivia muitos conflitos internos. 

No longa, Moura interpreta o impostor que se fez passar por executivo de multinacional, piloto de avião e até líder do tráfico. Apaixonado por aviação, o ator chegou a pilotar a aeronave utilizada no longa.

Durante as filmagens, Marcelo cumpria pena na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde ficou por quatro anos até obter progressão de regime, em 2014. Como não havia estabelecimento destinado ao semiaberto, ele passou para prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.

Em 2018, foi novamente preso, acusado de falsificar documentos para conseguir uma nova progressão. Ao longo da vida, acumulou condenações por associação ao tráfico, roubo de aeronave, estelionato e falsidade ideológica. Foi detido ao menos 12 vezes e protagonizou seis fugas.

Após deixar a prisão em definitivo, ele tentou reconstruir sua vida, passando a trabalhar como palestrante e escritor, refletindo sobre a própria trajetória — marcada pela audácia, pelas múltiplas identidades e por sucessivas quedas.

Quem era Marcelo VIPs

Marcelo Nascimento da Rocha nasceu em Maringá em 19 de março de 1976, filho de Josélia Nascimento e Aparecido Hildo da Rocha. Nas décadas de 1990 e 2000, atuou como piloto de avião para o narcotráfico e se tornou um dos golpistas mais conhecidos do país. Além do golpe mais célebre — quando se passou pelo proprietário da Gol — também fingiu ser guitarrista dos Engenheiros do Hawaii e representante do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante uma rebelião.

Após o divórcio dos pais, em 1984, passou a alternar sua vida entre o Paraná e uma fazenda em Rondônia, onde o pai havia se estabelecido. Em seu livro, relata que a morte do pai, vítima de infarto alguns anos depois, o levou a buscar "aventuras" e a "conhecer o mundo". Sem dinheiro, começou então a aplicar golpes para viabilizar suas viagens.

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