Viral

Em São Paulo
Notícia

O que se sabe sobre a explosão no Tatuapé que destruiu casa, deixou um morto e feriu 10 pessoas

Imóvel armazenava fogos de artifício de forma clandestina; corpo encontrado nos escombros pode ser do morador, já investigado por envolvimento com balões

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

Enviar email
Ler resumo

Sem tempo? Resumimos para você

  • Explosão em casa no Tatuapé, São Paulo, deixou dez feridos e uma pessoa morta; imóvel virou escombros.
  • Residência armazenava fogos de artifício irregularmente; polícia investiga se isso causou o acidente.
  • Impacto destruiu carros, quebrou vidros e levou à interdição de 23 imóveis em três quarteirões.
  • Morador Adir Mariano é suspeito de ser a vítima fatal; família aguarda confirmação do IML.
  • O caso envolve suspeita de crime ambiental e fabricação ilegal de fogos; perícia ainda analisa o local.
Esse resumo foi útil?
Fabio Rubemar / Reprodução/Instagram
Uma foto feita por um dos moradores registrou o momento em que a explosão formou uma espécie de "nuvem cogumelo".

A explosão que atingiu a Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, em São Paulo, na noite de quinta-feira (13), transformou uma casa em escombros, deixou dez pessoas feridas e provocou a morte de uma pessoa ainda não identificada oficialmente.

Entre os feridos que precisaram ser atendidos em hospitais, há uma mulher com traumatismo craniano, um homem ferido na mão, outro com sangramento no ouvido e um jovem de 19 anos com escoriações. 

Outras seis pessoas tiveram ferimentos leves, mas não precisaram ser encaminhadas para unidades de saúde. O impacto se espalhou por três quarteirões, quebrou janelas, destruiu carros e levou a Defesa Civil a interditar 23 imóveis. A seguir, veja o que já se sabe sobre o episódio.

Residência armazenava fogos de artifício

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a residência armazenava fogos de artifício de forma clandestina, e essa é a principal linha de investigação da Polícia Civil. A ocorrência mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Técnico-Científica e das delegacias da região.

Entre os destroços, peritos encontraram um corpo carbonizado. A suspeita é de que a vítima seja o morador, Adir de Oliveira Mariano, 46 anos, que não foi localizado após a explosão e aparece como investigado no inquérito. 

O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) ainda está em elaboração, segundo o g1.

Quem era o morador da casa

A polícia confirmou que Adir Mariano vivia na residência onde a explosão ocorreu. Essa mesma informação foi repassada pela advogada de seu irmão, Alessandro de Oliveira Mariano. A família, porém, afirma não saber oficialmente se Adir é a vítima encontrada entre os escombros. A confirmação depende do exame realizado pelo IML.

Adir já havia sido investigado há 14 anos, em São José dos Campos, por envolvimento com balões que utilizavam fogos de artifício. Ele e outras cinco pessoas foram detidas enquanto corriam atrás de um balão que havia caído na região, prática que configura crime ambiental. Todos foram absolvidos em 2015 por falta de provas.

Mesmo assim, publicações feitas por Adir em 2017 mostram que o interesse pela prática se manteve. Em homenagem a um conhecido, escreveu: 

"Poucos vão entender q por traz de papel cola vela e fogo existe algo inesplicavel [sic] um sentimento de adoração e necessidade q nos leva a um lugar único e a explicação é q é um dom q Deus nos abençou (fica a saudade mais também fica a alegria de saber q foi uma pessoa especial q foi selecionada por Deus pra ter o dom desta arte) descanse em paz". Para investigadores, a postagem faz referência direta à fabricação e soltura de balões.

O que diz o irmão de Adir

O imóvel estava em nome de Alessandro, que foi ouvido pela Polícia Civil. Segundo sua advogada, ele havia alugado a casa há cerca de nove anos, mas não morava mais no local e não falava com Adir havia sete anos. Havia movimentação de caixas no local, mas os vizinhos não desconfiavam que se tratava de fogos de artifício.

A defesa afirma que Alessandro soube recentemente, por terceiros, que o irmão estava residindo no imóvel, mas não explicou o porquê de ainda estar vinculado ao seu nome. A família diz aguardar a confirmação oficial do IML para saber se o corpo encontrado é realmente de Adir, segundo o g1.

"Só para fins de esclarecimentos, senhor Alessandro foi locatário do imóvel há cerca de 9 anos, mas não residia lá atualmente. Só tendo tomado conhecimento que o senhor Adir residia lá recentemente através de conhecidos", informou a advogada por meio de nota.

O que motivou a explosão, segundo a polícia

A Secretaria da Segurança Pública informou que o imóvel armazenava fogos de artifício de maneira clandestina. O Corpo de Bombeiros reforçou que havia "evidências claras" de materiais usados especificamente em balões, o que coincide com o histórico atribuído ao morador.

Os policiais trabalham com a hipótese de que esses artefatos tenham provocado a explosão, embora o laudo oficial ainda não esteja concluído.

O caso foi registrado no 30º Distrito Policial como explosão, crime ambiental por fabricar, vender ou soltar balões, e lesão corporal. A perícia tenta determinar se havia fabricação de fogos no local, de onde vinham os materiais e qual foi o ponto inicial da detonação.

Destruição na vizinhança

A explosão ocorreu por volta das 19h45min. O deslocamento de ar destruiu carros estacionados, quebrou vidros de prédios e lançou estilhaços por todo o quarteirão. Moradores relataram que o clarão foi tão intenso que parecia um "show de fogos" no momento do estrondo.

Imagens de câmeras de segurança mostram uma nuvem de fumaça subindo rapidamente enquanto fogos estouravam próximos a casas e edifícios. Uma foto feita por um dos moradores registrou o momento em que a explosão formou uma espécie de "nuvem cogumelo".

Equipes do Corpo de Bombeiros encontraram pedaços de muro, madeira e vidro espalhados pela rua. Viaturas foram acionadas para atender os feridos, todos com lesões leves. Um raio de três quarteirões a partir do ponto da explosão teve imóveis prejudicados.

A Defesa Civil municipal interditou 23 residências nos arredores por risco estrutural, e os moradores foram realocados para casas de parentes enquanto peritos avaliam cada endereço. Apenas a Rua Francisco Bueno, onde aconteceu a explosão, permanece interditada. Prédios próximos tiveram janelas estilhaçadas e alguns apartamentos registraram rachaduras internas.

Fique por dentro do que é notícia no RS, no Brasil e no mundo: baixe o app de GZH e acompanhe a Rádio Gaúcha de graça no seu celular

GZH faz parte do The Trust Project
Saiba Mais
Mais sobre: