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Empresário morto em Interlagos: polícia tenta identificar autor do crime em SP cinco meses depois

Tecnologia israelense é usada para tentar recuperar mensagens e vídeos apagados de celulares e computadores

Zero Hora

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Facebook/Reprodução
Corpo de Adalberto Amarilio estava em buraco com aproximadamente três metros de profundidade.

Cinco meses após o corpo do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Junior, 35 anos, ter sido encontrado num buraco no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ainda tenta descobrir quem cometeu o crime e o que motivou a morte, sem suspeitos identificados. 

A investigação segue aberta e sem autoria definida. O laudo da Polícia Técnico-Científica confirmou que Adalberto morreu por asfixia, mas ainda não há precisão sobre o tipo, se provocada por esganadura ou compressão torácica. 

Escoriações no pescoço e lesões no tórax indicam que a vítima pode ter sido pressionada com força durante uma briga. Veja a seguir o que a polícia ainda tenta entender sobre o caso.

O crime

Adalberto desapareceu em 30 de maio, após participar de um festival de motociclismo no autódromo. O corpo foi encontrado três dias depois, em 3 de junho, por um funcionário de uma obra dentro do complexo esportivo.

A vítima estava sem calça e sem tênis, vestindo jaqueta, camiseta e cueca. O capacete estava sobre o corpo, mas sem a câmera que ele usava para gravar vídeos do evento, equipamento que nunca foi localizado.

O buraco onde Adalberto foi deixado tinha cerca de três metros de profundidade e 70 centímetros de diâmetro. A polícia acredita que ele tenha sido colocado no local após o crime.

A principal hipótese dos investigadores é de que o empresário tenha discutido com seguranças após acessar uma área restrita do kartódromo. A briga pode ter resultado em agressões fatais. No entanto, não está descartada a participação de mais pessoas, incluindo frequentadores do festival, que reuniu milhares de visitantes.

Tecnologia usada para recuperar dados

Para tentar identificar os responsáveis, o DHPP utiliza o software israelense Cellebrite, capaz de recuperar dados apagados de celulares e computadores. A tecnologia está sendo usada para extrair informações de 15 telefones e três computadores apreendidos, pertencentes à vítima, a um amigo e a seguranças e organizadores do evento.

Com custo superior a R$ 11 milhões, o programa consegue acessar conversas de aplicativos, fotos, vídeos, áudios e dados de geolocalização. Os relatórios, elaborados pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), ainda não foram concluídos. Nenhuma das pessoas que teve aparelhos apreendidos é tratada como suspeita formal, segundo o g1.

Empresas de segurança são investigadas

Duas empresas de segurança privada atuaram no evento. Uma delas informou ter disponibilizado 13 seguranças para o trabalho, enquanto a outra afirmou ter destacado 188 funcionários.

Durante a apuração, a polícia constatou que dois nomes não constavam na lista oficial enviada por uma delas. Com autorização judicial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da empresa e em residências de funcionários.

Em uma das ações, um segurança praticante de jiu-jítsu foi detido por posse irregular de munições calibre 38. Ele pagou fiança de R$ 1,8 mil e responde em liberdade. O homem tem antecedentes por furto, associação criminosa e ameaça, mas não há comprovação de ligação com a morte do empresário.

Câmeras e depoimentos

Imagens de câmeras de segurança mostram Adalberto entrando e caminhando pelo evento, mas não registram nenhuma briga ou momento de conflito. O carro dele foi localizado no estacionamento do kartódromo.

O DHPP já ouviu mais de 15 pessoas, entre familiares, amigos, representantes das empresas de segurança e administradores do autódromo. O inquérito principal já passa de 300 páginas, com dois procedimentos paralelos.

A esposa de Adalberto, que acompanha as investigações desde o início, afirmou em depoimento que vive um "pesadelo sem respostas" e cobra a conclusão das perícias. O empresário era dono de uma rede de óticas e não tinha filhos.

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