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Chuva de meteoros hoje? Pico será nesta semana; veja quando e como observar

Fenômeno ligado ao cometa Halley promete até 20 meteoros por hora e será favorecido pela Lua Nova

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

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Observatório Espacial Heller & Jung/Divulgação
Registros sobrepostos dos meteoros registrados durante o pico da chuva Oriônidas em duas câmeras do Observatório Espacial Heller & Jung, em 2021.

A chuva de meteoros Orionídeas vai atingir seu ponto máximo na madrugada de quarta (22) e quinta-feira (23), iluminando o Brasil. O fenômeno, que poderá ser observado a partir da noite desta terça-feira (21), será visível também no Rio Grande do Sul, sob boas condições de céu limpo e boa luminosidade.

Segundo o professor Carlos Fernando Jung, do Observatório Heller & Jung, em Taquara, a chuva deve produzir meteoros rápidos e brilhantes, que entram na atmosfera a velocidades de até 66 quilômetros por segundo.

— Todos os anos, quando a Terra cruza essa trilha de detritos, essas pequenas partículas entram na atmosfera, gerando a chuva de meteoros. São rápidos e brilhantes, muitas vezes com trilhas persistentes — destaca.

Qual é o melhor horário para observar?

O melhor horário para observar o fenômeno é da meia-noite até o amanhecer. A constelação de Órion, o Caçador, é a referência visual: ela surge no horizonte leste e permanece visível durante boa parte da madrugada. É daí que vem o nome dessa chuva de meteoros.

— As Orionídeas são uma chuva de meteoros que é um fenômeno em que várias partículas cósmicas (meteoroides) entram na atmosfera terrestre em alta velocidade, se aquecem pelo atrito com o ar e produzem um alto brilho fugaz que chamamos de meteoro — afirma o professor.

Quando ela ocorre, os fragmentos parecem "nascer" de um ponto fixo no céu, o que é chamado de radiante. No caso das Orionídeas, o ponto está localizado na direção de Órion, próximo da estrela Betelgeuse, uma das mais brilhantes da constelação.

O mesmo princípio vale também para outras chuvas de meteoros: por exemplo, as Perseidas têm radiante em Perseu, e as Geminídeas, em Gêmeos. É uma forma tradicional usada pelos astrônomos para identificar a origem aparente dos fenômenos no firmamento.

Neste ano, as condições de observação estão favoráveis. Isso porque o pico da chuva coincide com a Lua Nova, apenas 2% iluminada e se pondo no início da noite, o que garante céu escuro durante toda a madrugada. Sob essas circunstâncias, deve ser possível registrar de 15 a 20 meteoros por hora.

— É uma taxa média de 20 meteoros por hora, em condições ideais — acrescenta Jung.

Como observar?

A observação das Orionídeas não exige equipamentos. Basta um local aberto, com horizonte desobstruído e baixa poluição luminosa. Lugares afastados das cidades, como campos, praias e áreas rurais, oferecem melhor visibilidade.

O ideal é chegar com antecedência e permanecer alguns minutos no escuro para que os olhos se adaptem à luminosidade. Binóculos ou telescópios não são necessários — e podem até limitar o campo de visão.

Dicas para aproveitar o espetáculo

  • Melhor horário: entre meia-noite e o amanhecer de quarta (22) e quinta (23);
  • Direção: olhar para o leste, onde surge a constelação de Órion, próxima da estrela Betelgeuse;
  • Condições ideais: locais sem luz artificial, céu limpo e horizonte aberto;
  • Equipamentos: observação a olho nu é suficiente;
  • Paciência: espere de 15 a 20 minutos até que os olhos se acostumem à escuridão.

A origem é o cometa Halley

As Orionídeas são causadas pela passagem da Terra através de fragmentos deixados pelo cometa Halley, que completa uma volta ao redor do Sol a cada 75 a 76 anos. 

Quando esses pequenos detritos entram em contato com a atmosfera terrestre, queimam rapidamente e produzem os rastros luminosos conhecidos como "estrelas cadentes".

O fenômeno se repete todos os anos, entre 2 de outubro e 12 de novembro, período em que o planeta cruza a trilha mais densa de partículas do cometa. As Orionídeas são, inclusive, a segunda chuva associada ao Halley. A primeira é a Eta Aquáridas, que ocorreu em maio.

— A órbita da Terra ao redor do Sol intercepta o mesmo rastro de partículas deixado pelo cometa Halley, esse rastro permanece no espaço, criando uma "corrente de detritos" que a Terra atravessa sempre no mesmo período do ano. Neste período aumenta a entrada deles na Terra porque ao passarem próximos são atraídos — diz o coordenador do Observatório Heller & Jung.

Quais as chuvas de meteoros que restam em 2025?

Foram 12 chuvas de meteoros consideradas relevantes neste ano, segundo o Observatório Real de Greenwich. As informações são do g1. Veja as que restam:

  • Orionídeas: ativa de 2 de outubro a 7 de novembro, com pico em 22 de outubro
  • Tauridas: ativa de 10 de setembro a 20 de novembro, com pico de visualização em 10 de outubro, registrando até cinco meteoros por hora
  • Leônidas: ativa de 6 a 30 de novembro. O pico para visualização do fenômeno será em 17 de novembro, com até 15 meteoros por hora
  • Geminídeas: ativa de 4 a 20 de dezembro. O pico para a visualização do fenômeno é 14 de dezembro, com registros de 120 meteoros por hora
  • Úrsidas: ativa de 17 a 26 de dezembro. O pico para visualização do fenômeno acontece em 22 de dezembro, com estimativa de 10 de meteoros por hora
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