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"Casas-caixão"? Como são os microapartamentos de Hong Kong

A crise de moradia na cidade é levada ao extremo, forçando milhares de pessoas a viverem em cubículos menores do que celas de prisão

Zero Hora

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TTstudio/stock.adobe.com
Cidade conhecida pelos enormes arranha-céus tem problemas graves de moradia.

Hong Kong é um centro financeiro global que ostenta uma paisagem impressionante, dominada por arranha-céus de luxo. No entanto, o cartão-postal esconde uma crise habitacional. Com uma das maiores densidades populacionais do mundo (cerca de 7.044 habitantes por km²), o desafio de encontrar uma moradia deu lugar a um estilo de vida desafiador: residir nos chamados “casas-caixão” ou "apartamentos-caixão".

O repórter Rodrigo Carvalho, em reportagem exibida no Fantástico deste domingo (19), visitou essas habitações e expôs a dimensão do problema. Com 1,89m de altura, o jornalista demonstrou a limitação do espaço. Segundo ele, a área deste tipo de moradia é menor que um caixão padrão para uma pessoa do seu tamanho, que teria aproximadamente 2m x 70cm.

Apesar das dimensões minúsculas, esses locais servem como moradia completa, não apenas para dormir. Cada espaço precisa acomodar o morador e todos os seus pertences. Muitos desses microapartamentos não possuem licença ou registro formal, e as condições precárias são comuns: a maioria não tem janelas, e contam frequentemente com banheiros improvisados e cozinhas pequenas e compartilhadas. 

A situação é tão crítica que o local é menos espaçoso do que uma cela solitária na prisão da cidade, que chega a ser cinco vezes maior que este tipo de residência.

Vida dentro dos "casas-caixões"

Apesar do tamanho minúsculo, o custo da moradia é elevado. A senhora Lee, que tenta reconstruir a vida com sua cachorrinha Bibi, em meio a objetos empilhados, paga cerca de R$ 1,4 mil mensais por um cubículo. 

— É devastador. Sinto falta da minha casa, do mundo em que eu vivia quando era criança — revelou à reportagem do Fantástico.

A crise atinge diferentes perfis: idosos, trabalhadores da construção civil, pessoas demitidas e muitos solteiros mais velhos. O convívio nesses espaços superlotados é de isolamento, como resume o trabalhador Gam-Tin Ma

— Somos apenas pessoas desconhecidas no mesmo espaço. Nem amigos, nem inimigos.

A situação não é muito melhor para quem consegue sair de lá, o senhor Tang até tem um espaço maior — ele divide um quarto de nove metros quadrados —, mas ainda sonha com o básico: 

— Um banheiro onde eu possa entrar de frente. Uma cozinha. Um espaço para colocar uma cadeira e uma mesa ao lado da cama.

Raízes do Problema

Hong Kong, embora com densidade habitacional semelhante a metrópoles como São Paulo (8.220/km²) e Rio de Janeiro (5.490/km²), que também enfrentam problemas de moradia, levou a crise habitacional a um extremo. Especialistas ouvidos pelo Fantástico apontam uma combinação de especulação imobiliária desenfreada com a precarização do trabalho como as principais explicações para essa situação.

Hong Kong é notória por seu mercado imobiliário de altíssimo luxo, onde o metro quadrado é um dos mais caros do mundo. Somado a isso, o crescimento muito rápido, os baixos salários baixos e um custo de vida elevado fecham o cerco sobre a população de baixa renda.

A professora Betty Xiao Wang, da Universidade de Hong Kong, explica que o fenômeno dos microapartamentos é uma solução diferente para um problema global

— Em outras grandes cidades, há moradores de rua. Aqui, eles vivem nessas casas-caixão. Se o governo proibisse, onde ficariam?

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