
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira (30) que a Polícia Federal irá investigar as intoxicações por metanol em São Paulo. Desde o dia 15 de setembro, três pessoas morreram e seis casos foram confirmados. Outros dez estão em investigação, também na capital paulista.
— Na segunda-feira, determinamos ao doutor Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que abrisse um inquérito policial para verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição que ao tudo indica transcende o limite de um único estado. Tudo indica que há distribuição para além o Estado de São Paulo — afirmou o ministro.
Ainda conforme Lewandowski, o número elevado de intoxicações por metanol "foge do tipo de padrões comuns", pois, segundo ele, normalmente ocorre a ingestão desta substância por pessoas em situações de vulnerabilidade.
Mortes em SP
Conforme a Secretaria da Saúde de São Bernardo do Campo, o primeiro caso é de um homem de 38 anos que morreu em 24 de setembro, no Hospital de Urgência. O segundo é de um homem de 45 anos, que faleceu em 28 de setembro, atendido na rede particular.
Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde informou que a vítima foi um homem de 54 anos, morador da zona leste da Capital, que apresentou sintomas em 9 de setembro e morreu no dia 15.
A Prefeitura de São Bernardo destacou que ainda são aguardados exames para confirmar a contaminação por metanol e que, por respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mais detalhes não serão divulgados.
Sintomas e atendimento
O Ministério da Saúde deve publicar uma nota técnica definindo o que é um caso suspeito — ou não, além de esclarecer os sintomas para orientar os profissionais de saúde, na intenção de ajudá-los a identificar os casos e sobre como agir nessas situações.
— O país costuma ter 20 casos por anos de intoxicação por metanol. A partir de setembro, foi quase metade das notificações que costumam ter no ano e concentrado apenas em São Paulo, o que chama a atenção — destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
De acordo com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, bares, distribuidoras e demais estabelecimentos devem redobrar a atenção quanto à procedência das bebidas comercializadas.
Os principais sintomas de intoxicação por metanol incluem:
- ataxia (perda de coordenação motora)
- sedação e desinibição
- dor abdominal, náuseas e vômitos
- dor de cabeça
- taquicardia
- convulsões
- visão turva ou perda visual progressiva
Esses sinais costumam se manifestar principalmente após o consumo de bebidas de procedência desconhecida ou suspeita.
Em casos de suspeita de envenenamento, é fundamental buscar atendimento médico de emergência imediato. A população pode localizar os serviços de saúde mais próximos por meio das plataformas oficiais do governo estadual.
O que é metanol?
O metanol é um tipo de álcool usado como solvente em processos industriais. Mesmo em pequenas quantidades, a substância é tóxica ao ser humano, podendo causar dores abdominais, cegueira permanente, coma e até a morte. É uma versão mais barata e perigosa do etanol, o álcool resultante da fermentação de frutas e cereais, como no vinho e na cerveja.
O álcool etílico é o único tolerado pelo corpo humano, desde que não seja em quantidades excessivas. Também é o mesmo usado em alguns combustíveis e produtos de limpeza – porém, nesses casos, o etanol é misturado a outras substâncias impróprias para o consumo.
Milhares de casos de intoxicação por metanol são registrados todo ano, conforme levantamento da instituição Médicos sem Fronteiras. A taxa de mortalidade é de 20% a 40%, dependendo da quantidade ingerida, do tempo de resposta e do tratamento administrado.
Produtores clandestinos adicionam metanol para deixar as bebidas mais fortes e aumentar o rendimento a baixo custo. Um dos perigos é que os dois tipos de álcool apresentam gostos parecidos, e os sintomas de envenenamento podem demorar de 12 horas a 24 horas para se manifestarem. Ou seja, é difícil saber, no ato, que a contaminação está acontecendo.
O que acontece no envenenamento por metanol
O que começa como uma aparente embriaguez comum, com sonolência ou náusea, pode piorar. Santos alerta que o maior risco está no momento em que o corpo começa a metabolizar a bebida:
— No organismo, o metanol será convertido em outra substância, o ácido fórmico. Esta conversão leva a efeitos mais graves, como acidose metabólica. Há uma descompensação no que chamamos de equilíbrio ácido-base no organismo, podendo ser caracterizada por um sangue com pH mais ácido. Se tal situação não é revertida, o quadro torna-se incompatível com a vida.
Entre as consequências da ingestão de metanol estão danos no trato gastrointestinal, cegueira, convulsões e falência renal. Sem o tratamento rápido e adequado, pode levar à morte.
Como evitar e tratar o envenenamento por metanol
Em caso de intoxicação, é fundamental procurar ajuda profissional quanto antes. O tratamento é feito com ingestão controlada de etanol, que funciona como um antídoto contra o metanol. O processo precisa ser feito em ambiente hospitalar.
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