
As autoridades da Argentina se mobilizam para esclarecer um crime brutal na Grande Buenos Aires. Os corpos de três jovens foram encontrados enterrados no quintal de uma casa em Florêncio Varela na quinta-feira (25).
Elas foram identificadas como Morena Verri, de 20 anos, Branda Del Castillo, 20, e Lara Morena Gutiérrez, 15. Além da morte das jovens, o que chama a atenção é que elas foram torturadas e assassinadas durante uma transmissão ao vivo no Instagram.
O crime teria relação com o tráfico de drogas e foi assistido por cerca de 45 pessoas, conforme o ministro da Segurança da Província de Buenos Aires, Javier Alonso. Os espectadores são todos membros de uma facção criminosa que atua no sul da capital da Argentina e em áreas da Região Metropolitana.
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O que se sabe sobre o crime?
Como ocorreu?
As investigações preliminares indicam que as jovens foram vítimas de uma armadilha. O jornal Clarín informa que elas foram convidadas para uma festa, em que cada uma receberia US$ 300 (cerca de R$ 1600) para comparecer.
O evento era falso e foi utilizado apenas para atrair as meninas, revelou o ministro Alonso. O trio aceitou o convite e foi visto pela última vez na noite de sexta-feira (19), quando embarcaram em uma caminhonete branca no bairro La Tablada — cerca de 20 quilômetros ao sul de Buenos Aires.
— Elas estavam caindo em uma armadilha organizada por uma organização transnacional de tráfico de drogas que havia planejado uma estratégia para assassiná-las — afirmou Alonso.
As meninas foram torturadas antes de serem assassinadas. Mais jovem do grupo, Lara teve os cinco dedos da mão esquerda e parte de uma orelha amputados ao vivo.
Brenda foi esfaqueada mais de uma vez e teve seu abdômen aberto e exposto ao vivo durante a transmissão. Ela foi vítima de um golpe contundente no rosto, que causou afundamento do crânio.
Morena sofreu ferimentos no rosto e uma lesão grave na cervical. Após as torturas, elas foram amordaçadas, amarradas pelos pés e mãos e enterradas.
Local
Morena, Brenda e Lara foram levadas até um casa no cruzamento das ruas Río Jáchal e Chañar, no bairro Mayol, em Florêncio Varela. A residência pertence a um casal que integra uma facção criminosa com forte atuação no tráfico de drogas na região sul de Buenos Aires.
Motivação
Segundo o ministro da Segurança da Província de Buenos Aires, as meninas tinham vínculo com lideranças da facção. O chefe do grupo, um peruano identificado como "Pequeno J" e Julito, acusa as jovens de terem lhe roubado.
Durante a transmissão do assassinato das jovens, segundo Alonso, o líder do grupo, inclusive, teria mencionado um possível furto de drogas enquanto as meninas eram torturadas.
— Isso acontece com quem rouba as minhas drogas.
As autoridades trabalham com duas possibilidades a partir desta frase: que as meninas tenham roubado um quantidade de cocaína do grupo ou que tenham desviado dinheiro da facção.
As investigações preliminares apontam que o crime foi cometido para mandar um recado de "disciplina" aos demais membros da facção, além de punir o trio.
Premeditado
O assassinato teria sido planejado pelo grupo. Dois membros da facção teriam cavado os buracos onde as meninas foram enterradas ainda na quinta-feira (18) – dia que antecedeu o crime, de acordo com o Clarín.
Prisões
A descoberta do crime mobilizou uma operação policial, que começou na quarta-feira (24). Os dois donos da residência onde as meninas foram assassinadas foram presos.
Além deles, outras 10 pessoas também foram detidas até o momento. Ainda não há confirmação se Julito, líder da facção, foi preso.
Quem são as vítimas?
Brenda Castillo tinha 20 anos. Ao jornal La Nación, a família a descreveu como uma jovem dedicada aos cuidados do filho pequeno.
Morena Verri era prima de Brenda. Em entrevista ao La Nacion, o avô das jovens deu relato emocionado:
— Minha esposa chora, minha filha chora. Não conseguimos parar de chorar. Brenda e Morena estavam sempre brigando para ver quem carregaria a alça do meu caixão. E agora eu tenho que carregar a alça do caixão — disse.
Mais jovem do grupo, Lara Gutiérrez tinha apenas 15 anos. Ela foi a vítima que mais sofreu torturas, conforme as autópsias. Sua irmã, Agostina, relatou que um sua casa foi alvo de um ataque a tiros após o crime, conforme o g1.
Protestos
Milhares de pessoas foram às ruas na quarta-feira para protestar contra o crime e cobrar justiça pelas vítimas. Organizações políticas e sociais convocaram uma marcha no sábado no centro de Buenos Aires com o slogan "não há vítimas boas ou ruins, há feminicídios. Nenhuma vida é descartável".
Mãe de Brenda, Paula exigiu justiça pela morte da filha:
— Mataram minha filha. Exijo justiça para minha filha, que todos que têm que pagar paguem. Tiraram minha filha de mim, ela era uma boa menina. Nenhuma dessas três meninas merecia acabar como acabaram — declarou em lágrimas à imprensa local.