
Em depoimento à CPI do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, preso pela Polícia Federal nas investigações sobre a fraude na Previdência, afirmou que o "Careca do INSS" é um personagem fictício e negou ter qualquer relação com o poder público.
— Jamais fui esse personagem fictício, o chamado Careca do INSS. Rótulo criado pelo senhor Eli Cohen, que induziu pessoas de bem, veículos de comunicação respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade a acreditar em uma narrativa fantasiosa — disse Antunes.
Definindo-se como um "empreendedor nato", o empresário afirmou ter conquistado sucesso sem recorrer a fraudes.
— Toda minha prosperidade é fruto de trabalho honesto e dedicado. Nunca possui patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita — completou.
Respondendo aos parlamentares, o empresário negou as denúncias feitas pelo advogado Eli Cohen, que já depôs à CPI e acusou associações envolvidas na fraude. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que vai pedir uma acareação entre Cohen e Antunes.
— Eu topo acareação com quem quer que seja — respondeu o empresário.
Como surgiu o apelido
Antunes é apontado como lobista e operador financeiro das entidades envolvidas. No LinkedIn, ele se apresenta como executivo do setor de saúde, com passagens por laboratórios e planos de saúde.
O suspeito aponta ter sido superintendente de marketing e comercial, além de diretor de uma empresa de consultoria ligada à indústria farmacêutica.
Em 2022, chegou a doar R$ 1 para a campanha de Jair Bolsonaro (PL), conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O CPF usado na doação é o mesmo citado nas decisões da Justiça Federal sobre a investigação.
Como funcionava o esquema
Segurados tinham mensalidade descontada por entidades que representam aposentados e pensionistas conveniados com o INSS em troca de benefícios, como auxílio funerário, odontológico e psicológico, além de colônias de férias, academia e consultoria jurídica. Isso ocorria de forma regular, desde que o beneficiário estivesse de acordo e a conveniada agisse conforme a lei. No entanto, alguns aposentados e pensionistas do INSS tinham descontos mensais indevidos.
O valor seria cobrado como se eles fossem membros regulares de associações de aposentados e estivessem cientes dessas retiradas de valores. No entanto, eles não haviam se associado e sequer autorizado esses descontos.
O esquema era amplo e envolvia corretores, associações de aposentados e o vazamento de informações pessoais de segurados. A prática fraudulenta foi detalhada em uma série de reportagens do Grupo de Investigação da RBS (GDI).
Durante a operação inicial, em abril, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado e posteriormente demitido do cargo. Além dele, outros cinco servidores públicos — a maioria com vínculos diretos com o instituto — também foram afastados de suas funções.