
O Ministério Público da Paraíba (MP-PB) investiga não só o influenciador Hytalo Santos, mas também pais de crianças e adolescentes que participam de seus vídeos. O assunto tomou as redes sociais após um vídeo publicado pelo youtuber Felca, denunciando o conteúdo do influenciador.
A suspeita da investigação é de que os responsáveis possam ter se omitido na proteção dos filhos diante de exposições consideradas indevidas, com potencial para causar danos.
As apurações também verificam se familiares de jovens que aparecem nas produções receberam vantagens, como celulares, pagamento de aluguel e custeio de mensalidades escolares.
Há relatos de que parte desses adolescentes foi emancipada, o que lhes deu autonomia legal para participar das gravações mesmo antes da maioridade.
Segundo o promotor João Arlindo Côrrea, essa possível ligação entre benefícios e emancipação ainda é difícil de comprovar, em função do consentimento dos responsáveis.
Perfil retirado do ar
Natural de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, Hitalo José Santos Silva, 28 anos, mais conhecido como Hytalo Santos, teve a conta no Instagram desativada na última sexta-feira (8).
A medida ocorreu dias depois de Felca publicar um vídeo o acusando de explorar menores em seus conteúdos digitais. As denúncias apontam que o influenciador sexualiza publicações com adolescentes, incluindo cenas gravadas dentro de sua casa.
Entre os jovens que aparecem com frequência está uma adolescente de 17 anos, presente nos vídeos desde os 12, e com mais de 10 milhões de seguidores no Instagram. Felca, nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, 27 anos, classificou o conjunto das postagens como um "circo macabro".
O vídeo com as denúncias, publicado em 7 de agosto, ultrapassou 31 milhões de visualizações. A repercussão fez o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que pretende pautar projetos voltados à proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais.
Investigação criminal e inquéritos paralelos
O MP+PB abriu a investigação contra Hytalo no fim de 2024, após denúncias anônimas sobre possíveis casos de exploração de crianças e adolescentes.
A partir do procedimento administrativo, foi solicitada a abertura de inquérito policial para apurar a conduta do influenciador na esfera criminal.
Além do inquérito conduzido em João Pessoa, há uma apuração paralela em Bayeux, sob responsabilidade da promotora Ana Maria França, que também trata da exposição de menores em conteúdos digitais.
Segundo o MP, cerca de 17 adolescentes emancipados participaram das produções. Grande parte deles já foi ouvida.
Empresa de rifas na mira
O influenciador também é alvo de uma recomendação do Ministério Público da Paraíba, Ministério Público do Trabalho e Polícia Civil, para suspender sua empresa de rifas e sorteios.
Segundo os órgãos, imagens de menores teriam sido usadas de forma irregular para promover os prêmios.
O documento cita indícios de exploração de trabalho infantil, "adultização" de adolescentes para fins lucrativos, riscos psicológicos e falta de mecanismos de proteção adequados.
A suspensão foi solicitada para ocorrer em até 48 horas, até decisão judicial ou comprovação de que as irregularidades cessaram.
Defesa e contrapontos
Em um perfil alternativo no Instagram, Hytalo afirmou que a investigação é antiga e que tem colaborado com as autoridades:
— Saiu como se fosse uma coisa de agora, mas não é. A gente coopera com o Ministério Público. Algumas pessoas não entendem, a gente tem uma família, mas não é uma família padrão — declarou.
A empresa Meta, controladora do Instagram, disse que não comenta casos de contas específicas. Já a defesa de Hytalo não foi localizada.
