
Indignação infantil, uma ideia e vontade de empreender. Estes três elementos foram fundamentais para que Daniele De Mari criasse um sistema engenhoso usado para acompanhar o paciente que faz um eletroencefalograma desde a sua entrada no hospital até o fim da consulta.
A Neurogram é uma startup cujo objetivo é centralizar e digitalizar toda a jornada do EEG — exame que mede a atividade elétrica do cérebro —, desde a coleta dos sinais cerebrais até o laudo final, facilitando o diagnóstico e a operação.
A diminuição no tempo médio dos laudos e a manutenção do histórico do paciente na nuvem da própria empresa são diferenciais da plataforma, pois minimiza o risco de vazamento dos dados do paciente.
Motivo de empreender
Foi a partir de uma experiência pessoal, ao acompanhar a avó em consultas durante o tratamento de câncer, que Daniele percebeu problemas nos sistemas hospitalares.
— Era tudo precário, mesmo em hospitais bons — disse Daniele, em entrevista a Exame.
Aos 22 anos, Daniele fundou a Neurogram. Atualmente, com 25, lidera a empresa que já processou mais de 50 mil exames neurológicos e, no portfólio, possui contratos com grandes clínicas e hospitais.
Captação de milhões
A captação de R$ 17 milhões ocorreu em uma rodada seed com a Headline, fundo de Romero Rodrigues, ex-CEO do Buscapé.
Com a captação milionária, o objetivo é consolidar uma infraestrutura que abranja 100% dos hospitais brasileiros, algo inexistente até o momento.
O uso da IA
Atualmente, o tempo de análise de um exame pode ser reduzido em 60%, mesmo antes da IA ser incorporada ao projeto.
A primeira tecnologia já aprovada pela Anvisa e aplicada em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) é um algoritmo voltado para exames que classificam os estágios do sono.
Enquanto um humano demoraria 40 minutos para analisar 800 telas das oito horas de verificação, a ferramenta executa a mesma função em dois minutos.
Ainda, a empresa desenvolve um sistema de inteligência artificial para monitoramento neurológico em UTIs, com validação da Mayo Clinic.
Conforme Daniele, atualmente só 1% dos pacientes em UTI são monitorados neurologicamente. A IA da Neurogram permitirá que 100% sejam acompanhados em tempo real.