
Consegue se sentar no chão e levantar sem encostar as mãos ou os joelhos? A resposta pode dizer mais sobre você do que imagina. É o que defende um novo estudo brasileiro, divulgado pelo Estadão, que reacendeu o interesse por esse teste simples. Segundo os pesquisadores, esse gesto cotidiano pode ser uma forma eficaz de avaliar a longevidade de uma pessoa.
Desenvolvido nos anos 1990 pelo médico do esporte Claudio Gil Araújo, o teste voltou ao centro das discussões após ser reavaliado cientificamente e publicado em uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia.
A proposta é simples: o participante tenta se sentar no chão e levantar sem utilizar apoios. Cada vez que recorre a uma mão, um joelho ou outra parte do corpo para ajudar, perde pontos numa escala que vai de 0 a 10.
A nova análise acompanhou mais de 4 mil pessoas entre 46 e 75 anos ao longo de 25 anos. Todos os participantes estavam, no início, sem limitações físicas. O estudo foi conduzido entre 1998 e 2023 pela Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex), no Rio de Janeiro.
Durante esse período, foram registradas 665 mortes por causas naturais entre os participantes. Os dados de mortalidade foram cruzados com os resultados do teste.
Entre os que atingiram a pontuação máxima, a taxa de mortalidade ficou em torno de 3,7%. Já entre os que marcaram menos de quatro pontos, esse número subiu para 42%.
De acordo com os especialistas, a explicação está nas habilidades físicas exigidas para realizar o movimento — como força muscular, equilíbrio, flexibilidade e composição corporal. Todas essas capacidades são reconhecidas como protetoras da saúde, especialmente na terceira idade.
Para Guilherme Artioli, pesquisador da USP ouvido pelo Estadão, o teste não mede apenas um esforço físico pontual, mas reúne atributos essenciais para um envelhecimento saudável.
— É quase um termômetro da saúde física geral — resume.
Apesar dos números expressivos, os autores do estudo reforçam que o teste não deve ser encarado como um diagnóstico definitivo. Um desempenho abaixo do ideal pode indicar áreas da aptidão física que precisam de atenção e, felizmente, todas elas podem ser treinadas e aprimoradas com orientação adequada.
Por ser rápido, barato e não exigir equipamentos, o teste também tem potencial para ser incluído em consultas de rotina, inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo os pesquisadores.