
A maior parte dos candidatos que falharam na tentativa de tirar a carteira de habilitação em 2025 no Rio Grande do Sul não passou da baliza.
De acordo com dados do Detran-RS, foram registradas 361.387 provas práticas no ano passado para a categoria B (carros) e 60% de reprovações (218.445). Dos que não passaram, 139.589 (64%) ficaram pelo caminho logo no teste que simula o estacionamento entre outros veículos a partir dos sinalizadores.
Nesta terça-feira (3), o Detran anunciou que a baliza não será mais exigida no Estado durante a prova prática para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida já começa a valer a partir de quarta (4).
Conforme o órgão, a avaliação passa a ser concentrada na circulação do veículo, quando o candidato realiza um trajeto pelas ruas. Entretanto, a manobra de estacionamento no meio-fio permanece como etapa final do exame.
A retirada da obrigatoriedade da baliza vem após a publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção, no domingo (1º), pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O diretor técnico do Detran-RS Fábio Santos sinaliza que a mudança no Estado apenas segue a determinação do órgão federal.
– Antes, o exame prático era dividido em duas grandes etapas: a baliza e o percurso. A partir da implementação desse manual, há um grande e único percurso, onde aquela etapa exclusiva da baliza é retirada. Era uma etapa que representava grande apreensão, a reprovação era maior. Ao mesmo tempo, era uma etapa preparatória antes de sair na via pública, onde a gente observava o domínio do candidato – comentou Santos em entrevista ao programa Gaúcha+, da Rádio Gaúcha.
A mudança, assim como outras regras que entraram em vigor neste ano, gera polêmica, com posições favoráveis e contrárias.
O governo federal defende que a retirada da baliza busca aproximar o teste da realidade do trânsito brasileiro, com foco no comportamento do condutor em situações reais de circulação. Professor de Urbanismo da UFRGS e doutor em Engenharia de Transporte e Logística, Julio Vargas comenta sobre o assunto.
– O argumento ou conceito por trás dessa mudança parece bom: tornar o teste mais realista. Segundo o Contran (Conselho Nacional de Trânsito), é para testar realmente a capacidade de obedecer às normas, de dirigir com segurança, etc.. Até aí parece bom, porque realmente a baliza às vezes é uma coisa muito mecânica e artificial – afirma, mas também pondera que as mudanças não ajudam a tornar a mobilidade urbana mais sustentável ao passo que "facilitam" o aumento do número de veículos nas ruas.

Já o presidente do Instituto da Segurança em Mobilidade (ISM) Jaime Nazário acredita que o processo vem na esteira da ampliação de profissões relacionadas ao transporte, como motorista de aplicativo. Para ele, a habilidade de estacionar poderá ser exigida de uma forma diferente.
– Em alguns Estados, já não se pratica o teste de baliza há bastante tempo. Não ter o teste de baliza não quer dizer que a pessoa não vai ter que saber estacionar. Até aqui, existia um evento isolado (durante a prova). Ou seja, você tinha um local preparado, semiartificial para que o candidato demonstrasse que tinha a capacidade de estacionar o veículo – avalia.
A projeção do Detran-RS é de que todas as novas regras da CNH do Brasil serão implementadas até o dia 10 de março no Estado, entre elas a mudança no sistema de pontuações para reprovação e dos instrutores autônomos.



