
Divertidos e parceiros. Assim eram os irmãos Tatiani de Sá Tomaz, 45 anos, e Cristiano de Sá Tomaz, 39, segundo relatos de familiares e amigos. Os dois faleceram na segunda-feira (10), após uma carga de tijolos se desprender de um caminhão e desabar sobre a moto em que eles estavam, na RS-118, em Gravataí.
Conforme parentes, os dois viviam juntos em Gravataí.
— Eles tinham alegria no olhar, simplicidade no coração. Deixavam muita alegria e amor por onde passavam. Eram muito parceiros e muito família. Não está sendo fácil essa grande perda — disse a sobrinha das vítimas, Crislaini de Sá dos Passos.
Segundo Carla Bernardino, prima das vítimas, Tatiani deixa dois filhos, um neto de dois anos, além do companheiro. Já Cristiano era solteiro e não tinha filhos. Ambos deixam o pai, tios e primos.
— Minha prima era apaixonada pelo netinho. Sempre falava dele, era um amor que não cabia no peito. Nós sempre conversamos muito sobre família. O Cris morava com ela e era brincalhão. Não estamos acreditando no que aconteceu — relatou a prima.
"É um luto eterno"
A despedida dos irmãos ocorreu nesta terça-feira (11), no Cemitério Rincão da Madalena, em Gravataí. Foram cerca de oito horas de despedidas, entre velório e sepultamento. O adeus se deu em clima de descrença pelo acidente que tirou a vida da dupla, além de vontade de justiça.
— Pedimos justiça. A carga que tirou a vida deles estava irregular. Por irresponsabilidade, eles destruíram toda a família. É um luto eterno, uma dor que jamais será curada ou cicatrizada — acrescentou a sobrinha das vítimas, Crislaini de Sá dos Passos.

Carga irregular
De acordo com o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), o veículo não possuía nenhuma cinta de amarração para fixar o material. Dessa forma, não seguia as normas do Código de Trânsito Brasileiro.
A exigência é prevista na Resolução 945 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O texto determina que "todas as cargas devem estar devidamente amarradas, ancoradas e acondicionadas no compartimento de carga ou superfície de carregamento do veículo, de modo a prevenir movimentos relativos durante todas as condições de operação esperadas no transcorrer da viagem".
A irregularidade consta na ocorrência policial sobre o acidente, obtida pela RBS TV nesta terça-feira (11). O relatório também aponta que o tacógrafo do caminhão estava com a aferição do Inmetro vencida, o que significa que o equipamento não tinha certificação atualizada para medir corretamente o tempo e a velocidade percorridos.
A carga era da empresa Pauluzzi Produtos Cerâmicos. Em nota, a empresa informou que expressa sua solidariedade às vítimas e seus familiares. Além disso, disse que "se coloca à inteira disposição das autoridades para qualquer esclarecimento que se faça necessário".
"Informamos que a empresa se manifestará formalmente nos autos dos procedimentos caso instada para tanto, visando a colaboração com as investigações do acidente", conclui a nota.

Colisão entre caminhões
O caso aconteceu no km 17 da RS-118, no sentido sentido Gravataí, após o viaduto sobre a RS-020. Além do caminhão carregado com tijolos e da moto, um automóvel e outro caminhão também se envolveram no acidente.
Conforme o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), o veículo que estava carregado com os tijolos trafegava na faixa da esquerda da pista e colidiu na traseira de outro caminhão que estava à frente.
Com o impacto, a carga se desprendeu e caiu sobre a pista, momento em que atingiu a motocicleta que passava ao lado e um automóvel que estava no acostamento — para troca de um pneu.
A ocorrência envolveu dois Mercedez-Benz Atego, uma motocicleta Shineray e um Volkswagen Saveiro.

