
Cerca de duas semanas após sobreviver a um acidente de trânsito que a deixou quase duas horas presa no próprio carro, prensado e soterrado por serragens, em Porto Alegre, a estudante de biomedicina Eduarda Correa, 23 anos, relembrou o momento de tensão. Em entrevista ao Fantástico, da Globo, neste domingo (19), a estudante afirma que achou que não sairia do local viva.
— Nos primeiros minutos, eu tinha certeza de que não ia sair com vida — contou ao programa, ao lado do noivo, Gabriel Zanettin, que ajudou no socorro.
O acidente aconteceu após um caminhão tombar na alça de acesso da freeway para a Rodovia do Parque (BR-448). A carreta, que transportava serragem, acabou caindo sobre o veículo da estudante.
O peso do material amassou o teto do veículo e deixou a estudante de biomedicina confinada em um pequeno espaço. Para especialistas, ela sobreviveu graças a uma série de fatores, como a estrutura do carro atingido e tipo de material que cobriu o veículo. Os vidros fechados durante o acidente também contribuíram, pois criaram uma bolha de ar, o que permitiu que a motorista continuasse respirando.
Todos esses elementos formaram uma estrutura chamada "cápsula de sobrevivência" — formada por colunas e portas com proteção reforçada — que absorveu o impacto e evitou a compressão total do veículo.
Com casamento marcado
Soterrada e com o casamento marcado para novembro, Eduarda ligou para o noivo, de dentro do carro, dizendo que o amava e pedindo desculpas, por acreditar que não conseguiria sair da situação.
— Minha visão estava bem embaçada neste primeiro momento, de enxergar borrão. Eu consegui colocar a senha e ligar — relembrou a vítima.
O noivo de Eduarda viu o acidente acontecer e foi um dos primeiros a chegar no local. Ele, que trabalha na Arena do Grêmio, que fica ao lado do local do acidente, foi a pé até a alça de acesso da rodovia e ajudou no socorro, retirando com as mãos a serragem sobre o veículo.
Para Eduarda, sobreviver ao acidente que a deixou soterrada em quase 30 toneladas de serragem é mais um motivo para comemorar a vida e seguir com os planos de casamento.
(Sobreviver) é mais um motivo para a gente fazer isso, casar, celebrar nossa união, o nosso amor
EDUARDA CORREA
Estudante de biomedicina
Relembre o caso
Um caminhão tombou na alça de acesso da freeway para a Rodovia do Parque (BR-448), em Porto Alegre, por volta das 11h30min do dia 7 de outubro. A carreta, que transportava serragem, acabou caindo sobre o veículo da estudante. O carro estava na faixa ao lado do caminhão e acabou ficando preso e soterrado no local.
Dados do rastreamento do caminhão indicam que ele estava trafegando em 73 km/h em um trecho onde o limite é 50 km/h, segundo a reportagem do Fantástico.
A condutora, identificada como Eduarda Corrêa, de Canoas, começou a ser removida do veículo por volta das 12h40min. A motorista foi retirada por volta das 13h15min do local e encaminhada ao hospital. O motorista da carreta teve ferimentos leves e foi levado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas.
Inicialmente, Eduarda deu entrada no Hospital Cristo Redentor, mas depois precisou ser transferida à UTI do Hospital Nora Teixeira, na Santa Casa, devido a complicações em exames. Após cerca de uma semana hospitalizada, ela teve alta.
Agentes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Brigada Militar e funcionários da CCR ViaSul — concessionária que administra o trecho da rodovia — trabalharam no resgate.
A Polícia Civil deve investigar as causas do acidente.
Veja a cronologia dos fatos
Terça-feira (7), por volta de 11h30min
- Eduarda voltava de uma prova na faculdade, indo de Porto Alegre para Nova Santa Rita, onde vivem os familiares;
- O carro conduzido pela universitária foi atingido por um caminhão carregado de serragem, que tombou na rodovia;
- Soterrada, Eduarda ligou para o noivo — que trabalha na Arena do Grêmio — pedindo socorro;
- O jovem de 25 anos foi a pé até o local do acidente e avisou que havia um carro sob a carga.
Terça-feira (7), por volta de 13h15min
- Segundo os bombeiros, a motorista ficou confinada dentro do veículo, que não encheu de serragem, e conseguiu respirar;
- Eduarda, mesmo nervosa, se manteve consciente durante o resgate;
- Eduarda foi socorrida e levada para o Hospital Cristo Redentor, na Zona Norte;
- De acordo com a família e os bombeiros, a motorista sofreu arranhões.
Quarta-feira (8)
- Mesmo consciente e com ferimentos leves, Eduarda aguardava a realização de exames de sangue;
- As circunstâncias do acidente eram apuradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que aguardava um laudo pericial;
- Conforme a PRF, o motorista do caminhão realizou, no dia, exame de etilômetro, que deu negativo para a presença de álcool no organismo;
- Por não envolver morte ou crime como alcoolemia, o caso não foi encaminhado para a Delegacia de Trânsito.
Quinta-feira (9)
- Os exames apontaram alterações, que exigiram a transferência do Hospital Cristo Redentor para a Santa Casa;
- Segundo o noivo, Eduarda estava medicada e hidratada;
- A jovem sentia muitas dores no corpo, mas passava bem, diz Gabriel.
Sexta-feira (10)
- Eduarda recebeu alta da UTI;
- A motorista foi transferida para um quarto, em situação estável, e passou por observação após exames;
- Em sua primeira manifestação, a estudante comemorou por estar viva.
Segunda-feira (13)
- Eduarda recebeu alta definitiva e deixou o hospital;
- Noivo comemorou a recuperação.





