A Meta removeu o "Mapa de Amigos", recurso do Instagram que permitia compartilhar a localização entre usuários. A ferramenta gerou preocupação nas redes sociais por possíveis impactos à privacidade e à segurança.
A empresa informou que a funcionalidade foi liberada de forma acidental e acabou removida da plataforma. Antes disso, o Instagram informava que a localização não era compartilhada automaticamente e que a opção precisava ser ativada pelo usuário.
A Meta não informou quando ou se o recurso será disponibilizado oficialmente no Brasil. Mas o caso reacendeu o debate sobre exposição no digital.
Para o advogado especializado em Direito Digital Juliano Madalena, o principal ponto de atenção é que a funcionalidade conecta o ambiente digital ao mundo real:
— O usuário passa a fornecer a sua localização em um ambiente digital e amplia uma informação que, tradicionalmente, está vinculada a alguém conhecido. Considerando o alto índice de golpes, todo e qualquer dado em rede social deve ser tomado extremo cuidado.
Segundo o especialista, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não proíbe o compartilhamento de localização, mas exige que a utilização dessas informações tenha uma finalidade específica e seja realizada com o consentimento do usuário.
Exposição digital
Para o pesquisador e professor da PUCRS Eduardo Pellanda, a repercussão do caso revela uma mudança na forma como as pessoas encaram a privacidade na internet:
— Pessoas estão distribuindo várias informações privadas sem se dar em conta da gravidade. Nesse caso, a informação que as pessoas estão dando é a mesma que elas já davam antes.
O pesquisador também chama atenção para um aspecto comportamental por trás da exposição nas redes sociais:
— Os lugares que frequentamos ajudam a construir a imagem que mostramos para os outros. De certa forma, onde eu vou também comunica quem eu sou.
Cuidados recomendados
Para o advogado Juliano Madalena, o recomendado é que usuários revisem regularmente as configurações de privacidade das redes sociais e reflitam sobre as informações compartilhadas.
— Se um estranho sentasse ao nosso lado em um ônibus e perguntasse sobre nossa rotina, hábitos ou lugares que frequentamos, dificilmente responderíamos. Mas disponibilizamos essas mesmas informações nas redes sociais sem refletir sobre quem pode acessá-las — destaca.
O alerta é ainda maior para pais e responsáveis. Segundo o advogado, crianças e adolescentes são mais vulneráveis à exposição nas plataformas digitais, e o compartilhamento de localização pode representar riscos adicionais.





