O iFood começou, nesta segunda-feira (1º), a usar drones para entregar pedidos em Barueri, na Grande São Paulo. Os equipamentos percorrem cerca de 3,5 quilômetros entre restaurantes do Shopping Iguatemi Alphaville e o condomínio Alphaville Residencial Zero em aproximadamente cinco minutos.
Trata-se da primeira rota de delivery aéreo do país autorizada a sobrevoar uma área residencial densamente povoada. Os 2,5 mil moradores do condomínio passaram a contar com a modalidade a partir do meio-dia desta segunda.
A operação funciona diariamente, das 10h30min às 22h30min, e não tem custo adicional para o consumidor em relação às entregas convencionais.
Como funciona a entrega por drone

O modelo é multimodal, ou seja, combina mais de um meio de transporte na mesma entrega.
Depois que o cliente faz o pedido no aplicativo, o restaurante prepara a comida e entrega a sacola a um mensageiro ou ao robô terrestre ADA, veículo autônomo e elétrico desenvolvido pelo iFood para transportar pedidos dentro de shoppings e condomínios.
O equipamento leva o pacote até a base de decolagem dentro do shopping. A partir daí, o drone assume o trecho aéreo de 3,5 quilômetros e pousa em um ponto reservado no condomínio.
A última etapa, conhecida no setor como "última milha", continua nas mãos de um entregador parceiro, que recebe a encomenda no ponto de pouso e a leva até a porta do cliente.
As aeronaves voam de forma automatizada, supervisionadas por um operador humano.
A rota terá dois drones operando ao mesmo tempo, e a quantidade de pedidos por viagem varia conforme o peso e o volume das embalagens.
Por que a operação foi criada
A nova rota tenta resolver um gargalo recorrente nas entregas para condomínios fechados da região: a demora no cadastro e na liberação dos entregadores nas portarias.
Segundo o iFood, cerca de metade dos pedidos destinados à área era recusada em razão da dificuldade de acesso e do tempo de espera na entrada.
A empresa afirma que a mudança não deve gerar perdas financeiras aos entregadores. O tempo antes gasto aguardando a autorização para entrar nos condomínios, segundo o iFood, tende a ser compensado pelo aumento do volume de pedidos disponíveis na área, especialmente nos horários de pico do almoço e do jantar.
A companhia também avalia que a operação destrava entregas para restaurantes que antes consideravam a região inviável.
A expectativa é de cerca de 500 entregas por mês na nova rota. O iFood pretende replicar o modelo em outros condomínios próximos ao shopping, usando a mesma estrutura para abrir novos pontos de pouso.
A reportagem entrou em contato com a empresa para saber se há previsão de ampliar o serviço para outros municípios, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
Qual drone o iFood usa e quem o fabrica

O equipamento foi desenvolvido pela Speedbird Aero, empresa brasileira que fabrica os drones usados pelo iFood. A operação é monitorada em tempo real por um centro de controle em Franca, no interior paulista.
Cada drone voa a até 50 quilômetros por hora (km/h), a uma altitude de até 60 metros, o equivalente a um prédio de 20 andares. A autonomia chega a 10 quilômetros em trajetos de ida e volta, ou a 23 quilômetros em sentido único.
As aeronaves resistem a ventos de até 55 km/h e a chuva leve, de até cinco milímetros por hora, e contam com GPS integrado e paraquedas de emergência. O ruído fica em torno de 70 decibéis, próximo ao volume de uma conversa em um restaurante.
A capacidade de carga é o ponto que mais limita a operação por enquanto. Embora o drone suporte até 10 quilos, a certificação atual autoriza o transporte de apenas cinco quilos por viagem.
A Speedbird considera a rota de Barueri uma das mais complexas que já desenvolveu.
O Brasil tem o segundo espaço aéreo mais congestionado do mundo, e a empresa trabalha em uma tecnologia para prever com mais precisão as condições climáticas ao longo do percurso, ainda em fase de testes.
O desafio, segundo a empresa, é que os drones voem mais próximos do solo do que as aeronaves convencionais, para as quais foram concebidos os sistemas tradicionais de monitoramento.
Toda a operação tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Drones não substituem entregadores
O iFood reforça que o drone funciona como complemento da logística tradicional, e não como substituto dos entregadores. A etapa final da entrega segue dependendo de um profissional, e a companhia afirma que a tecnologia serve para ampliar as rotas possíveis e melhorar a produtividade em áreas de difícil acesso.
Na prática, o drone reduz o tempo perdido em deslocamentos complicados e em filas nas portarias, o que, segundo a empresa, permite ao entregador realizar mais corridas no mesmo período.




