Um enorme foguete da Nasa com quatro astronautas a bordo foi lançado nesta quarta-feira (1º) para iniciar uma muito aguardada jornada na Lua, no primeiro sobrevoo tripulado do satélite natural da Terra em mais de 50 anos. Foi o início da missão Artemis II, que deve ficar 10 dias no espaço, orbitando a Lua.
Com um forte rugido que reverberou muito além da plataforma de lançamento, o enorme foguete laranja e branco levando a bordo os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da CSA, decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, por volta das 18h35min locais (19h35min de Brasília).
Após a separação do primeiro estágio do foguete, quando os propulsores são ejetados da cápsula Orion, o comandante da missão, Wiseman descreveu o que viu:
Temos um belo nascer da Lua. Estamos indo direto para ele
REID WISEMAN
Comandante da Artemis II
Enquanto isso, da base de lançamento, no Cabo Canaveral, um espectador vibrava:
— Vamos para a Lua! — gritou, empolgado.
Entenda o objetivo da missão
Este é o primeiro voo de teste tripulado da Nasa na campanha Artemis. O objetivo, neste momento, é confirmar se os sistemas da espaçonave Orion operam no espaço profundo conforme planejado, de modo a dar suporte a astronautas — e preparar o terreno para o estabelecimento de uma presença permanente na Lua.
Na "Era de Ouro da exploração e inovação", as missões Artemis permitirão que os astronautas explorem a Lua em busca de descobertas científicas e benefícios econômicos, e ajudarão a impulsionar as primeiras missões tripuladas a Marte, conforme a agência espacial norte-americana. As iniciativas unem diversas nações, incluindo o Brasil.
O astrônomo, professor e diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Thiago Signorini Gonçalves, analisa a missão com cautela. As expedições são caras e não necessariamente trazem o maior retorno científico – telescópios e missões não tripuladas são mais baratas e têm maior retorno, pois já têm alta capacidade de exploração e de descobertas científicas.
A etapa é o passo seguinte nos testes de tecnologias, incluindo os sistemas de lançamento de foguetes e de suporte à tripulação, como preparação para a terceira missão, que trará mais complexidades, além da presença da tripulação. O objetivo é garantir que, quando os astronautas finalmente pisarem na Lua, tudo esteja dentro das expectativas.
— O grande diferencial dessa missão é ter o sistema tripulado. Você está mandando uma tripulação para orbitar a Lua, uma coisa que não se faz há algum tempo. Você tem uma missão tripulada chegando bem longe e, do ponto de vista tecnológico, tem todo um sistema de lançamento diferente, que é o que eles estão testando agora para a Artemis. Eles aposentaram o sistema dos ônibus espaciais — avalia Gonçalves.


