
Na tarde desta segunda-feira (6), os astronautas da Artemis II iniciaram a manobra de "dar a volta" na Lua para fazer observações e imagens do chamado lado oculto. Todo o processo deve durar mais de cinco horas, no último movimento da missão da Nasa antes do retorno à Terra.
Apesar de como é classificado, este território pouco conhecido da superfície lunar não vive na escuridão, apenas permanece fora do nosso campo de visão.
Ao contrário do que estamos acostumados a ver em imagens espaciais da Lua, como manchas escuras bastante perceptíveis, no "outro lado" surge um terreno acidentado, coberto por crateras.
O motivo de nunca a vermos daqui é explicado pela rotação síncrona, fenômeno que faz com que a Lua leve o mesmo tempo para girar em torno de si e ao redor da Terra, mantendo sempre a mesma face voltada para nós.
Por isso, alguns especialistas preferem tratar o lado oculto como "mais afastado" da Terra. Um dos pontos mais intrigantes é a Bacia do Polo Sul-Aitken, uma cratera de cerca de 2,5 mil quilômetros de diâmetro.
Cientistas acreditam que ela pode revelar informações sobre o interior da Lua, o passado primitivo do Sistema Solar e possíveis próximos passos da humanidade fora da Terra, como a existência de água e gelo.
Entretanto, além dos avanços científicos que o lado oculto da Lua pode oferecer, sua exploração é tratada como uma forma de arrecadar prestígio internacional na corrida espacial travada pelas maiores potências no planeta desde a Guerra Fria, como Estados Unidos, Rússia e China.
As últimas missões
Em 2019, a missão Chang'e 4, da China, realizou o primeiro pouso controlado por uma sonda no lado oculto da Lua.
Para tornar isso possível, os chineses precisaram resolver um desafio técnico fundamental: como se comunicar com uma nave que nunca tem linha direta com a Terra. A solução veio com um satélite que atuou como ponte de transmissão.
Inclusive, no "passeio" desta segunda promovido pela missão da Nasa, por volta das 20h (horário de Brasília), os astronautas ficarão por meia hora sem contato com a Terra. É quando a espaçonave ficará mais próxima da Lua, a apenas 6.550 quilômetros da superfície.
Em 2023, a Índia enviou a missão Chandrayaan-3 e conseguiu pousar próximo ao polo sul da Lua — uma região estratégica por seu potencial de conter gelo.
O feito foi celebrado mundialmente, mas também alimentou uma narrativa de competição com a China.
Especialistas, no entanto, alertaram que as missões não podiam ser comparadas: enquanto a China focou o lado oculto, a Índia concentrou esforços no polo sul visível, ambos com relevância científica distinta.
A partir da terça-feira (7), os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen dão início ao processo de retorno à Terra.
Especialistas em corrida espacial já avisaram que a Artemis II não deve trazer tantas descobertas a nível avançado de percepção de exploração do Sistema Solar. Mas pode dar indícios se há recursos subterrâneos suficientes para tornar a Lua um "posto avançado" para futuras viagens espaciais tripuladas.


