
O lançamento da Artemis II, primeira missão da Nasa (Agência Espacial Americana) tripulada rumo à Lua desde 1972, com o fim do programa Apollo, está previsto para o dia oito de fevereiro, domingo. A missão, caso bem sucedida, abrirá portas para novos rumos da exploração espacial e marca um novo cenário na rivalidade entre Estados Unidos e China. As informações são do g1.
Após uma série de ajustes no cronograma e novos adiamentos, quatro tripulantes irão viajar dentro da cápsula Orion, impulsionada pelo Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês) o foguete mais poderoso já construído pela Nasa. Os astronautas farão registros do lado oculto da Lua para observações científicas.
Como deve ser a Artemis II
A missão deve começar com o lançamento do foguete SLS do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A Artemis II terá duração de aproximadamente dez dias e não prevê pouso na Lua.
A intenção é levar os astronautas a um sobrevoo pelo satélite natural, passar pelo seu lado oculto e retornar à Terra em uma trajetória de "retorno livre", ou seja, aproveitar a força gravitacional na Terra para trazer a Orion de volta sem necessidade de grandes manobras de propulsão.
Durante o voo, a tripulação deve testar os sistemas essenciais da Orion — suporte de vida, comunicações, navegação e controle manual — em um ambiente de espaço profundo, longe da influência da Terra. A Orion deve passar entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície lunar.
Na passagem da tripulação pelo lado oculto da Lua, eles ficarão sem comunicação com a Terra por 30 a 50 minutos, enquanto fotografam e filmam o satélite natural para observações científicas. Após contornar a Lua, a cápsula Orion deve atingir uma marca histórica: viajará cerca de 7.500 km além do lado oculto. O feito superará o recorde de distância da Terra estabelecido pela missão Apollo 13 em 1970.
Com um percurso que totaliza 2,2 milhões de quilômetros de viagem, na volta para a Terra a Orion enfrentará um dos desafios térmicos mais extremos da astronáutica. Ao entrar na atmosfera terrestre a aproximadamente 40.000 km/h, o escudo térmico de proteção da cápsula suportará temperaturas de até 3.000 °C.
A descida final no Oceano Pacífico será coordenada por um sistema sequencial de oito paraquedas, garantindo a integridade dos astronautas e da estrutura antes do resgate.
Caso seja bem sucedida, a Artemis II precederá a Artemis III, missão que deve marcar o retorno de astronautas à superfície da Lua nos próximos anos, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar no satélite natural.
Segundo o administrador da Nasa, Jared Isaacman, a Artemis II "será um passo decisivo para a exploração espacial humana".
Caso ocorra algum imprevisto, o ensaio e lançamento da Artemis II pode ser adiado para 10 e 11 de fevereiro, ou então para março ou abril.
Quem são os astronautas?
Os quatro astronautas escolhidos para integrarem a missão são Reid Wiseman, comandante da Artemis II, Victor Glove, piloto, Christina Koch, especialista de missão, e Jeremy Hansen, físico canadense. Os astronautas serão os primeiros humanos a se afastar da Terra em mais de meio século.
Chistina será a primeira mulher a ir em uma missão ao redor da Lua organizada pela Nasa, e Victor será o primeiro homem negro.
Confira registros da preparação para a Artemis II
O que são o foguete SLS e a cápsula Orion
O Sistema de Lançamento Espacial (SLS) foi projetado pela NASA para impulsionar a cápsula Orion rumo ao espaço profundo. Com 98 metros de altura, o megafoguete é mais alto que a Estátua da Liberdade e é a peça mais potente do inventário da agência, gerando 4 milhões de quilos de empuxo, força comparável à de 14 aeronaves Boeing 747.
A arquitetura do lançador inclui dois propulsores laterais de combustível sólido e um estágio central equipado com quatro motores RS-25. Durante a subida, após o esgotamento do combustível principal, o estágio superior ICPS (Estágio criogênico provisório de propulsão) assume a tarefa de inserir a Orion em sua trajetória.
No topo do conjunto, a cápsula Orion atua como o habitat dos astronautas. O módulo de tripulação, com capacidade para quatro pessoas, é integrado por sistemas avançados de suporte de vida e painéis de controle de última geração.
A sustentação da nave depende diretamente do Módulo de Serviço Europeu (ESM), desenvolvido pela Airbus sob coordenação da Agência Espacial Europeia (ESA), responsável pelo fornecimento de energia solar, propulsão, controle térmico e suprimentos vitais como oxigênio e água.
Para garantir a segurança dos tripulantes, o veículo conta ainda com um sistema de escape de lançamento (LAS), capaz de ejetar o módulo em milésimos de segundo em caso de falha crítica na decolagem.
O que é o programa Artemis
Liderado pela NASA, o programa Artemis, batizado em homenagem à irmã gêmea de Apolo na mitologia grega, representa a retomada das ambições lunares dos Estados Unidos.
Após o sucesso da Artemis I em 2022, uma missão não tripulada, o programa avança para testes com humanos a bordo da cápsula Orion. A Artemis II leva quatro astronautas a uma distância de 7.500 km além do lado oculto da Lua,enquanto o desembarque na superfície lunar está reservado para a Artemis III.
A visão de longo prazo da Nasa transcende o solo lunar. O plano inclui a construção da estação espacial Gateway, que servirá como base logística em órbita da Lua. Este ecossistema orbital e de superfície funcionará como um laboratório de testes e "trampolim" tecnológico para o objetivo final da exploração espacial: o envio de missões tripuladas a Marte.
Existe a possibilidade de futuros lançamentos?
O cronograma imediato do programa Artemis prevê, ao menos, mais duas etapas tripuladas — as missões III e IV — como parte de um esforço contínuo para estabelecer uma presença humana permanente no satélite natural.
A NASA projeta o lançamento da Artemis III para "não antes de 2027", embora o setor aeroespacial aponte 2028 como uma estimativa mais realista.
Para viabilizar o desembarque, a agência ainda avalia módulos de pouso da SpaceX e da Blue Origin, enquanto a Axiom Space finaliza o desenvolvimento dos novos trajes espaciais.
A partir da Artemis IV, o programa entra em uma fase de expansão com a montagem da Gateway, estação orbital que servirá de base para missões mais longas e frequentes. Mas, por enquanto, todo o foco está na Artemis II.
Isaacman disse que a Artemis II "representa um avanço rumo ao estabelecimento de uma presença lunar duradoura e ao envio de americanos a Marte".
O administrador da Nasa não poderia estar "mais impressionado com a equipe e com a tripulação da Artemis II", desejando "sucesso a todos, com ousadia".
Vivemos uma nova corrida espacial?
Sim, mas não como a corrida espacial da Guerra Fria no século XX. Hoje, a Artemis II é impulsionada pelo Congresso americano e pela competição geopolítica com a China, que também avança no seu próprio programa de exploração espacial.

