
Elon Musk se manifestou nesta quarta-feira (14) sobre a crise envolvendo o Grok, chatbot de inteligência artificial integrado à rede social X. Em publicações feitas na própria plataforma, o empresário defendeu a ferramenta e afirmou não ter conhecimento de imagens ilegais produzidas pela IA.
A declaração ocorre após denúncias de que o sistema teria sido usado para criar montagens sexualizadas de mulheres e, em alguns casos, de menores de idade. Zero Hora, inclusive, mostrou em reportagem como esse tipo de imagem é gerado a partir de pedidos públicos feitos por usuários ao chatbot.
"Não tenho conhecimento de nenhuma imagem nua de menores de idade gerada pelo Grok. Literalmente, zero", escreveu Musk.
Segundo ele, o chatbot não cria imagens de forma automática e apenas responde a comandos feitos por usuários. "Quando é solicitado a gerar imagens, ele se recusa a produzir qualquer coisa ilegal, já que o princípio operacional do Grok é obedecer às leis de qualquer país ou estado", afirmou.
Plataforma é alvo de investigação
Musk também sugeriu que parte dos episódios pode estar relacionada a tentativas deliberadas de explorar brechas no funcionamento da ferramenta.
"Pode haver ocasiões em que hackings ao prompt do Grok façam algo inesperado. Se isso acontecer, corrigimos a falha imediatamente", disse o empresário.
O posicionamento foi divulgado pouco após o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmar que recebeu garantias de que o X estaria atuando para assegurar total conformidade com a legislação britânica.
A plataforma é alvo de investigação do órgão regulador de mídia do país, que apura possível violação de normas ligadas à proteção de crianças e à disseminação de conteúdos ilícitos.
Grok já admitiu falhas
Apesar da defesa feita por Musk, o próprio Grok reconheceu, no início de janeiro, que falhas em seus mecanismos de proteção permitiram a geração de imagens sexualizadas de menores de idade, que acabaram sendo publicadas no X semanas antes. Em nota, a empresa informou que ajustes estavam sendo implementados para reforçar os filtros e evitar novas ocorrências.
No Brasil, o debate ganhou força após casos envolvendo mulheres que tiveram fotos manipuladas sem consentimento. Esse tipo de prática, conhecido como deepfake, não é novo, mas se espalhou no X no fim de 2025, tornando-se uma espécie de "trend" impulsionada por pedidos públicos feitos diretamente à ferramenta.
Segundo um levantamento da pesquisadora de mídias sociais Genevieve Oh, o Grok teria gerado cerca de 6,7 mil imagens sexualmente sugestivas ou com nudez por hora em um intervalo de 24 horas, volume 85 vezes maior do que o registrado por outras cinco plataformas de IA analisadas no mesmo período.
Caso Julie Yukari ampliou repercussão

Um dos episódios de maior repercussão no Brasil envolveu a cantora carioca Julie Yukari, da banda Adaga. Uma foto publicada por ela ao lado de uma gata, minutos antes da virada do ano, passou a ser usada como base para pedidos públicos ao Grok, que gerou montagens com nudez sem autorização.
Segundo o relato da artista, o post inicialmente recebeu apenas mensagens positivas. No dia seguinte, porém, ela viu que a imagem viralizou com a circulação de comandos pedindo à IA que removesse suas roupas.
"A gente nunca espera que um momento de afeto se transforme em um pesadelo", escreveu Julie nas redes sociais. A cantora registrou ocorrência policial no Rio de Janeiro.
O que fazer em caso de imagens manipuladas
Desde 2025, a lei prevê aumento de pena quando a violência psicológica é praticada com uso de tecnologia capaz de manipular imagem ou som da vítima. A pena base é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa, com aumento de metade nesses casos.
Comentários ofensivos associados às imagens também podem gerar responsabilização individual. Para quem se torna alvo desse tipo de ataque, a orientação inicial é preservar as provas. Veja o que se pode fazer:
- Faça capturas de tela das imagens, dos comentários, dos perfis envolvidos e dos links, garantindo que data e horário fiquem visíveis
- Sempre que possível, formalize as provas por meio de ata notarial em cartório ou use plataformas digitais com validade jurídica, como o e-Notariado
- Utilize os mecanismos internos da rede social para reportar a violação; o Marco Civil da Internet prevê a remoção rápida de conteúdo íntimo não consensual após notificação da vítima
- Procure uma Delegacia de Crimes Cibernéticos ou faça o registro on-line, reunindo todas as evidências coletadas
- Com o material reunido, consulte um advogado para avaliar medidas cabíveis nas esferas civil e, conforme o caso, penal


